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sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Exploração de ouro atinge comunidade indígena na Guatemala
Extraction!: Comix Reportage - Gold (Guatamala) reportage by Dawn Paley/ comix by Joe Ollmann
O site Archomix publicou nesta semana uma impactante reportagem em quadrinhos sobre o trágico tratamento que comunidades indígenas na Guatemala receberam da empresa mineradora canadense Goldcorp: aumento da mortalidade infantil, alastramento de problemas de saúde e uma série de outros dramas decorrentes da atividade da empresa em minas de ouro.
A mineradora tem concessão de exploração em extensas porções de terra do país de apenas 108 mil quilômetros quadrados. Os tratados comerciais - segundo os movimentos sociais guatemaltecos - aviltam o país. O resultado é um país com um milhão de habitantes em extrema pobreza e três milhões em situação de pobreza. Em algumas cidades, até 49% das crianças com até cinco anos sofrem de desnutrição crônica.
Em 2010, líderes indígenas da Guatemala exigiram o encerramento de uma mina de ouro, em San Marcos. A GoldCorp foi acusada de contaminar os rios, degradar o ambiente e de estar na origem de conflitos de terra. Crisanta Pérez, líder indígena, denunciou a utilização de explosivos e constante passagem de veículos pesados, que danificaram cerca de 140 casas. Dezenas de moradores locais sofrem de problemas cutâneos e gastrointestinais. Análises ao sangue revelaram a presença de substâncias fortes no organismo de muitos deles.
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Crônicas de Jerusalém
O jornal francês Le Monde publicou, em primeira mão, 30 páginas do novo livro do artista canadense Guy Delisle. O quadrinista que já é conhecido no Brasil, onde já teve três trabalhos lançados, está preparando para novembro a estréia na França do seu mais novo projeto: ´´Crônicas de Jerusalém´´.
Os trabalhos de Delisle são relatos das viagens feitas pelo artista por países exóticos, como: Birmânia, Coreia do Norte e China. O artista tem viajado para produzir filmes de animação em países onde o custo de produção é mais baixo ou acompanhado a esposa - uma médica da organização Médicos sem Fronteiras - em suas viagens de campanha. Delisle não tem a pretensão de fazer um trabalho jornalístico. Suas histórias são elaboradas com muito bom humor e tentam revelar o cotidiano da vida de cidades que estão fora dos roteiros turísticos. Acesse o blog ´´Um canadense errante na Terra Santa´´ para saber mais sobre o projeto e visite as páginas do Le Monde para ler o primeiro capítulo do do livro.
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Artistas espanhois se unem e lançam quadrinhos sobre o movimento de estudantes
Um grupo de artistas espanhois, de diferentes cidades do país, acaba de lançar um livro que reúne ensaios e quadrinhos que relatam o movimento de estudantes nas praças da Espanha para protestar contra a crise econômica que atingiu o país. "Yes, we camp!" faz uma óbvia brincadeira com o slogan de campanha do presidente americano, Barack Obama, e lembra os acampamentos que tomaram conta de espaços como a Porta do Sol, em Madri.
O Dia 15 de maio ficou marcado como o dia em que os jovens espanhois saíram às ruas para exigir democracia, emprego, educação... Os protestos se espalharam rapidamente graças às redes sociais, em especial o Twitter. Em três dias o movimento já ocupava praças em Málaga, Granada, Barcelona e Tenerife.
Os cidadãos organizaram-se eficientemente em comités que se dedicavam a questões legais, de comunicação, limpeza, comida, saúde e até música. Foi levada tanta comida para os acampamentos que os organizadores tiveram de encontrar uma forma de armazená-la.
O site espanhol Dibbuks colocou para livre acesso na internet o livro que transformou os protestos do 15 de Maio em uma grande reportagem em quadrinhos, por diferentes autores.
O livro está disponível na íntegra. No prefácio, os autores (desenhistas e escritores) disseram sentir uma responsabilidade e uma oportunidade únicas. Por isso abriram mão de direitos e manifestaram o desejo de que o projeto ganhe o mundo... Ao final, fazer um mundo melhor é algo com o que estamos todos de acordo. O trabalho é para ser impresso, lido e compartilhado... Um documento denso, atual, dinâmico... Passem adiante... Imprescindível.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Marjane Satrapi lança novo projeto na tela grande
A artista iraniana, Marjane Satrapi está lançando na Europa a segunda adaptação de um comic book seu para cinema. O livro "Frango com Ameixa" já lançado no Brasil pela Companhia das Letras será adaptado para o cinema. Desta vez a artista vai usar imagens reais, com atores e não animação, como em seu primeiro projeto: "Persépolis", que chegou a concorrer ao Oscar de melhor animação e ganhou o Prêmio do Juri em Cannes e dois prêmios Cesars. O novo filme de Marjane tem com atores os renomados: Isabella Rossellini, Mathieu Amalric, Maria de Medeiros, Chiara Mastroiani e Golshifteh Farahani.
O filme conta a história de um tio de Marjane - Nasser Ali - artista célebre no Irã e um virtuose na arte de tocar um antigo instrumento de cordas da tradição persa. Durante uma briga, sua esposa quebra o instrumento e Nasser sai em busca de um novo que consiga o som tão perfeito que ele conseguia obter do antigo instrumento. Em sua busca ele vai revisitando sua própria vida e suas escolhas... Ao final, como se ele proprio tivesse sido partido e não o instrumento, Nasser decide morrer.
A fita está sendo recebida de forma muito positiva na Europa... é esperar para conferir
Reproduzo abaixo a entrevista que a artista concedeu ao site espanhol Público. Na entrevista Marjane Satrapi fala sobre a experiência de produzir seu novo livro e sobre sua relação com seu país que não visita há 12 anos com receio de retaliações políticas e religiosas.
Quando deixamos de Experimentar Prazer, estamos mortos
Tras el éxito de Persépolis, adaptación cinematográfica del volumen donde relataba su juventud en Irán, Marjane Satrapi regresa con Pollo con ciruelas, otro proyecto inspirado en uno de sus cómics. Pero Satrapi apuesta esta vez por dejar atrás la animación y se adentra en la acción real de la mano de un reparto de lujo. Lo encabeza el francés Mathieu Amalric en el papel de un desconsolado músico iraní de los cincuenta que ha perdido el apetito por la vida. Encadenando cigarrillos en su atelier parisino, Satrapi conversó con Público sobre la película a pocos días de su presentación en la Mostra de Venecia, donde a partir del miércoles competirá por el León de Oro contra directores del prestigio de Roman Polanski y David Cronenberg.
¿Por qué cree que Irán ocupa un lugar tan destacado en su obra?
Porque echo mucho de menos a mi país. Hace 12 años que no puedo volver, porque me arriesgo a que me pasen ciertas cosas. Irán es un poco como el sonido del violín roto en Pollo con ciruelas.
Tras el éxito de Persépolis, adaptación cinematográfica del volumen donde relataba su juventud en Irán, Marjane Satrapi regresa con Pollo con ciruelas, otro proyecto inspirado en uno de sus cómics. Pero Satrapi apuesta esta vez por dejar atrás la animación y se adentra en la acción real de la mano de un reparto de lujo. Lo encabeza el francés Mathieu Amalric en el papel de un desconsolado músico iraní de los cincuenta que ha perdido el apetito por la vida. Encadenando cigarrillos en su atelier parisino, Satrapi conversó con Público sobre la película a pocos días de su presentación en la Mostra de Venecia, donde a partir del miércoles competirá por el León de Oro contra directores del prestigio de Roman Polanski y David Cronenberg.
Contra todo pronóstico, ha cambiado la animación por la acción real. ¿Quería alejarse de terrenos conocidos?
Después
de un fenómeno como Persépolis, todo el mundo quiere que hagas
Persépolis 2. Pero yo soy artista para no tener que hacer siempre lo
mismo. Si no, me habría hecho funcionaria de la Administración. Quiero
preservar la libertad de hacer lo que me venga en gana y poder utilizar
los desafíos como motor creativo. En este caso, el gran reto consistía
en usar un lenguaje que no dominábamos. Pero aprendimos rápido, porque
no somos tontos del todo...
¿No siente la presión de repetir el éxito internacional que supuso su debut?
No
siento ninguna presión, porque me dan igual el éxito y el fracaso. Los
elogios me pueden satisfacer durante un rato, igual que las críticas me
producen cierta amargura, pero en el fondo todo eso importa demasiado.
No trabajo con una perspectiva de inmediatez. Hago las cosas para la
posteridad, para dejar un testimonio. Puede parecer un poco narcisista,
pero todos los artistas somos egocéntricos enfermizos.
Precisamente, la película define la condición de artista como un don extraordinario, pero también una especie de maldición.
La
gran mayoría de artistas somos ultrasensibles, lo que tiene cosas
buenas y malas. Y hay casos aún peores, como el mío, donde todo eso se
acentúa todavía más. Antes de ser artista, yo ya era una persona
bastante excesiva. Es algo que empieza por mi físico y que influye en mi
manera de sentir la alegría y el dolor, siempre en términos muy
exagerados. Siempre he sido como una viuda siciliana. Sé que es muy
pesado para los demás, aunque también lo es para mí misma.
¿Por qué ha cambiado el blanco y negro del cómic por la explosión de magia y colores de la película?
El
realismo ya lo vivo todos los días. Me gusta que el cine permita soñar a
través de la creación de mundos que no existen. Una de mis películas
favoritas sigue siendo El mago de Oz. He querido hacer un melodrama al
estilo de Douglas Sirk, pero con puntos de modernidad e irreverencia. Y
con un discurso de fondo bastante nihilista, con personajes antipáticos,
sin posibilidad de redención y con la muerte como único destino común.
También he evitado los moralejas, porque las odio. En la vida, todo
depende de las circunstancias.
¿Simboliza el personaje de Irâne, amor de juventud perdido, a su propio país, del que tuvo que exiliarse tras la revolución?
