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sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Exploração de ouro atinge comunidade indígena na Guatemala


Extraction!: Comix Reportage - Gold (Guatamala) reportage by Dawn Paley/ comix by Joe Ollmann                                                           

O site Archomix publicou nesta semana uma impactante reportagem em quadrinhos sobre o trágico tratamento que comunidades indígenas na Guatemala receberam da empresa mineradora canadense Goldcorp:  aumento da mortalidade infantil, alastramento de problemas de saúde e uma série de outros dramas decorrentes da atividade da empresa em minas de ouro.

A mineradora tem concessão de exploração em extensas porções de terra do país de apenas 108 mil quilômetros quadrados. Os tratados comerciais - segundo os movimentos sociais guatemaltecos - aviltam o país. O resultado é um país com um milhão de habitantes em extrema pobreza e três milhões em situação de pobreza. Em algumas cidades, até 49% das crianças com até cinco anos sofrem de desnutrição crônica.


Em 2010, líderes indígenas da Guatemala exigiram o encerramento de uma mina de ouro, em San Marcos. A GoldCorp foi acusada de contaminar os rios, degradar o ambiente e de estar na origem de conflitos de terra. Crisanta Pérez, líder indígena, denunciou a utilização de explosivos e constante passagem de veículos pesados, que danificaram cerca de 140 casas. Dezenas de moradores locais sofrem de problemas cutâneos e gastrointestinais. Análises ao sangue revelaram a presença de substâncias fortes no organismo de muitos deles.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Artistas espanhois se unem e lançam quadrinhos sobre o movimento de estudantes



Um grupo de artistas espanhois, de diferentes cidades do país, acaba de lançar um livro que reúne ensaios e quadrinhos que relatam o movimento de estudantes nas praças da Espanha para protestar contra a crise econômica que atingiu o país. "Yes, we camp!" faz uma óbvia brincadeira com o slogan de campanha do presidente americano, Barack Obama, e lembra os acampamentos que tomaram conta de espaços como a Porta do Sol, em Madri.

O Dia 15 de maio ficou marcado como o dia em que os jovens espanhois saíram às ruas para exigir democracia, emprego, educação...  Os protestos se espalharam rapidamente graças às redes sociais, em especial o Twitter. Em três dias o movimento já ocupava praças em Málaga, Granada, Barcelona e Tenerife.

Os cidadãos organizaram-se eficientemente em comités que se dedicavam a questões legais, de comunicação, limpeza, comida, saúde e até música. Foi levada tanta comida para os acampamentos que os organizadores tiveram de encontrar uma forma de armazená-la.

O site espanhol Dibbuks colocou para livre acesso na internet o livro que transformou os protestos do 15 de Maio em uma grande reportagem em quadrinhos, por diferentes autores.

O livro está disponível na íntegra. No prefácio, os autores (desenhistas e escritores) disseram sentir uma responsabilidade e uma oportunidade únicas. Por isso abriram mão de direitos e manifestaram o desejo de que o projeto ganhe o mundo... Ao final, fazer um mundo melhor é algo com o que estamos todos de acordo. O trabalho é para ser impresso, lido e compartilhado... Um documento denso, atual, dinâmico... Passem adiante... Imprescindível.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Mais jornalismo e quadrinhos

Nona Arte descobriu mais uma excelente fonte de reportagens em quadrinhos...O site Cartoon Movement é um espaço dedicado a publicação de comics e cartuns voltados à denúncia e sátira política. Nele você pode encontrar uma série de reportagens sobre a vida no Afeganistão, o conflito entre Israel e Palestina ou os protestos de estudantes em Londres. O site foi criado por uma comunidade internacional de cartunistas e fãs dos trabalhos de crítica política.  Eles estão permanentemente buscando novos artistas em diferentes partes do mundo que precisam de apoio e espaço para divulgarem suas reportagens. Vale a pena conferir...






Jornalismo em quadrinhos


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Para alguns, a única ligação entre quadrinhos e jornais são as páginas dos cadernos de cultura onde são publicadas as tiras de cartoons. No entanto, uma nova raça de jornalista está emergindo: um profissional que está tão confortável na condução de uma entrevista como sentado atrás de uma prancheta de desenhos com canetas e lápis à mão.

