terça-feira, 26 de outubro de 2010

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

História em quadrinhos incentiva a adoção em Recife

Esta notícia vem de Pernambuco.


"Tudo o que eles precisam é de um novo lar. Crianças abandonadas ou mesmo órfãs de pai e mãe sobrevivem à mercê das condições precárias de casas de amparo ou abrigos públicos. Conhecer a legislação e conscientizar a população para o hábito da adoção é um dos objetivos da revista “Adoção em Quadrinhos”, lançada hoje pela manhã no Fórum Tomás de Aquino, no bairro de São José, no centro do Recife.

A revista conta com textos e linguagem acessíveis para todas as idades e classes sociais. As histórias em quadrinhos discutem boa parte da legislação brasileira sobre adoção. Todo esse material foi idealizado pela juíza da Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja) Ana Paula de Lira e conta com desenhos do ilustrador Lucas Veríssimo. A produção em quadrinhos teve uma tiragem inicial de 8 mil exemplares e será distribuída gratuitamente em hospitais públicos e particulares do estado, além de associações de moradores e escolas do estado.

Segundo a juíza da Ceja, a revista também integra as comemorações dos 20 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) em Pernambuco. Para ela, com a implantação da nova legislação o perfil dos pais adotivos no Brasil mudou. “Antes da criação do cadastro  nacional, os candidatos à adoção preferiam crianças com menos de dois anos de idade. Hoje, essa perspectiva é outra, pois, já é possível observar pais que adotam grupo de irmãos de uma mesma família”, frisa.

Mas, a importância desse material é esclarecer, ainda, a população para a adoção de crianças dentro da própria família. Segundo a psicóloga do Ceja Tereza Figueiredo, este é o ponto forte do Novo Estatuto. “Fazemos o máximo para que uma criança fique com um tio ou avó caso os pais não possam ficar. Mas, quando isso não é possível, cadastramos a criança no banco de dados e verificamos o perfil do candidato para adoção”, pontua.

Com a implantação da Nova Lei da Adoção, no ano de dois mil e nove, houve também a diminuição das adoções internacionais, na qual pessoas residentes no exterior adotavam crianças do Brasil na ausência de candidatos do próprio país. Segundo dados da Ceja, só no estado de Pernambuco, no ano de 1993, foram realizadas 61 adoções internacionais. Porém, atualmente com a nova lei em vigor, foram registrados em 2009 apenas 25 adoções de crianças para países estrangeiros."

Do site do Diário de Pernambuco

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

O casca-grossa chega aos cinemas



Goon é um personagem criado pelo artista americano Eric Powell. A história conta as aventuras de um anti-herói, abandonado na infância pelos pais e que acaba se impondo pela força e se tornando o "dono do pedaço" em uma cidade povoada por fantasmas, zumbis , seres extra-dimensionais, aliens e cientistas loucos.

Com um traço envolvente e um humor politicamente incorreto, Goon tornou-se um sucesso editorial e já conquistou o Eisner Award (o maior prêmio dos quadrinhos americanos) em 2004, 2005 e 2008. O lançamento de um filme com as histórias do casca-grossa foi anunciado em 2008 no site oficial do personagem e o trailler oficial do filme chegou à internet no último mês de julho. Agora é aguardar e - com muita sorte - assistir o filme no Brasil

As aventuras de Adéle Le Blanc


Os cinemas brasileiros devem começar a exibir esse mês o mais novo filme do diretor francês Luc Besson: As aventuras extraordinárias de Adèle Le Blanc-Sec. Desconhecida do público brasileiro, a personagem criada pelo quadrinista francês Jacques Tardi é extremamente popular entre os leitores de quadrinhos europeus.

Adèle é uma escritora com um enorme talento para detetive e que se defronta com os casos mais estranhos na Paris do início do século XX. A personagem faz sua primeira aparição em 1976, em uma série publicada no jornal Sud-Ouest (Adele e a Besta). O quadrinho apresenta a capital francesa assolada por um espantoso pterodátilo que ressuscitou do Museu de História Natural. Já, desde sua primeira história, as características da saga ficaram muito bem delimitadas: a detalhada descrição histórica, uma alta dose de ficção científica e a constante presença de elementos sobrenaturais. (Alguma semelhança com Indiana Jones?)


O sucesso da primeira história foi tanto que Tardi se viu compelido a criar uma nova aventura para a personagem. No mesmo ano foi lançada "O demonio na Torre Eiffel". A história começa pouco depois do primeiro episódio. Nela, uma valiosa estátua do demônio Assírio foi roubada por adoradores de uma seita satânica. O terceiro capítulo da série "O Sábio Louco" foi lançado em 1977 e mostra a experiência de cientistas loucos determinados a ressuscitar um homem das cavernas descoberto congelado na Sibéria.

A quarta história "Múmias Enlouquecidas" - lançada em 1978 - transcorre em 1914. Simultaneamente todas as múmias de Paris desaparecem sem deixar rastros. No fim desta história, Adèle termina congelada. Três anos depois Tardi lança "O Segredo da Salamandra" e em 1985 "O afogado de duas cabeças" - ambientada no fim da Primeira Grande Guerra.

Em 1994 é publicada "Todos os Monstros" e em 1998 a última história da saga (até o momento): "O Mistério das Profundezas". A próxima história não tem data para ser lançada, mas já tem nome: "O labirinto infernal".

Tardi, um pessimista?