No
es casualidad que haya elegido ese nombre. Mi país se encuentra en todo
lo que hago. Al mismo tiempo, no me considero nacionalista. El
nacionalismo es el peor error en el que podemos caer. Sentirse orgulloso
de sus orígenes me parece ridículo. No podemos sentirnos orgullosos de
algo de lo que no somos responsables. Yo creo en una identidad humana
común, sin razas ni jerarquías. Por eso he elegido a actores franceses,
italianos, portugueses y marroquíes [como Chiara Mastroianni, Maria de
Medeiros, Isabella Rossellini o Jamel Debouzze] y les he pedido que
interpreten a iraníes de los años cincuenta. Era un mensaje que me
apetecía transmitir. Quiero hacer un cine sin fronteras.¿Por qué cree que Irán ocupa un lugar tan destacado en su obra?
Porque echo mucho de menos a mi país. Hace 12 años que no puedo volver, porque me arriesgo a que me pasen ciertas cosas. Irán es un poco como el sonido del violín roto en Pollo con ciruelas.
¿Como un recuerdo idealizado que nunca podrá volver a encontrar?
Sí.
Es como la historia de Adán y Eva. Basta que les digan que está
prohibido comer del árbol de la ciencia para que le peguen un mordisco a
la manzana. A mí me sucede lo mismo. Puedo viajar donde me dé la gana,
excepto a Irán. Es lógico que la idea del regreso a Irán cobre
dimensiones desproporcionadas en mi cabeza. No soy propietaria de mi
pasado, así que me veo obligada a volver hacia él a través de mi
trabajo. Además, creo que tendría tendencia a regresar hacia el pasado
incluso sin el exilio. Soy de esas personas convencidas de que cualquier
tiempo pasado fue mejor.
¿Se considera reaccionaria?Sí, muy reaccionaria. Todo eso de internet y los móviles por todas partes no me gusta nada.
¿Qué le podría ocurrir si algún día decide volver a Irán?
No
tengo la menor idea, es el problema. Si por lo menos me dijeran
claramente que me meterán en la cárcel un par de años, me azotarán un
poco con el látigo y luego me dejarán libre, podría decidir si vale la
pena o no correr el riesgo. Me diría: "Venga, mujer, tampoco hay para
tanto. Te pegarán un poquito y luego se habrá acabado todo para
siempre". Pero no se trata de un sistema basado en la ley y el derecho,
así que no sé lo que podría suceder. En cualquier caso, existen razones
para pensar que no me recibirán con la alfombra roja. El cómic no les
importó demasiado, pero desde el estreno de la película he recibido
muchas amenazas y acusaciones absurdas. Por ejemplo, pagaron al Festival
de Bangkok para que no proyectaran Persépolis. Luego intentaron
prohibir la película en el Líbano, vetaron su estreno en Turquía,
impidieron que nos premiaran en Abu Dhabi. ¿Que quién se encuentra
detrás? Pues el Gobierno de Ahmadineyad, no hay duda. Ejerce su presión
siempre que puede.
¿Se dirige la película a un público mas amplio que el del cómic?
No
funciono con esos criterios, pero sí que me interesa hacer un arte
popular. Por eso empecé haciendo cómics y no pintura, y por eso ahora
hago un cine que tiene vocación popular. Nunca trabajaré para un público
de entendidos. Calidad y accesibilidad no tendrían que ser
incompatibles. Me opongo a esos productos tan condescendientes para el
gran público, todas esas comedias con bromas pésimas y esos programas de
televisión tan asquerosos. Me dan mucha pena.
"El humo es el alimento del alma", dice en ‘Pollo con ciruelas'. ¿Por qué se fuma tanto en su película?
Vivimos
una especie de antisemitismo de los fumadores, un ataque permanente a
la libertad individual. Me parece muy mal que el Estado decida qué
tenemos derecho a hacer con nuestros pulmones. Resulta de una gran
hipocresía, como si aire que respiramos o lo que comemos fuera sano. Y
como si no fuéramos a morirnos igualmente. ¿Para qué nos va a servir
tomar zumos de verdura asquerosos y comer cosas al vapor? ¿Para que los
gusanos disfruten de una carne de excelente calidad en nuestro sepulcro?
Yo prefiero que, el día que me muera, mi cadáver esté tan podrido que
ningún bicho se me acerque. Me gustaría que en mi funeral digan cosas
como "Pobre, se marchó tan joven" y no "Joder con la vieja, ya era
hora". En serio, hoy asistimos a una negación del placer. Y, cuando
dejamos de experimentar el placer, estamos muertos. Es lo que he querido
contar en la película.terça-feira, 23 de agosto de 2011
Finalmente, Guerra de Trincheiras chega ao Brasil
Excelente notícia que chega pelo blog Mais Quadrinhos:
A fantástica HQ do artista francês Jacques Tardi - A Guerra das Trincheiras - chega ao Brasil pela editora NEMO.
O Blog Nona Arte já havia feito uma resenha do livro a partir de um exemplar em espanhol ao qual tivemos acesso há oito anos. O livro relata os horrores da Primeira Guerra Mundial, considerada a "mãe" de todas as guerras. Tardi - cujo avô lutou na guerra - tornou-se um especialista no tema, e no ano passado lançou um novo livro sobre o conflito.
Demorou... Agora é conferir: imperdível...
Leia aqui o post sobre o livro já publicado no Nona Arte
terça-feira, 16 de agosto de 2011
A história do Clube da Esquina em quadrinhos
Primeiro foram os dois antológicos álbuns duplos que, na década de 1970, fizeram a cabeça de toda uma geração, batizando o movimento musical mineiro liderado por Milton Nascimento e os irmãos Borges. Depois foi a vez do livro de memórias de Márcio Borges, Os sonhos não envelhecem, seguido da criação do Museu Clube da Esquina, ainda restrito ao espaço virtual mas com sede física já prometida. Agora são os quadrinhos: Histórias do Clube da Esquina, de Laudo Ferreira e Omar Viñole, cujo livro-gibi será oficialmente lançado em São Paulo (dia 29), seguido de Belo Horizonte (7 de setembro).
Em 2009, o movimento já havia sido alvo de uma oficina de quadrinhos, ministrada por Lucas Rodrigues no Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana (Fórum das Artes). A experiência inédita resultaria em um gibi de 12 páginas, com ilustrações de Mateus Marx e arte-final de Dinho Bento, distribuído gratuitamente no evento. A próxima iniciativa envolvendo o Clube da Esquina, que projetou Minas Gerais internacionalmente, provavelmente será um filme de longa-metragem, inspirado no livro do letrista Márcio Borges, cujo roteiro ainda tem autoria, direção e produção disputadas.
“Eu não sou o dono dessa história. O meu livro é apenas uma das vozes dela, que pertence a todos os personagens envolvidos”, desconversa Márcio, que desde a publicação de Os sonhos não envelhecem – Histórias do Clube da Esquina, se tornou porta-voz da turma, liderada, na verdade, por Milton Nascimento, desde que chegou a Belo Horizonte, na década de 1960, vindo de Três Pontas (Sul de Minas). Inspiradas em parte, na obra memorialística que conta a história da turma, acrescida de informações contidas em entrevistas dos artistas para o Museu Clube da Esquina e outras, a HQ do clube veio à tona, inicialmente, no site www.museuclubedaesquina.org.br.
Agora, finalmente, ela chega ao livro-gibi, que poderá ser adquirido em livrarias. Dos célebres encontros musicais na esquina das ruas Paraisópolis com Divinópolis, em Santa Tereza, à visita de Milton Nascimento à tribo ashaninka, na Amazônia, passando pelos bailes de Três Pontas, as viagens da turma no jipe Manoel, o audaz (um Land Rover 1951), de Fernando Brant, os encontros na casa dos Borges (dona Maricota e seu Salomão, que receberam Milton como o 12º filho) e a censura às canções do disco Milagre dos peixes, tudo foi historicamente contextualizado pelo desenhista paulista Laudo Ferreira em Histórias do Clube da Esquina, cuja arte-final e colorido são do também paulista Omar Viñole. A tiragem inicial da HQ é de 3 mil exemplares, mil deles repassadas ao Museu Clube da Esquina como forma do pagamento de direitos autorais.
Pesquisa
“O clube é uma paixão antiga”, diz Laudo Ferreira, que com projeto de levar para a HQ passagens históricas da MPB, como as do Clube da Esquina e Secos & Molhados, além da do disco-show Falso brilhante, de Elis Regina, acabou tendo acesso à turma de Minas pelo vizinho Juvenal Pereira, autor das antológicas fotografias da turma em companhia do então presidente JK, nas ruas de Diamantina, em plena década de 1970. O livro de Márcio Borges, segundo o desenhista, foi a base para a criação da HQ. “Mas também li os depoimentos de todos os integrantes do clube para o museu virtual, além de livros como Palavras musicais, de Paulo Vilara, de onde tirei, por exemplo, a fala de Fernando Brant sobre Milagre dos peixes”, recorda o desenhista.
Na opinião de Laudo, o movimento musical mineiro tem conteúdo para render novas publicações do gênero. “Há membros importantes, como Tavinho Moura, por exemplo, que acabou restrito às últimas páginas desta primeira publicação. Tavinho traz algo bem mineiro, rural. Ele é violeiro”, ressalta, admitindo que um segundo volume poderá ter o compositor como um dos protagonistas da HQ. Para Laudo Ferreira, apesar de personagens altamente desenháveis, como Milton Nascimento, ele preferiu trabalhar dentro de uma perspectiva que não se preocupava em fazer uma caricatura de cada um, que o leitor olhasse e imediatamente reconhecesse o personagem.