A arte acima, publicada no site do Poynter Istitute lança um debate sobre esta nova modalidade de jornalismo. Confira também um vídeo com o artista Dan Archer durante palestra no programa Knight Fellow.


sexta-feira, 9 de julho de 2010

Quadrinhos e denúncia


A fusão entre quadrinhos e internet tem resultado em projetos que estão revolucionando o cenário mundial das artes e principalmente do jornalismo. Há diversos sites na web que têm servido de plataforma para histórias que revelam os bastidores de acontecimentos recentes da política internacional. Dois exemplos desses portais são o Zarah´s Paradise e o Archomix.

O site Archomix foi criado em 2008 pelo americano Dan Archer e está voltado a oferecer ao público uma nova perspectiva sobre temas da política externa e interna dos Estados Unidos e ``dar voz àqueles que, de outro modo não poderiam ser ouvidos´´. Entre as diversas histórias disponibilizadas no site os leitores podem encontrar quadrinhos sobre as desventuras de mendigos nas ruas de Lagos (Nigéria), o envolvimento dos Estados Unidos no golpe contra Salvador Allende no Chile, a exploração do trabalho escravo de agricultores da América Central em fazendas de tomate da rede Burger King na Flórida ou ainda o recente golpe de estado em Honduras. Essa última história ganhou uma versão impressa que pode ser adquirida por meio do próprio site por apenas cinco dólares.

Assim como o jornalista Joe Sacco, o quadrinista Dan Archer não hesita em fazer suas escolhas. No caso do golpe de estado em Honduras ele claramente defende o ex-presidente Manuel Zelaya. O artista tem construído uma rede de articulações e já conseguiu traduzir suas histórias para diferentes idiomas, incluindo japonês. Recentemente Archer iniciou uma colaboração com uma lenda dos quadrinhos americanos Havery Pekar e tem desenvolvido uma história sobre a cultura e a literatura dos judeus que viveram no leste europeu.


Perseguição em Teerã

Outro site que tem utilizado a linguagem dos quadrinhos para contar histórias verdadeiras e fazer denúncias políticas é o Zahara´s Paradise. O site é resultado da inusitada reunião entre um escritor persa, um artista árabe e um editor judeu. Suas identidades são mantidas em anonimato para evitar perseguições políticas.
A história une ficção e realidade para denunciar os desrespeitos aos direitos humanos e políticos do povo iraniano a partir da eleição de 2009, que foi denunciada internacionalmente como uma fraude. Uma mãe busca desesperadamente notícias sobre o filho ativista desaparecido após os protestos que tomaram Teerã. O jovem Mehdi some sem deixar vestígios. Em nenhum dos lugares pelos quais sua mãe e seu irmão peregrinam há qualquer notícia que permita levar ao seu paradeiro.

O autor da história, que usa o pseudônimo de Amir, tem descendência americana e iraniana e é jornalista, documentarista e militante dos direitos humanos. Já o ilustrador, que usa o nome de Khalil tem um trabalho reconhecido internacionalmente. Zahra´s Paradise é sua primeira graphic novel.

Zahra´s Paradise está disponível no site em inglês, farsi, árabe, francês, italiano, espanhol, português e deve ganhar versões em outros idiomas em breve. O projeto tem despertado a atenção da mídia internacional e já foi destaque em jornais e revistas internacionais, como a alemã Der Spiegel, a inglesa The Economist ou o jornal brasileiro Folha de S.Paulo.

Folhetim 

Zahra´s Paradise é publicada em formato de folhetim. Todas segundas, quartas e sextas uma nova página é lançada no site. Até o dia nove de julho, já haviam sido publicadas 66 páginas da história. A história revela a ocorrência de prisões ilegais ocorridas dentro de hospitais, onde até mesmo manifestantes feridos foram levados pela polícia política iraniana.



Uma das páginas está dedicada a Neda Agha Soltan, a jovem iraniana assassinada em junho de 2009 durante uma passeata e que ser tornou mártir e símbolo da resistência contra a violência da polícia iraniana. A morte de Neda foi registrada em vídeo e massificada através de blogs no mundo inteiro.