“A minha preocupação era com algo que remetesse a eles, para não atrapalhar a narrativa, embora tenha me baseado em fatos”, reconhece o desenhista. Duas passagens têm destaque especial para ele. “A última história do livro, sobre o índio Benke, homenageado por Bituca no disco Txai, que não está contada em lugar nenhum, me foi enviada pelo Márcio, por e-mail. Assim como a que narra a passagem da turma do Clube da Esquina pela Sentinela, nos arredores de Diamantina, onde um coro de sapos transformou o encontro com Bituca, à base de voz e violão, em uma verdadeira sinfonia”.
Autor da série de três livros Yeshuah, sobre a vida de Jesus Cristo, recentemente Laudo lançou uma adaptação de o Auto da barca do inferno, de Gil Vicente, para HQ. No trabalho sobre o clube ele cita 17 canções, além de personagens marcantes, como Olympia Angélica de Almeida Cotta (a célebre dona Olympia, de Ouro Preto, conhecida como a primeira hippie do Brasil), Clementina de Jesus (que gravou a parte não censurada de Escravos de Jó, no disco Milagre dos peixes) e o percussionista Naná Vasconcellos, responsável pelo clima mágico do mesmo disco.
(Notícia publicada originalmente no Site UAI)
Psiquiatra forense usa experiência para analisar vilões de quadrinhos
O universo dos quadrinhos é recheado das figuras mais estranhas e bizarras, com vilões metamorfos, alienígenas, simbióticos, mecanos ou puramente insanos, como é o caso do Curinga, talvez a melhor referência quando se fala em nêmesis para heróis.
O Dr. K. Vasilis Pozios é um renomado psiquiatra forense e voraz consumidor de histórias em quadrinhos de super-heróis. Agora, ele passou a aplicar sua experiência à análise de vilões de quadrinhos, com especial enfoque no grande ícone Curinga.
O personagem é, de fato, uma das figuras mais intrigantes dos quadrinhos de heróis. A despeito da forma caricatural como foi apresentado ao grande público com a interpretação de Cesar Romero, na clássica série de TV (que, vale lembrar, sabia destruir igualmente os heróis) e do desprezo com que Jack Nicholson deu vida ao patético Batman de Tim Burton nos cinemas, em 1989, o Curinga sempre foi marcado por uma cruel insanidade amoral.
Na saga em quadrinhos, há momentos memoráveis, como em Piada Mortal, que explica a origem da loucura do artista perdedor e como ele passa a enxergar o mundo como uma grande piada (e não necessariamente engraçada), ou quando ele elimina sadicamente o terceiro Robin, Jason Todd (a pedidos do público, alias, que votou pela morte do herói).
Foi em O Cavaleiro das Trevas que Frank Miller finalmente deu a devida atenção à loucura do criminoso e sua relação de interdependência com o Homem-Morcego, herói que também já teve a sanidade questionada em várias oportunidades. Em Asilo Arkham, por exemplo, o justiceiro admite ter medo de entrar no sanatório e “sentir-se em casa”.
Foi juntando estes perfis de personagens que o Dr. Pozios lançou a opinião de que Batman é, no mínimo, insensível com a patologia do famigerado Curinga. Ele ainda afirma que, na maioria das vezes, a terminologia utilizada para descrever o comportamento errático do bandido está totalmente equivocada. Para ele, uma pessoa psicótica sofrerá os sintomas de psicose, como distúrbio mental, alucinações auditivas, visuais ou ter pensamentos delirantes. “Na grande maioria das descrições, o Coringa não está com esses sintomas, mas sim, com os de psicopatia”, afirma o médico, de acordo com nota do site The Huffington Post.
Não é a primeira vez que o fã de quadrinhos volta seu cabedal cultural para a psique dos personagens. Na Comic-Con de 2010, realizada em San Diego, Pozios apresentou, ao lado dos especialistas Dr. H. Eric Bender e Dr. Praveen R. Kambam, uma palestra delineando os distúrbios sofridos por heróis como Spiderman e Batman, os quais, segundo o trio, apresentam também problemas mentais super desenvolvidos.
O Nona Arte já havia publicado aqui um post sobre um trabalho desenvolvido por um psiquiatra espanhol, também fã de quadrinhos, que havia feito um diagnóstico para o Homem Morcego: transtorno de estresse pós-traumático
Matéria publicada originalmente no site Huff Post
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Cadernos do Sol
O artista espanhol Enrique Flores produziu um amplo registro em quadrinhos sobre o movimentos de estudantes em diferentes cidades da Espanha que protestavam, no inicio de 2011, contra a crise econômica que atingiu diversos países da Europa; em especial: Grécia, Portugal e Espanha.
O resultado deste trabalho pode ser conferido no link abaixo... Um excelente documento que mostra como os quadrinhos podem ser um meio rápido e eficiente de registro do cotidiano da sociedade. Enrique Flores conviveu durante 28 dias com os estudantes na praça e narra o dia-dia dos manifestantes em busca de comida e higiene, a organização das atividades dentro do acampamento, as noites dormindo a céu aberto sob o olhar vigilante da Política... O nome do projeto "Cadernos do Sol" é uma referência a uma das principais praças de Madri (a Praça do Sol), onde os estudantes acamparam por semanas seguidas.
O resultado deste trabalho pode ser conferido no link abaixo... Um excelente documento que mostra como os quadrinhos podem ser um meio rápido e eficiente de registro do cotidiano da sociedade. Enrique Flores conviveu durante 28 dias com os estudantes na praça e narra o dia-dia dos manifestantes em busca de comida e higiene, a organização das atividades dentro do acampamento, as noites dormindo a céu aberto sob o olhar vigilante da Política... O nome do projeto "Cadernos do Sol" é uma referência a uma das principais praças de Madri (a Praça do Sol), onde os estudantes acamparam por semanas seguidas.
domingo, 17 de julho de 2011
Serge Gainsbourg segundo Joann Sfar
Confiram uma entrevista com o quadrinista francês Joann Sfar realizada pelo site espanhol Entrecomics.Sfar é autor de trabalhos fantásticos, entre eles o clássico "O gato do rabino" já comentado aqui no Nona Arte. O artista francês tornou-se uma das figuras mais comentadas nos últimos meses. Não por causa dos seus quadrinhos, mas pelo filme que ele dirigiu sobre o cantor francês Serge Gainsbourg.
Entrecomics: ¿Qué es lo que le ha parecido más atractivo de la figura de Gainsbourg?
Para mí, filmar a Brigitte Bardot. (Risas). Lo digo para reír, pero el trabajo ha durado tres años, tratando de hacer algo sutil, poético, pero cuando me encuentro fuera de Francia me parece que el símbolo de la película y quizá de la vida de Gainsbourg, es el tío que ha vivido tres meses con Brigitte Bardot, que no es el centro de su vida, pero desde un punto de vista simbólico es el tío que se siente muy feo, que se odia a sí mismo… Y me parece un símbolo muy interesante, seducir a este símbolo que no es solamente la mujer más bella del universo, sino que es el símbolo de Francia. Y me parece que Gainsbourg trata de ser amado por su país. Su lucha es esa. Tratar de ser, si no amado, ser visto, y hacer cantidad de provocaciones, de tonterías, de todo eso, porque le gusta que la gente hable de él, le vean, le miren.
Además, quizá la familia de Gainsbourg ha accedido a mi proyecto porque no fue un clásico biopic, sino un musical. Mi referencia en la película no son los biopics de Ray Charles o de Johnny Cash, sino la película Un americano en París. Me parece que es volver a todos los clichés sobre las historias de donjuanes enamorados en Francia y ver cómo se puede hacer ese tipo de historia hoy en día. Quizá la información interesante es que es una película sobre Francia, sobre un artista francés, pero parte del dinero de la película viene de Universal. Es decir, que es interesante ver que fue más fácil encontrar dinero para una película sobre Gainsbourg en América, y por eso he trabajado sobre clichés franceses, y el París que se ve en la película es el de la edad de oro de la canción y todo eso pero es un París para turistas americanos y japoneses. Y me gusta muchísimo trabajar con eso, con un poco de ironía, pero también con tristeza, también con la idea de que Francia ya no es lo que fue en los años cincuenta. No hay nostalgia en mi trabajo, pero hay una conciencia muy fuerte de que son mitos modernos y quizás nos podemos preguntar cómo podemos construir hoy día mitos europeos. Me parece que cada país europeo no puede construir eso hoy en día, y se puede pensar quizá en hacerlo de manera europea, no de manera nacional.
Entrecomics: Los actores en la película cantan, actúan, Eric Elmosnino incluso toca… ¿fue muy difícil encontrarlos, dar con el actor que encarne al personaje? Porque además se parece físicamente, incluso.
Yo nunca había visto un actor antes, es mi primera película, y por eso he empleado un montón de tiempo para el casting y para ensayar. Hemos tenido cinco meses para trabajar en cada escena de la película antes del rodaje. No me gusta la idea de decir que dirijo a un actor. Me gusta la idea de decir que estudiamos juntos el guión. Por eso a Eric [Elmosnino], que no viene del cine, viene del teatro, le gusta trabajar, le gusta construir y le gusta saber que se necesita tiempo para encontrar al personaje, mientras que en el cine los actores trabajan mucho más a través del instinto, la sorpresa, cosas así… que existen también en el trabajo de Eric, pero para que la sorpresa sea muy fuerte, se necesita un montón de trabajo. Y para aprender cómo cantar, como ser el personaje.
Entrecomics: Me gustaría saber cómo te ha ayudado ser autor de cómic a la hora de hacer la película, pero también si en algún momento para ti ha sido una desventaja.
Sí. Seguro. Seguro. Porque la gente te va a buscar porque has hecho cómic que han “viajado” muy bien, porque el cine francés no es fácil de exportar, pero los cómics se venden muy bien. Y parece fácil, porque tú cuentas una historia en forma de cómic que vas a convertir en película, pero la verdad es que es un problema, porque no es solo hacer una película, sino que hay que ligar todo mi universo visual a una película, y la primera cosa es que sabes que va a ser muy caro. No he tenido tanto dinero para hacer la película Gainsbourg, que cuesta 13 millones de euros… que es mucho, pero no es tanto. Lucky Luke cuesta tres veces eso. Además, el modo de escribir para el cómic es muy diferente del cine. La verdad es que no sé cómo escribir una película, estoy aprendiendo, me parece que hay un montón de cosas en Gainsbourg que podrían ser mejores si hubiera tenido más experiencia. Pero no quiero que un maestro de guión me explique cómo hacerlo. Quiero aprender por mí mismo. Es decir, que en mi percepción, el cómic me impide hacer una buena película, pero el dibujo ayuda, porque no conozco cualquier tema técnico del cine y con acuarelas, con dibujo, puedo trabajar en cada vestido, cada decorado, cada imagen. No conozco los nombres de los distintos planos del cine, pero yo sé precisamente lo que quiero en cada imagen. Hemos trabajado con gente que trabaja en el cine desde hace veinte o treinta años, y ven a un capullo como yo que viene para dirigir (risas)… Si pretendo ser el director, va a ser el infierno, pero desde el primer día se dan cuenta de que soy un artesano, como ellos, tengo el hábito de trabajar con mis manos, y en vez de hablar dibujo. Y eso es una gran ayuda, porque es un equipo, verdaderamente hay un equipo fenomenal en la película y es un trabajo de artesanos. Al principio yo pensaba que iba a ser difícil con la cámara, pero la verdad es que también es difícil con la ropa, con el decorado, con el pelo, con todo eso, y el dibujo ayuda de manera maravillosa.
Entrecomics: Yo le quería preguntar justamente eso. El cómic es un arte muy íntimo, al fin y al cabo es un hombre enfrentado a una mesa con un papel, y de pronto tener que coger a cien personas…
Cuatrocientas. (Risas)
Entrecomics: Cuatrocientas personas y tener que orquestarlas para sacar lo que quieres. ¿Eso cómo lo has vivido? Es muy complicado.
No, eso son buenas noticias. Porque habitualmente cuando haces un libro, estás solo. Vives un infierno y llevas el infierno a tu esposa y a tus niños y solo recibes amor del público cuando la obra está terminada. Mientras que en un equipo de cine, cada idea que te viene tienes que decírsela al equipo y hay una reacción siempre, siempre, siempre. Es como si pudiera hablar al público siempre y eso me gusta muchísimo. Me parece que fue lo mismo con Eric, con el actor, que tiene el hábito del teatro. Un día me dijo, “¿Sabes? No me interesa tu cámara. Yo interpreto para el equipo técnico.” Y eso me gusta muchísimo, porque hay amor siempre, y algo muy familiar, porque hemos tenido cinco meses de preparación y cuatro meses de rodaje. Es decir, un montón de tiempo juntos. Y a mí me gusta muchísimo tener gente a mi alrededor.
Entrecomics: ¿Qué es lo que más te gusta? ¿Dibujar, dirigir…?
Dibujo siempre. Dibujo tanto para una película como para un cómic. La verdad es que me parece que con mi modo de trabajar, necesito al principio hacer dibujos. Es decir, antes de la película he hecho un cómic sobre Gainsbourg. Lo he publicado cuando la película estaba terminada, pero lo hice antes, porque necesito dibujar al principio y después enseñar mis ideas a la gente. En el futuro me gustaría hacer las dos cosas. Es decir, inventar una historia en forma de cómic y después pensar cómo se puede llevar eso al cine.
Entrecomics: En gran parte de tu obra son importantes el sexo, el amor, el alcohol, una visión hedonista de la vida, y me parece que puede haber bastantes similitudes por ejemplo entre tu personaje Pascin y Gainsbourg. ¿Puede ser así?
Es el mismo personaje. Es exactamente el mismo personaje. Es un pintor judío que viene o de Rusia o de Bulgaria, depende del personaje, pero es lo mismo, que se siente muy mortificado, muy triste, y que solo encuentra felicidad en los brazos de mujeres, que se comporta como un Don Juan, que es un cliché muy viejo. Que es muy misógino, pero que es muy frágil, y las mujeres alrededor de él tienen tanta personalidad… Y es también el cliché del pintor y la modelo que trata de estudiar. Me gusta muchísimo este tipo de personaje. Su religión es su arte, y es muy materialista, pero también busca algo.
Entrecomics: Comentó antes que quizá la familia Gainsbourg había aceptado el proyecto porque era un musical. ¿Ha tenido relación con la familia Gainsbourg para hacer la película? ¿Qué opinan ellos del resultado final?
Sí. Al principio yo quería que Charlotte [Gainsbourg] fuera su padre en la película. Hemos trabajado durante seis meses para ello y un día Charlotte se despertó y me dijo “Estás loco, y yo también. No voy a hacer eso porque es demasiado dolor.” Charlotte y Jane [Birkin] me dijeron, “Tienes que hacer esta película porque a Serge le gusta ser famoso. Le gusta ser muy conocido. Pero nosotras no podemos ver tu trabajo porque nos da miedo y es difícil ver a Serge.” Es decir, que han autorizado todo, me han dado las músicas, pero no quieren ver la película. La que ha visto la película, me parece, es Brigitte Bardot, y me parece que le gusta muchísimo que haya hecho Laetitia Casta su papel (risas) y son amigas. Lo que me da pena es que han hablado muchísimo por teléfono y Brigitte Bardot ha contado un montón de secretos sexuales de su vida a Laetitia Casta, y Laetitia Casta no quiere decírmelos (risas).
Entrecomis: Es una señora educada.
¡Pero yo no! (risas)
Entrecomics: Yo quería preguntar que por qué Gainsbourg. Porque he leído que es uan figura, un personaje, que te ha marcado a ti y que has seguido durante mucho tiempo…
No solo a mí, la verdad es que en Francia, cuando yo era joven, la televisión era aborrecible, no lo puedes imaginar, y sólo había un tío que se comporta como los Sex Pistols, que llega totalmente borracho, que trata de, no sé, como habla Withney Huston, no puedes imaginar (risas). Y te hace reír tanto cuando eres pequeño, y despuñes descubres que el tío es interesante, que tiene una historia… pero lo que me gusta es la figura del sátiro. El tío que es como los Hermanos Marx, ¿sabes? Y me gusta mucho este tipo de personaje. Cuando eres un niño, es el tío que te da ganas de crecer, de hacerte grande, “¡Oh, va a ser muy interesante ser un adulto!” La verdad es que no (risas)… Me gustan las figuras provocativas y que te dan ganas de crecer.
Entrecomics: Yo no he visto todavía la película, pero dices que es un musical, y luego tienes cómics como Klezmer u otros donde la música también es muy importante. Querría saber qué es la música para ti y cómo la relacionas con el cine y sobre todo con el cómic, si crees que hay alguna relación entre música y cómic.
Ese es el punto común de todos mis dibujantes preferidos: Quentin Blake, Sempé, Blutch… Todos ellos tratan de hacer música en un dibujo. Por supuesto que es imposible, pero puedes construir un dibujo pensando en cómo se construye una música de jazz, con improvisación, con cosas así, y para mí es como Star Trek, es Final frontier, la música. Y hacer una película no tiene que ver con el movimiento, porque movimiento también hay en el tebeo, tiene que ver con la música, tiene que ver con el universo sonoro. Mi película musical preferida es The last show, de Robert Alman, porque nunca sacrifica la música por la interpretación y nunca sacrifica la interpretación por la música, y hemos tratado con Gainsbourg en ir por ese camino, es decir, es un musical, pero la historia no se para para que haga una canción. Me gustaría que la canción ayudase también a la historia y es interesante explorar todo eso.
También está la cuestión de cómo se puede filmar el erotismo, porque mis cómic pueden ser muy crudos, muy pornográficos a veces, y me doy cuenta de que en cine no quiero hacer eso. Quiero hacer un cine muy fetichista, muy púdico pero perverso. Como en Buñuel, como en Fellini, como en Alfred Hitchcock. Es decir, no vas a ver las tetas de Laetitia Casta, no es sugerir para ver eso, pero me gustaría que la gente se enamorase de ella, y hay un montón de fetichismo, erotomanía y perversión en mi modo de filmar, no solo de pudor.
Entrecomics: Ha hablado de varios directores de cine ahora. Le voy a preguntar qué directores de cine le gustan, cuáles son sus influencias.
Me gusta muchísimo el cine de tíos como Kurosawa, Buñuel, Fellini… Por eso los métodos de guión no me pueden ayudar, porque el cine que me gusta es un cine de sueño, como lo que hace Miyazaki también. Mi problema es que quiero hacer un cine como Guillermo del Toro, como Tim Burton, y te puedes preguntar dónde está el dinero para hacer eso en Europa (risas). Por eso tengo un montón de amigos en América (risas) y me gustaría seguir con la gente de Universal porque solo ellos tienen el dinero para hacer ese tipo de película. Lo difícil es hacer una película fuerte visualmente pero que no tenga una historia tonta, ¿sabes? Me gustaría hacer una película como Where the wild things are. Me gusta más eso que el tema digital. Hay cosas digitales en ella, pero hechas a su manera. Y me gustaría en el futuro hacer coproducciones europeas, porque es el único modo de hacer ese tipo de cine en Europa.
Entrecomis: La figura que aparece en la película, el lado oscuro de Gainsbourg, por así decirlo, qué fue más difícil, ¿diseñarlo, introducirlo en la película, o que pareciera natural?