Assista a um filme de animação que conta os últimos momente de vida de Neda.



domingo, 14 de fevereiro de 2010

Entrevista com Joe Sacco

Este vídeo foi publicado pelo The Comics Reporter. Uma excelente entrevista com Joe Sacco. Confira:

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Jornalismo e Quadrinhos - parte II

A linguagem dos quadrinhos começa lentamente a romper, no Brasil, os limites pré-estabelecidos das tirinhas e das resenhas de lançamentos. Artistas e editores têm feito experiências ainda bastante restritas, mas significativas, de fusão entre os quadrinhos e a narrativa jornalística. As três experiências mais significativas registradas até hoje aconteceram no jornal A Tarde (BA), no Correio Braziliense (DF) e na Folha de S.Paulo (que recentemente publicou reportagens de Joe Sacco).

O jornal A Tarde publicou em novembro de 2007 uma longa reportagem sobre o movimento estudantil na Bahia. O trabalho realizado por Leandro Silveira, Caio Coutinho e Fábio Franco foi criado originalmente como um projeto de conclusão de curso no Centro Universitário da Bahia. As notícias sobre o projeto chegaram até o jornalista Ricardo Mendes, professor universitário e diretor de conteúdo do A Tarde, que decidiu publicar a história. Em entrevista ao site Comunique-se, a editora do Caderno Dez (onde a reportagem em quadrinhos foi publicada) comenta: “O jornal já vinha experimentando outras linguagens, incluindo duas reportagens em quadrinhos, uma sobre o caso Madeleine e outra sobre o dia de Cosme e Damião. Mas eram histórias de uma página".

A primeira parte da reportagem “Vamos à Guerra: mocidade baiana exige entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial”, relembra as manifestações de rua de 1942, pela adesão do Brasil à Guerra contra o Nazismo. A segunda parte “Do palco para as ruas: uma história de estudantes”, fala sobre a greve de estudantes logo após o golpe de 1964. “Reconstrução e Quebra-Quebra” trata sobre o congresso da UNE realizado em Salvador, em 1979. E o último capítulo da série “Estudantes do Novo Milênio”, relembra os movimentos populares em favor da cassação do Todo-Poderoso Antônio Carlos Magalhães.

Ao site Comunique-se os estudantes contam que tiveram de fazer uma grande pesquisa histórica para reconstituir cenários e figurinos. Para concluir o trabalho, três desenhistas, Franklin Mendes, Rodolfo Troll e Thiago Durães, e um designer, José Roberto Almeida, foram contratados para ilustração e direção de arte. “É tudo um grande trabalho de equipe. Se o jornalista sabe desenhar, melhor. Se não, trabalha em conjunto”, afirma Silveira.

Veja a primeira parte da série:

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Correio Braziliense

Em novembro de 2009 o principal jornal de Brasília trouxe uma série de reportagens sobre o crescimento do tráfico de Crack na capital e em outras diferentes regiões do país. O ponto alto da série foi a publicação de uma página em quadrinhos que conta a visita da repórter Samanta Sallum ao Morro de Santa Teresa, em Porto Alegre. O local, chamado de Chapaquistão é dominado pelo tráfico. Mas é lá também que se encontra uma das principais vozes de resistência contra o crime organizado e o tráfico de drogas na capital gaúcha: Manoel Soares, presidente da Associação de Moradores e conselheiro nacional da Central Única das Favelas (CUFA).


Samanta queria mostrar como era a vida dentro de uma área dominada pela violência e pelas drogas. Mas seria impensável subir o morro com máquina fotográfica ou gravador. A única forma de registrar a visita seria através de seus olhos e sua memória... Mas, como passar ao leitor a sensação de medo e perigo que ela havia experimentado no Chapaquistão. E como fazer isso sem expor a identidade das pessoas que ela encontrou no caminho? A saída foi fazer uma reportagem em quadrinhos com o apoio de ilustrador e quadrinista Kleber Salles. Kleber já é conhecido nacionalmente por outros trabalhos publicados na revista Ragu ou pela sua versão para o conto “A Cartomante”, de Machado de Assis publicado no “Domínio Público”.

O trabalho de Samanta Sallum e Kleber Salles é inovador e pioneiro. Diferente da reportagem publicada em 2007 no jornal A Tarde (que tinha caráter de pesquisa histórica), a página publicada no Correio Braziliense traz a linguagem dos quadrinhos para o cotidiano do jornal. Uma história vibrante, real e impactante.