Para mí es natural poner muñecos en todos sitios, porque me gustan los muñecos. Fue muy difícil para el público francés. La película fue un gran éxito en Francia, pero hay un montón de gente que dice, “Oh, es maravilloso Serge Gainsbourg, pero, ¿por qué hay un muñeco?” Sin embargo, cuando me encuentro en Alemania, en España, en Inglaterra, a la gente le gusta mucho más la fantasía. Y fue un placer trabajar con el equipo de Guillermo del Toro, con todos los de Barcelona, David Martí y Montse Ribé, porque les gusta la fantasía, y no fue difícil, fue un placer. Yo hago un dibujo, ellos me mandan una escultura, hago otro dibujo, hay un discusión, después viene Doug Jones de los Estados Unidos, nos ponemos la ropa… ¡solo placer! No es solo una primera película, yo pensaba que podía ser también una última película (risas). Quería poner todo lo que me gusta. ¡Vamos a morir, hay que poner todo en esta película! Es como cuando follas por primera vez, (enumerando con los dedos) “¡Voy a hacer esto, esto, esto!” (Risas)
Entrecomics: Ahora te voy a hacer una pregunta solo relacionada con el cómic, no con Gainsbourg…
Me gusta el cómic, ¿sabes? (Risas)
Entrecomics: Algo he oído… Durante mucho tiempo L’Association ha sido el estandarte de la nouvelle BD, pero parece que el movimiento sido absorbido por las grandes editoriales. ¿Tú crees que ahora mismo existe un cómic independiente en Francia? ¿Qué autores podrían ser los que representan ese cómic independiente?
Ese es un problema que me parece muy grave, que ocurre en América y en Europa también. Yo no empecé en L’Association. Empecé al mismo tiempo en L’Association y en Dargaud y Dupuis y todo eso. En mi percepción, me parece que faltan buenos autores de cómic independiente, porque no hay un buen autor que no encuentre un editor, hay un montón de editoriales, y les gusta publicar cosas. Me parece que si te vas a los Estados Unidos, los mejores cómics hoy en día son de mainstream. No hay un guionista independiente tan potente como Ed Brubaker. Mis historias hablan a todo el mundo, no quiero ser alternativo. Había un milagro en L’Association, que fue seis autores importantes, como David B, Lewis Tronheim, Jean-Christophe Menu y todo eso, que trabajaban juntos para hacer algo. Me parece que Jean-Christophe Menu ha roto el juguete, porque quiere ser él solo, le gusta tanto el movimiento surrealista que quiere ser André Breton. Después se encontrará solo con su editorial y estudiantes que trabajan con él. Dice a todo el mundo, “Tú no eres kosher, tú no eres kosher…” Pero hay libros maravillosos en L’Association. Riad Sattouf, hace cosas… Nine Antico hace álbumes fantásticos… La verdad es que hay un montón de editoriales en Francia, hay un montón de lectores y… tienes razón, faltan autores vanguardistas. Faltamos verdaderamente. Es decir, los tíos dibujan de puta madre, pero a veces no tienen nada que contar. A mí me gusta muchísimo el trabajo de tíos como Daniel Clowes, o como Chris Ware, pero espero el nuevo Chris Ware o el nuevo Daniel Clowes y la verdad es que no lo conozco.
Entrecomics: Ha estado en Valencia, en Cinema Jove. ¿Qué tal la experiencia allí en Valencia, cómo ha estado estos días?
Maravilloso. Yo conocía Valencia por las fallas, ¿sabes? (Risas) Tengo amigos, y aquí fue menos pagano que las fallas, pero la gente es maravillosa, hay un montón de actores, de directores, y el programa del festival me parece maravilloso. Lo pasé muy bien en Valencia.
Entrecomis: Ahora se están dando mucho adaptaciones de cómic al cine. ¿Tiene algún proyecto futuro?
Pues sí. Estoy terminando mi segunda película, que es la adaptación al cine animado de El gato del rabino. Hemos trabajado durante tres años en esta película. Hay 200 animadores. Las imágenes son muy clásicas, porque se parece a las viejas películas de Disney, pero el guión habla mucho de religión, de provocación, de amor y de todo eso, y a ver qué ocurre con esta película. Tratamos de buscar dinero para hacerla en 3D. Si encontramos el dinero lo haremos, si no, la sacaremos de manera tradicional. El 3D me interesa muchísimo, pero es un montón de trabajo, porque si no quieres hacerlo en India, si quieres hacerlo bien, es trabajo de dirección. Es decir, cambiar cada plano para que tenga un sentido.
Entrecomics: ¿Han visto tus amigos autores de cómic Gainsbourg? Y si la han visto, ¿qué te han comentado?
Es muy difícil en mi estudio, porque está Riad Sattouf que ha hecho su película, está Marjane Satrapi que ha hecho su película también… Cada uno quiere hacer su película… “¡La mía va a ser mejor!” (Risas) Es una buena motivación, porque no conozco bien el universo del cine en Francia, no conozco a los otros directores, la única referencia que tengo son mis amigos.
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Liniers entrevista Les Luthiers
O artista argentino apresenta uma criativa entrevista com o grupo vocal argentino Les Luthiers em formato de quadrinhos. Clique aqui para conferir na íntegra
domingo, 10 de julho de 2011
Joe Sacco na Feira do Livro de Paraty
O artista Joe Sacco foi um dos destaques da Feira Internacional do Livro de Paraty. Confira uma entrevista conferida pelo quadrinista à Folha
segunda-feira, 6 de junho de 2011
Gen Pés Descalços, uma das melhores histórias em quadrinhos da história
Uma excelente notícia...
A editora Conrad vai relançar uma das melhores histórias em quadrinhos já lançadas mundialmente: Gen Pés Descalços. A história autobiográfica mostra o cotidiano na vida de uma família japonesa após o ataque nuclear a Hiroshima. Keiji Nakazawa, autor do quadrinho (Mangá, para ser mais exato), tinha 7 anos quando a bomba atômica atingiu Hiroshima, cidade onde morava com a família. A história virou um verdadeiro clássico e sumiu do mercado editorial, virando item de colecionador.
Gen Pés Descalços foi primeiramente lançado em série, nos anos 1972 e 1973, na Shonen Jump, uma das principais revistas semanais de histórias em quadrinhos do Japão. A história teve um grande sucesso não somente entre os leitores jovens, mas também com pais, professores e críticos. Gen foi transformado em longa-metragem de animação, três filmes e até uma ópera. As edições em livro venderam mais de 5 milhões de exemplares só no Japão.
Gen foi traduzido para o francês, inglês, alemão, esperanto, indonésio, norueguês, suecos e diversos outros idiomas, e lançado em mais de dez países. Foi a primeira história em quadrinhos japonesa a ser publicada nos Estados Unidos, onde foi incluída em uma lista de livros recomendados para escolas públicas.
Confira um post já publicado aqui no Nona Arte sobre a série.
A editora Conrad vai relançar uma das melhores histórias em quadrinhos já lançadas mundialmente: Gen Pés Descalços. A história autobiográfica mostra o cotidiano na vida de uma família japonesa após o ataque nuclear a Hiroshima. Keiji Nakazawa, autor do quadrinho (Mangá, para ser mais exato), tinha 7 anos quando a bomba atômica atingiu Hiroshima, cidade onde morava com a família. A história virou um verdadeiro clássico e sumiu do mercado editorial, virando item de colecionador.
Gen Pés Descalços foi primeiramente lançado em série, nos anos 1972 e 1973, na Shonen Jump, uma das principais revistas semanais de histórias em quadrinhos do Japão. A história teve um grande sucesso não somente entre os leitores jovens, mas também com pais, professores e críticos. Gen foi transformado em longa-metragem de animação, três filmes e até uma ópera. As edições em livro venderam mais de 5 milhões de exemplares só no Japão.
Gen foi traduzido para o francês, inglês, alemão, esperanto, indonésio, norueguês, suecos e diversos outros idiomas, e lançado em mais de dez países. Foi a primeira história em quadrinhos japonesa a ser publicada nos Estados Unidos, onde foi incluída em uma lista de livros recomendados para escolas públicas.
Confira um post já publicado aqui no Nona Arte sobre a série.
sábado, 4 de junho de 2011
Divina Comédia em quadrinhos
Neste sábado, dia 04, chega às livrarias uma versão de A Divina Comédia, obra renascentista de autoria de Dante Alighieri, em versão quadrinhos. O lançamento é da editora Peirópolis. O trabalho, que faz parte da coleção Clássicos em HQ, percorre o paraíso, o inferno e o purgatório de Dante a partir das aquarelas do quadrinista Piero Bagnariol inspiradas em imagens célebres de pintores que também se dedicaram a representar a obra clássica. O roteiro é de Giuseppe Bagnariol e o projeto ainda contou com consultoria de Maria Teresa Arrigoni, especialista em Dante Alighieri.
Considerada a grande obra-prima do poeta florentino, A Divina Comédia foi, ao longo de muitos anos, lido e divulgado com o título originalmente dado por Dante: Comédia. Só a partir de uma edição publicada em Veneza, em 1555, é que o adjetivo “divina” passou a fazer parte do título, acréscimo de outro autor célebre da época, Giovanni Bocaccio.
Para o quadrinista italiano radicado no Brasil, Piero Bagnariol, A Divina Comédia é quase a pedra fundamental do idioma italiano. Coube a ele uma cuidadosa pesquisa iconográfica em parceria com seu pai, que realizou um estudo da vida de Dante Alighieri para embasar os roteiros de passagem entre um e outro trecho do poema. Os trechos escolhidos foram publicados na forma original das traduções, que por sua vez, foram escolhidas por Maria Teresa Arrigoni. Ela indicou para o Inferno a tradução de Jorge Wanderley; e para o Paraíso, a tradução de Haroldo de Campos. O Purgatório ficou por conta da tradução de Henriqueta Lisboa, escolha da Peirópolis, editora que cuida da obra da poeta e tradutora modernista.
O posfácio também é assindo por Giuseppe Bagnariol, que detalha o processo de pesquisa do projeto.
Os autores: Piero Bagnariol nasceu na Itália e veio para o Brasil com vinte anos, em 1992. Quadrinista e grafiteiro é um dos fundadores da revista Graffiti 76% quadrinhos, que edita desde 1995, e autor do álbum Um dia uma morte, com roteiro de Fabiano Barroso. Já Giuseppe Bagnariol é médico e grande conhecedor d’A Divina Comédia.