O Resultado é de excelente qualidade. O texto de Samanta está em perfeita sintonia com a dinâmica narrativa de Kleber. Em apenas uma página o leitor consegue sentir o clima asfixiante que a repórter viveu ao subir o morro e encontrar-se pessoalmente com os líderes do tráfico. A frustração foi o tamanho que a reportagem ocupou. Ficou um indisfarçável sentimento de “quero mais”.

Jornalismo e Quadrinhos - parte I

O jornalismo impresso está fazendo uma volta ao passado. Com os recursos técnicos disponíveis hoje, faz cada vez mais sentido um regresso às origens, à velha reportagem. Na Internet sobra informação e falta qualidade. Na era digital, desenhar a realidade, mais do que nunca voltou a fazer sentido. Joe Sacco foi um dos pioneiros deste novo jornalismo em forma de comic, um repórter que conta histórias através de desenhos.

Ele, no entanto, não é o único. Em todo o mundo estão acontecendo simultaneamente experiências que usam os quadrinhos como nova estrutura narrativa para o jornalismo. O jornalismo em quadrinhos é um gênero com novas fronteiras, que busca novos caminhos. A revista francesa XXI é um exemplo. De circulação trimestral, a revista dirigida pelo jornalista Patrick de Saint-Exupéry tem se destacado pelo uso de reportagens em quadrinhos desde sua primeira edição. Em outubro, o oitavo número da revista traz uma reportagem de Emmanuel Guibert (conhecido no Brasil pela trilogia “O Fotógrafo”). Nas edições anteriores já houve a presença de grandes nomes como: Jean Philippe Stassen, Jean Harambat, Maximilien Le Roy entre outros.

Esta é apenas uma das experiências. Nos Estados Unidos, o chargista do Herald Tribune, Patrick Chappatte, decidiu viajar a Gaza após os conflitos em janeiro deste ano. Em lugar de caricaturas, ele concebeu uma reportagem em quadrinhos com suas impressões sobre tudo o que viu e ouviu. Seu objetivo era: “Narrar os sofrimentos dos que não podem fazer nada: os civis”.

Enquanto isso, o Canadense Guy Delisle transforma em grandes livros-reportagem as suas viagens pela Ásia: Shenzhen, Pyongyang e Birmânia. Extraordinários retratos dos confins da Ásia.

No Festival de Angoulome (maior e mais importante festival de quadrinhos da França) a qualidade e o número de reportagens sobre o Afeganistão quase obrigava a organização do evento a criar uma categoria específica para os quadrinhos com histórias sobre o país. Os trabalhos de Nicolas Wild e Ted Rall são uma prova disso.

O veterano Joe Kubert, um dos maiores expoentes do comics nos Estados Unidos também incursionou pelo gênero. Em 1996 Kubert lançou o livro “Fax from Sarajevo”, onde conta a saga do amigo Ervin Rustemagic durante os ataques sérvios a Sarajevo (na Bósnia Herzegovina). Rustemagić e sua família perderam tudo o que tinham e passaram dois anos e meio vivendo em um prédio em ruínas, comunicando-se com amigos no exterior através de um fax, quando podiam. Com esse trabalho, Kubert conquistou o Eisner Award e o Harvey Award, as duas maiores premiações dos quadrinhos nos Estados Unidos.

Em 2008, as terríveis histórias que se seguiram ao enorme terremoto de 8 graus na escala Richter foram contadas de uma forma inédita e chocante. O artista chinês Coco Wang surpreendeu o mundo com uma série de histórias de vítimas da catástrofe. A surpresa foi ainda maior porque o mundo inteiro sabe a forma como a ditadura chinesa trata o controle de toda informação sobre o país.
Mais recentemente o site Archcomix, do americano Dan Archer, retratou os incidentes em Honduras por meio de quadrinhos. No mesmo site, em meio a outras histórias, chama a atenção uma reportagem sobre uma denúncia de trabalho escravo em fazendas que vendem produtos para a rede de Fast Food Burger King.

Na Inglaterra o jornal The Guardian publicou reportagens de Joe Sacco sobre o Iraque em 2005 , 2006 e 2007.

Este texto foi construído com informações do site espanhol Entrecomics e do jornal espanhol El País. Em breve vamos abordar as experiências de jornalismo e quadrinhos realizadas no Brasil.