Confira o blog da editora dedicado especialmente à divulgação do livro
domingo, 22 de maio de 2011
Revolução Espanhola
Os artistas espanhois Pepo Pérez e Santiago García criaram uma pequena história que explora os movimentos de estudantes pelas ruas de várias cidades da Espanha na última semana...
Os acampados da Porta do Sol (Madrid) inspiraram uma mobilização de dezenas de jovens em diferentes partes da Europa para exigir mudanças na economia e na política. Nas ruas os jovens alertam: "Temos de mudar. Há redução de salários. Os serviços sociais caminham para serem destruídos e privatizados. O Capitalismo está nos dominando".
Outra palavra de ordem gritada nas ruas: "Solidaridariedade e luta contra os Estados. Aos bancos salvam, aos pobre roubam. Ou te indignas ou te resignas".
Os protestos liderados pelos jovens nas ruas da espanha está sendo conhecido como "Movimento dos Indignados" e promete ir muito além das eleições deste final de semana: até que se produza uma mudança social justa para a maioria. O epicentro do movimento está na Porta do Sol, em Madrid.
O chamado quilômetro zero da Espanha é o simbolo de um movimento que levantou a voz do país que segue como uma das maiores vítimas da crise econômica e que tem hoje quase cinco milhões de desempregados (cerca de 21% da população econômicamente ativa).
O movimento cidadão assegura que não defende nenhuma ideologia e não pede votos para nenhum partido.
Os acampados da Porta do Sol (Madrid) inspiraram uma mobilização de dezenas de jovens em diferentes partes da Europa para exigir mudanças na economia e na política. Nas ruas os jovens alertam: "Temos de mudar. Há redução de salários. Os serviços sociais caminham para serem destruídos e privatizados. O Capitalismo está nos dominando".
Outra palavra de ordem gritada nas ruas: "Solidaridariedade e luta contra os Estados. Aos bancos salvam, aos pobre roubam. Ou te indignas ou te resignas".
Os protestos liderados pelos jovens nas ruas da espanha está sendo conhecido como "Movimento dos Indignados" e promete ir muito além das eleições deste final de semana: até que se produza uma mudança social justa para a maioria. O epicentro do movimento está na Porta do Sol, em Madrid.
O chamado quilômetro zero da Espanha é o simbolo de um movimento que levantou a voz do país que segue como uma das maiores vítimas da crise econômica e que tem hoje quase cinco milhões de desempregados (cerca de 21% da população econômicamente ativa).
O movimento cidadão assegura que não defende nenhuma ideologia e não pede votos para nenhum partido.
domingo, 15 de maio de 2011
O que é novidade lá fora
Dublinés
Obra do artista espanhol Alfonso Zapico baseada no clássico de James Joyce. O autor de Ulisses tem sua própria história muitas vezes refletida na sua própria obra. Zapico relembra a longa viagem de Joyce desde seu exílio voluntário na Irlanda até sua morte em 1941. Zapico aborda as dificuldades criativas e econômicas de Joyce em Trieste, sua vida no bairro boêmio de París nos anos 20, sua intensa relação com Nora Barnade e a publicação, censura e posterior ocultamento da sua obra literária. É a terceira obra de fôlego do artista espanhol depois de A Guerra do Professor Bertenev e Café Budapeste.
Chernobyl
O Romance Gráfico rememora a história do mais grave acidente nuclear da história. Em 26 de abril de 1986 a explosão de um reator nuclear na antiga União Soviética deixa um rastro de destruição e morte. O livro conta esta tragédia a partir das histórias de vida de três gerações de uma família que, como muitas outras, se viram obrigadas a deixar para trás suas casas e suas vidas. O livro foi lançado durante as celebrações pelos 25 anos do acidente.
La Huella de Lorca
O romance gráfico conta a história de um dos maiores gênios da literatura espanhola: Federico Garcia Lorca. Através de histórias reais e testemunhos descobrimos a dimensão da obra de Lorca...
terça-feira, 10 de maio de 2011
Super-homem cidadão do mundo
A revista especial Action Comics 900, lançada esta semana nas lojas especializadas dos EUA, colocou o Superman no alvo da grande mídia novamente.
Não foi, porém, pelo capítulo final de "Black Ring", arco de história com Lex Luthor dotado de poderes divinos; nem pela colaboração nos roteiros de Richard Donner, diretor dos filmes mais conhecidos do personagem; ou mesmo pela participação de Damon Lindelof, um dos produtores de Lost. Quem causou polêmica foi David Goyer, roteirista dos filmes recentes de Batman e do vindouro filme do Homem de Aço (o que pode prenunciar o tom do longa-metragem).
Em sua história, Goyer mostra o Superman defendendo o povo nas ruas de Teerã das forças opressoras do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinajad. E também renunciando à sua cidadania estadunidense, para não ter que submeter suas ações aos desígnios dos Estados Unidos ou da ONU. Na HQ, o herói alega que os governos o limitam e que o mundo é pequeno demais - e conectado demais - para depender desses conceitos.
Como era previsto, a história mexeu com os sentimentos patrióticos nos EUA e foi explorada pela Fox News através de seu costumeiro ponto de vista ultraconservador e sensacionalista. A emissora alega que o Superman agora é "anti-americano". E o Examiner vai além... para eles, há a possibilidade da DC Comic sofrer boicote aos seus títulos.
Já o New York Post publicou uma declaração conciliatória do co-publisher Dan Didio: "O Superman é um visitante de um planeta distante que há muito abraçou os valores dos EUA. Como personagem e como ícone, ele incorpora o melhor do Modo de Vida Americano. Em uma história curta na revista Action Comics 900, ele renuncia à sua cidadania para dar um foco global à sua batalha que nunca termina. Mas ele permanece, como sempre, comprometido com seu lar adotivo e suas raízes, como um garoto fazendeiro do Kansas vindo de Smallville".
A polêmica recebeu comentários no Twitter de vários autores. Os mais liberais gostaram da ideia - apesar de que ainda não se sabe se a mudança será aceita como cânone do personagem - e os mais conservadores reclamaram.
O episódio também serve para ilustrar o desconhecimento do grande público sobre o universo dos quadrinhos: Steven Whacker, editor da Marvel Comics, recebeu vários e-mails com reclamações pelo que a sua editora havia feito com o Homem de Aço.
Do site Omelete.com.br
Não foi, porém, pelo capítulo final de "Black Ring", arco de história com Lex Luthor dotado de poderes divinos; nem pela colaboração nos roteiros de Richard Donner, diretor dos filmes mais conhecidos do personagem; ou mesmo pela participação de Damon Lindelof, um dos produtores de Lost. Quem causou polêmica foi David Goyer, roteirista dos filmes recentes de Batman e do vindouro filme do Homem de Aço (o que pode prenunciar o tom do longa-metragem).
Em sua história, Goyer mostra o Superman defendendo o povo nas ruas de Teerã das forças opressoras do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinajad. E também renunciando à sua cidadania estadunidense, para não ter que submeter suas ações aos desígnios dos Estados Unidos ou da ONU. Na HQ, o herói alega que os governos o limitam e que o mundo é pequeno demais - e conectado demais - para depender desses conceitos.
Como era previsto, a história mexeu com os sentimentos patrióticos nos EUA e foi explorada pela Fox News através de seu costumeiro ponto de vista ultraconservador e sensacionalista. A emissora alega que o Superman agora é "anti-americano". E o Examiner vai além... para eles, há a possibilidade da DC Comic sofrer boicote aos seus títulos.
Já o New York Post publicou uma declaração conciliatória do co-publisher Dan Didio: "O Superman é um visitante de um planeta distante que há muito abraçou os valores dos EUA. Como personagem e como ícone, ele incorpora o melhor do Modo de Vida Americano. Em uma história curta na revista Action Comics 900, ele renuncia à sua cidadania para dar um foco global à sua batalha que nunca termina. Mas ele permanece, como sempre, comprometido com seu lar adotivo e suas raízes, como um garoto fazendeiro do Kansas vindo de Smallville".
A polêmica recebeu comentários no Twitter de vários autores. Os mais liberais gostaram da ideia - apesar de que ainda não se sabe se a mudança será aceita como cânone do personagem - e os mais conservadores reclamaram.
O episódio também serve para ilustrar o desconhecimento do grande público sobre o universo dos quadrinhos: Steven Whacker, editor da Marvel Comics, recebeu vários e-mails com reclamações pelo que a sua editora havia feito com o Homem de Aço.
Do site Omelete.com.br
sexta-feira, 8 de abril de 2011
José Carlos Fernandes lança novo livro na Espanha
Esta resenha publicada no site espanhol Entrecomics comenta o mais novo lançamento do fantástico autor Português José Carlos Fernandes (o fantástico não é exagero). Por mais que discorde do tom crítico da resenha, coloco para vocês fazerem seu próprio julgamento. Confira:
Cuando Devir publicó a José Carlos Fernandes en España por primera vez, allá por 2002, me pareció un autor extraordinario. Creo que nunca había leído un cómic parecido a La peor banda del mundo, y me impresionó mucho el ambiente literario que envolvía el trabajo del portugués. No es solo ya que sus temas remitieran a Kafka, a Cortázar, a Auster y a Borges, sino que todo se revestía de un talante descriptivo donde la acción, la narración de hechos quedaba relegada a un segundo plano –desaparecía, más bien- para ceder el protagonismo al puro ámbito de las ideas, algo mucho más propio de la novela que del cómic. (inciso: si podemos hablar de que un autor de cómic practica una narración muy cinematográfica y todos nos entendemos y nadie pone el grito en el cielo, también podemos decir que otro practica un estilo muy literario. Lo que no convierte su obra a priori en mejor ni peor, pero que nos ayuda a encuadrarlo. Lo digo por el tema de los complejos y esas cosas que tan a menudo salen a relucir cuando, por algún motivo, cómic y literatura comparten la misma línea en un texto). Tampoco es que sus referentes fueran únicamente literarios, porque ahí se adivinaban también a Dave McKean o al Miguelanxo Prado de Quotidianía delirante.
Como decía, Fernandes me pareció extraordinario. Y después leí a Ben Katchor.
Y resulta que, de alguna manera, todo lo que había en Fernandes ya estaba prefigurado en Katchor: el estilo narrativo elíptico y descriptivo, los medios tonos, la ambientación retro, la utilización del absurdo como metáfora, el hombre, el edificio… Y, además, Katchor lo hacía mejor, daba la sensación de querer transmitir una idea más definida, mientras que Fernandes lanzaba sus dardos con los ojos vendados (pero los lanzaba, que ya es algo). En el colmo de la casualidad, han caído en mis manos casi simultáneamente Agencia de viajes Lemming y The cardboard valise, lo último de Katchor, y el paralelismo -o la convergencia- ha surgido de nuevo. La identificación de Fernandes con Katchor ha llegado a tal punto que en ambos libros encontramos la idea de unos urinarios públicos convertidos en atracción turística vacacional. Y por mucho Duchamp que pongamos por medio, ya es casualidad. No sé cuál de los dos se publicó primero (la obra de Fernándes comenzó a serializarse en un periódico portugués en 2005; la de Katchor también contiene fragmentos publicados aquí y allá durante los últimos años), pero dudo que podamos hablar de copia y me complace la idea de que se trate de una casualidad que encajaría perfectamente en una historieta de cualquiera de ellos.
Pero a lo que iba. Fernandes me fascinó en un primer momento. Después me desilusionó un poco el descubrir que no era el primero ni el mejor haciendo lo suyo, y esa segunda impresión se mantiene más o menos inalterada tras leer Agencia de viajes Lemming, porque sigo encontrando que Fernandes funciona más como catálogo que como libro de instrucciones (pero, al menos, no es libro de autoayuda) y también porque me parece que en esta obra ha estirado algunos momentos más de la cuenta y ha perdido densidad, muy posiblemente debido a la necesidad de publicar diariamente en un periódico. Continúan estas páginas la senda de La peor banda del mundo, ese reflejo en clave irónica del mundo en que vivimos, donde los escenarios absurdos que introduce el dibujante nos hacen primero sonreír y después fruncir el entrecejo, cuando barruntamos que estas historias de perdedores y perdidos no hacen sino poner de manifiesto el sinsentido de tantos usos y costumbres actuales que ya aceptamos resignados. ¿He dicho “el mundo en que vivimos”? Tal vez debería haber dicho “el mundo que nos rodea”, porque, como parece querer indicar Fernandes con su libro, el hombre moderno cada vez está más despegado de la realidad y sufre el síndrome del turista, algunos de cuyos síntomas son la despreocupación, el despilfarro, el conocimiento superficial de las cosas, el deseo de maravillarse ante hechos ciertamente prosaicos y la confianza ciega en el guía. En cualquier caso, en ocasiones es necesario hojear el catálogo de una agencia de viajes para darse cuenta de que, aquí y ahora, la mierda ya nos llega hasta las rodillas.
Cuando Devir publicó a José Carlos Fernandes en España por primera vez, allá por 2002, me pareció un autor extraordinario. Creo que nunca había leído un cómic parecido a La peor banda del mundo, y me impresionó mucho el ambiente literario que envolvía el trabajo del portugués. No es solo ya que sus temas remitieran a Kafka, a Cortázar, a Auster y a Borges, sino que todo se revestía de un talante descriptivo donde la acción, la narración de hechos quedaba relegada a un segundo plano –desaparecía, más bien- para ceder el protagonismo al puro ámbito de las ideas, algo mucho más propio de la novela que del cómic. (inciso: si podemos hablar de que un autor de cómic practica una narración muy cinematográfica y todos nos entendemos y nadie pone el grito en el cielo, también podemos decir que otro practica un estilo muy literario. Lo que no convierte su obra a priori en mejor ni peor, pero que nos ayuda a encuadrarlo. Lo digo por el tema de los complejos y esas cosas que tan a menudo salen a relucir cuando, por algún motivo, cómic y literatura comparten la misma línea en un texto). Tampoco es que sus referentes fueran únicamente literarios, porque ahí se adivinaban también a Dave McKean o al Miguelanxo Prado de Quotidianía delirante.
Como decía, Fernandes me pareció extraordinario. Y después leí a Ben Katchor.
Y resulta que, de alguna manera, todo lo que había en Fernandes ya estaba prefigurado en Katchor: el estilo narrativo elíptico y descriptivo, los medios tonos, la ambientación retro, la utilización del absurdo como metáfora, el hombre, el edificio… Y, además, Katchor lo hacía mejor, daba la sensación de querer transmitir una idea más definida, mientras que Fernandes lanzaba sus dardos con los ojos vendados (pero los lanzaba, que ya es algo). En el colmo de la casualidad, han caído en mis manos casi simultáneamente Agencia de viajes Lemming y The cardboard valise, lo último de Katchor, y el paralelismo -o la convergencia- ha surgido de nuevo. La identificación de Fernandes con Katchor ha llegado a tal punto que en ambos libros encontramos la idea de unos urinarios públicos convertidos en atracción turística vacacional. Y por mucho Duchamp que pongamos por medio, ya es casualidad. No sé cuál de los dos se publicó primero (la obra de Fernándes comenzó a serializarse en un periódico portugués en 2005; la de Katchor también contiene fragmentos publicados aquí y allá durante los últimos años), pero dudo que podamos hablar de copia y me complace la idea de que se trate de una casualidad que encajaría perfectamente en una historieta de cualquiera de ellos.
Pero a lo que iba. Fernandes me fascinó en un primer momento. Después me desilusionó un poco el descubrir que no era el primero ni el mejor haciendo lo suyo, y esa segunda impresión se mantiene más o menos inalterada tras leer Agencia de viajes Lemming, porque sigo encontrando que Fernandes funciona más como catálogo que como libro de instrucciones (pero, al menos, no es libro de autoayuda) y también porque me parece que en esta obra ha estirado algunos momentos más de la cuenta y ha perdido densidad, muy posiblemente debido a la necesidad de publicar diariamente en un periódico. Continúan estas páginas la senda de La peor banda del mundo, ese reflejo en clave irónica del mundo en que vivimos, donde los escenarios absurdos que introduce el dibujante nos hacen primero sonreír y después fruncir el entrecejo, cuando barruntamos que estas historias de perdedores y perdidos no hacen sino poner de manifiesto el sinsentido de tantos usos y costumbres actuales que ya aceptamos resignados. ¿He dicho “el mundo en que vivimos”? Tal vez debería haber dicho “el mundo que nos rodea”, porque, como parece querer indicar Fernandes con su libro, el hombre moderno cada vez está más despegado de la realidad y sufre el síndrome del turista, algunos de cuyos síntomas son la despreocupación, el despilfarro, el conocimiento superficial de las cosas, el deseo de maravillarse ante hechos ciertamente prosaicos y la confianza ciega en el guía. En cualquier caso, en ocasiones es necesario hojear el catálogo de una agencia de viajes para darse cuenta de que, aquí y ahora, la mierda ya nos llega hasta las rodillas.
sexta-feira, 25 de março de 2011
James Joyce em quadrinhos

O jornal espanhol El País publicou o primeiro capítulo do novo livro de Alfonso Zapico, dedicado ao escritor James Joyce. Zapico é considerado uma das maiores revelações dos quadrinhos espanhois. Confira a resenha publicada no jornal e acesse as primeiras páginas do romance gráfico "Dublinés"
No es la historieta un arte fácil para el debutante. La narrativa gráfica tiene unos mecanismos propios y particulares que van mucho más allá de la simple hibridación de texto y dibujo, que obligan al principiante en el noveno arte a una larga carrera de formación. La hoy difícil profesionalización del dibujante pasa por cumplir un trayecto de fanzines y pequeñas publicaciones, de pruebas y más pruebas hasta que el autor puede comenzar a dominar los entresijos del lenguaje del cómic. Una teoría que Alfonso Zapico (Blimea, Asturias, 1981) se saltó de un plumazo: sin haber pisado un fanzine, sin haber hecho nunca antes una historieta comercial, se lanzó a contar una historia con viñetas, a pelo y sin más armas que papel, lápiz y muchas, muchas ganas e ilusión. Una fórmula habitual en los que comienzan, pero que no suele estar acompañada del ansiado éxito.
Sin embargo, La guerra del profesor Bertenev no solo pasó ese primer muro aparentemente infranqueable de conseguir ser publicado: lo hizo en uno de los mercados más exigentes del mundo, el francés, con unanimidad de crítica (recibió el premio BD Romanesque en el FestiBD Ville de Moulins 2007) a la hora de valorar el trabajo de Zapico en esta inteligente denuncia del sinsentido de las guerras. La osadía fue mucha y el sentido común aconsejaba ser conservador y seguir en la misma línea, pero el joven autor asturiano volvió a demostrar que su atrevimiento rozaba con lo suicida: tras una obra en el tradicional formato álbum francés, cambiaba a la mayor extensión de la novela gráfica con Café Budapest, donde no se arredraba en tratar un tema tan espinoso como el conflicto judeo-palestino, reflexionando sobre la cuestión, yendo a su origen, la creación del Estado de Israel. Y, de nuevo, superando el examen de público y crítica. Dos obras que, tras su publicación en España (curiosamente en orden inverso al de su creación original), le proporcionaron muy justamente el Premio Josep Toutain al Autor Revelación en el Salón Internacional del Cómic de Barcelona de 2010.
Más difícil todavía
Galardones que en otro autor hubieran provocado acomodamiento y tranquilidad, pero que en el caso de Zapico poco parecieron importarle en su búsqueda del más difícil todavía. Su siguiente proyecto sólo admitía el adjetivo de hercúleo: nada más y nada menos que una biografía del que posiblemente sea el autor más influyente del siglo XX con su monumental Ulises, James Joyce. Un objetivo complicado para el que tuvo una inesperada ayuda al conseguir una beca para el sanctasanctórum de la creación en el noveno arte, la Maison des Auteurs de Angoulême, un prestigioso centro de formación en historieta donde Zapico pudo "retirarse", dedicándose durante todo un año a terminar una novela gráfica que intenta acercarse a la personalidad de un genio a través de esos momentos cotidianos que esconden lo extraordinario de la existencia.
Dublinés, que publica a primeros de abril la editorial Astiberri, es el resultado de ese largo camino, una obra prometedora de un autor que ya ha dejado de ser prometedor para ser una ilusionante realidad del cómic español.
Habemus Papam
A organização da Jornada Mundial da Juventude 2011 (JMJ), em Madrid, anunciou hoje a publicação de uma obra em formato Mangá sobre a vida do papa Bento XVI, eleito em Abril de 2005.
Em comunicado enviado à Agência ECCLESIA, os promotores do maior encontro internacional de jovens católicos adiantam que a revista «Habemus Papam» (temos Papa), em estilo manga, vai ser lançada e distribuída durante o evento, que decorre de 16 a 21 de Agosto.
Jonathan Lin, diretor da editora Atiqtuq, fala numa “oportunidade de chegar a muitas pessoas num formato atraente”. A publicação vai contar com 300 mil exemplares, em inglês e espanhol.
Confira uma entrevista com Jonathan Lin publicada no site espanhol Religião em Liberdade
¿Qué propósito tiene este cómic?
El objetivo de ‘Habemus Papam’ es presentar al Papa Benedicto XVI a aquellos que todavía no saben mucho sobre él, salvo que se trata del máximo representante de la Iglesia Católica. Esta breve historia reproduce las diferentes vivencias del Santo Padre por todo el mundo –especialmente como cardenal trabajando con su antecesor Juan Pablo II, y culminando con el momento en que fue elegido obispo de Roma.
¿Por qué un cómic manga?
En la última década la popularidad del manga ha experimentado un crecimiento asombroso en todo el mundo, y ha convertido en fans a millones de niños y adultos. De hecho es considerado una de las exportaciones japonesas más exitosas. El manga ha adquirido una gran extensión de contenidos en un gran número de géneros. Queremos utilizar el manga como una herramienta para mostrar a la juventud y al mundo una Iglesia sin miedo a la modernidad y a la rápida evolución de la cultura. No hemos dudado en usar nuevas formas mediáticas para comunicarnos con la gente joven.
¿Va a llegar a los jóvenes?
Es una oportunidad para dar a conocer a la gente de forma inspiradora y atractiva al Papa Benedicto XVI, y especialmente su mensaje a los jóvenes. El manga se considera una de las formas más novedosas del entretenimiento y ofrece una manera fácil de leer para personas de cualquier edad. El Papa Juan Pablo II resaltó la importancia del uso de nuevas formas de comunicación para conocer más de cerca a la gente joven y cimentar una cultura de amor y de dignidad. El manga es uno de esos medios.
Este nos es el primer tema manga de contenido religioso que ha producido. ¿Qué le llevó a la idea de llevar a cabo cómics de temas bíblicos?
Estaba pensando en crear un negocio y hablé con mis padres; pensamos en varias ideas. Mi padre me preguntó cómo es que no había cómics manga basados en historias de la Biblia o en la vida de los santos. Me quedé pensando. Era cierto, no existía apenas ninguno, como mucho unos pocos. Y en este momento es cuando la idea de Manga Hero nació. También he querido siempre hacer algo que tuviera un impacto positivo en la sociedad. La gran influencia de los medios de comunicación en nuestra cultura, concretamente en los jóvenes, sentí que este instrumento podría marcar la diferencia.
Tus últimas creaciones han sido sobre Judit y san Pablo. ¿Por qué representaste a estos dos personajes en héroes?
San Pablo y Judit representan perfectamente a un héroe y a una heroína –dos personas célebres que mostraron su valor y su nobleza en sus propósitos, especialmente cuando arriesgaron o sacrificaron sus vidas para algo más importante, su fe.
Crear estos mangas es un verdadero esfuerzo. Háblanos sobre ello.
Tenemos dos excelentes escritores, Gabrielle Gniewek y Mathew Salisbury, ambos de la Universidad Católica Juan Pablo el Grande de San Diego, la cual se especializa en los nuevos medios como herramienta para cambiar el mundo. Nuestro dibujante, Sean Lam, es un artista profesional de Singapur especializado en manga, además de ser un apasionado a la hora de crear historias sobre virtudes positivas y heroísmo. ‘Habemus Papam’ será impreso en Pinto, España, por el Grupo Gráfico Dédalo, y por supuesto, todo el proyecto está producido por Manga Hero en San Rafael.
¿Cómo esperas que reciban los peregrinos de la JMJ ‘Habemus Papam’?
Queremos distribuir el cómic por todo Madrid, a los participantes de la JMJ, también en sitios públicos como iglesias, colegios, hoteles, casas de juventud, estaciones de metro, el aeropuerto, kioscos de prensa y lugares turísticos, entre otros. Tenemos planeado imprimir más de 300.000 ejemplares tanto en inglés como en español. Esperamos que resulte una buena iniciativa y que enseñe a la gente acerca del Santo Padre, así como la importancia, la visibilidad y la actividad de la Iglesia en la cultura moderna. Queremos que la mayor cantidad de gente posible lea nuestro cómic.
Em comunicado enviado à Agência ECCLESIA, os promotores do maior encontro internacional de jovens católicos adiantam que a revista «Habemus Papam» (temos Papa), em estilo manga, vai ser lançada e distribuída durante o evento, que decorre de 16 a 21 de Agosto.
Jonathan Lin, diretor da editora Atiqtuq, fala numa “oportunidade de chegar a muitas pessoas num formato atraente”. A publicação vai contar com 300 mil exemplares, em inglês e espanhol.
Confira uma entrevista com Jonathan Lin publicada no site espanhol Religião em Liberdade
¿Qué propósito tiene este cómic?
El objetivo de ‘Habemus Papam’ es presentar al Papa Benedicto XVI a aquellos que todavía no saben mucho sobre él, salvo que se trata del máximo representante de la Iglesia Católica. Esta breve historia reproduce las diferentes vivencias del Santo Padre por todo el mundo –especialmente como cardenal trabajando con su antecesor Juan Pablo II, y culminando con el momento en que fue elegido obispo de Roma.
¿Por qué un cómic manga?
En la última década la popularidad del manga ha experimentado un crecimiento asombroso en todo el mundo, y ha convertido en fans a millones de niños y adultos. De hecho es considerado una de las exportaciones japonesas más exitosas. El manga ha adquirido una gran extensión de contenidos en un gran número de géneros. Queremos utilizar el manga como una herramienta para mostrar a la juventud y al mundo una Iglesia sin miedo a la modernidad y a la rápida evolución de la cultura. No hemos dudado en usar nuevas formas mediáticas para comunicarnos con la gente joven.
¿Va a llegar a los jóvenes?
Es una oportunidad para dar a conocer a la gente de forma inspiradora y atractiva al Papa Benedicto XVI, y especialmente su mensaje a los jóvenes. El manga se considera una de las formas más novedosas del entretenimiento y ofrece una manera fácil de leer para personas de cualquier edad. El Papa Juan Pablo II resaltó la importancia del uso de nuevas formas de comunicación para conocer más de cerca a la gente joven y cimentar una cultura de amor y de dignidad. El manga es uno de esos medios.
Este nos es el primer tema manga de contenido religioso que ha producido. ¿Qué le llevó a la idea de llevar a cabo cómics de temas bíblicos?
Estaba pensando en crear un negocio y hablé con mis padres; pensamos en varias ideas. Mi padre me preguntó cómo es que no había cómics manga basados en historias de la Biblia o en la vida de los santos. Me quedé pensando. Era cierto, no existía apenas ninguno, como mucho unos pocos. Y en este momento es cuando la idea de Manga Hero nació. También he querido siempre hacer algo que tuviera un impacto positivo en la sociedad. La gran influencia de los medios de comunicación en nuestra cultura, concretamente en los jóvenes, sentí que este instrumento podría marcar la diferencia.
Tus últimas creaciones han sido sobre Judit y san Pablo. ¿Por qué representaste a estos dos personajes en héroes?
San Pablo y Judit representan perfectamente a un héroe y a una heroína –dos personas célebres que mostraron su valor y su nobleza en sus propósitos, especialmente cuando arriesgaron o sacrificaron sus vidas para algo más importante, su fe.
Crear estos mangas es un verdadero esfuerzo. Háblanos sobre ello.
Tenemos dos excelentes escritores, Gabrielle Gniewek y Mathew Salisbury, ambos de la Universidad Católica Juan Pablo el Grande de San Diego, la cual se especializa en los nuevos medios como herramienta para cambiar el mundo. Nuestro dibujante, Sean Lam, es un artista profesional de Singapur especializado en manga, además de ser un apasionado a la hora de crear historias sobre virtudes positivas y heroísmo. ‘Habemus Papam’ será impreso en Pinto, España, por el Grupo Gráfico Dédalo, y por supuesto, todo el proyecto está producido por Manga Hero en San Rafael.
¿Cómo esperas que reciban los peregrinos de la JMJ ‘Habemus Papam’?
Queremos distribuir el cómic por todo Madrid, a los participantes de la JMJ, también en sitios públicos como iglesias, colegios, hoteles, casas de juventud, estaciones de metro, el aeropuerto, kioscos de prensa y lugares turísticos, entre otros. Tenemos planeado imprimir más de 300.000 ejemplares tanto en inglés como en español. Esperamos que resulte una buena iniciativa y que enseñe a la gente acerca del Santo Padre, así como la importancia, la visibilidad y la actividad de la Iglesia en la cultura moderna. Queremos que la mayor cantidad de gente posible lea nuestro cómic.
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