Jacques Tardi é conhecido no Brasil pela fantástica história da Comuna de Paris. Fora do Brasil o autor tem uma verdadeira legião de seguidores é é considerado um dos maiores expoentes dos quadrinhos mundiais. Nascido em 1946, o artista passou a infância ouvindo as histórias do avô que havia lutado na primeira Guerra Mundial e lendo histórias de Tintin.

Quando perguntam a ele porque suas histórias transmitem uma sensação tão pessimista, Tardi responde: "Eu tenho dificuldades para ser otimista, porque a guerra parece continuar alegremente, o homem é apaixonadamente aficcionado pela ideia de estripar o seu próprio vizinho. Não exagero, é o que vejo na televisão todos os dias. Eu queria ser um otimista, mas é bastante dificil".

Confira um excelente vídeo que associa cenas do filme de Luc Besson a o quadrinho de Tardi:

terça-feira, 12 de outubro de 2010

A pé em Gaza - Palestra de Joe Sacco sobre o seu mais recente trabalho

Confira a palestra proferida por Joe Sacco (o criador do conceito de jornalismo em quadrinhos) na Powell's City of Books em janeiro deste ano. O artista fala sobre os primeiros dias dos campos de refugiados de Gaza - após a criação do estado de Israel. Sacco relata o drama dos refugiados palestinos expulsos de suas casas, sem seus bens e que encontram pela frente nada além de areia.

Mais do que isso, Sacco realiza uma cuidadosa investigação sobre um dos piores crimes cometidos por soldados israelenses contra palestinos: o massacre de 111 pessoas na região da fronteira com Egito, em 1956. A história caiu no esquecimento da opinião pública mundial e só agora é resgata pelo trabalho do jornalista e quadrinista (já comentado no Nona Arte). O relato de Sacco consegue transformar o mais dramático conflito da nossa era em uma experiência pessoal e única ao seu universo de leitores.
 



Joe Sacco - Footnotes in Gaza, Jan. 12, 2010 from pdxjustice Media Productions on Vimeo.

sábado, 9 de outubro de 2010

Beatles e Quadrinhos - Parte II

Para aqueles que curtem Beatles e quadrinhos e dificilmente têm como desembolsar algumas centenas ou milhares de dólares para comprar os comics lançados nos anos 60 e 70 sobre os garotos de Liverpool, o Nona Arte encontrou uma dica imperdível.

O site Beatle Web apresenta a história de Paul, John, George e Ringo em uma série em quadrinhos de oito capítulos. O mais interessante é que todas as histórias estão totalmente disponíveis para download. O autor do site, Juan Carlos Mazas, dedicou oito anos de trabalho ao projeto. O texto original é espanhol. A versão para inglês foi feita com a ajuda do músico Rod Davis - fundador da primeira banda de John Lennon - The Quarrymen.


O primeiro volume "O Sonho" fala sobre o nascimento do Rock and Roll e os primeiros passos de John com a guitarra, a criação do grupo Blackjacks - que depois se chamaria The Quarrymen - e os primeiros contatos com  Paul McCartney. O segundo número "A Ambição" mostra a chegada de George Harrison ao grupo a saída de outros músicos do Quarrymen e a morte da mãe de John: Julia. "A Constância" é o terceiro episódio da série. Bill Harry, amigo de John, apresenta Stuart Sutcliffe. John e Paul formam um duo - Nerk Twins. Eles começam a tocar com Ken Brown no The Casbah. Com a expulsão de Ken, o grupo passa a ser formado por John Lennon, Paul McCartney e George Harrison e muda seu nome para Johny and the Moondogs. Depois disso, John Lennon convence a Stuart Sutcliffe para que compre um baixo. Stu entra no Quarrymen.

"A reta" é o quarto número da saga. Os garotos conhecem a Allan Williams que será o novo agente do grupo. Eles mudam seu nome para The Beatals.Tommy Moore entra no grupo como baterista.O grupo muda de nome mais uma vez para The Silver Beetles e fazem uma turne pela Escócia. O volume termina com a chegada de Pete Best.O quinto número "A Formação" mostra a primeira viagem para Hamburgo, agora como The Silver Beatles. Eles conhecem Astrid Kirchherr, Klaus Voorman y Jürgen Voolmer. Depois disso chegam ao nome que os consagraria. Astrid Kirchherr faz as primeiras fotografias dos The Beatles. Stuart Sutcliffe fica em Hamburgo com Astrid Kirchherr.


"A conquista"mostra a chegada de Chas Newby como baixista provisório dos Beatles. Depois disso, Paul McCartney começa a tocar o instrumento e se torna o baxista oficial da banda. Eles fazem a segunda viagem a Hamburgo. Conhecem Tony Sheridan e gravam um disco para a  Polydor. Allan Williams deixa de ser o gerente do grupo. O sétimo volume "O impacto" mostra a viagem de John e Paul a Paris para ver o amigo Jürgen Voolmer.Eles conhecem Brian Epstein que se torna o gerente da banda. Stuart morre de uma paralisia cerebral.

O último episódio "O Exito" mostra o grupo tocando no Star Club. Eles cohecem George Martin e gravam quatro músicas para a EMI. Eles gravam uma apresentação no Cavern Club e seu primeiro single para a Parlophone. Um número ainda inédito mostra a chegada de Ringo e a chegada dos Beatles à fama...

Esteticamente a série não corresponde à importância da história. O traço de Juan Carlos é um tanto infantil, grosseiro... Em termos de linguagem narrativa o autor também é previsível. A abordagem é muito convencional . Por isso, não espere muito da série neste aspecto. Por outro lado, o cuidado e rigor histórico compensa as fragilidades estéticas... A série é uma excelente oportunidade para quem busca conhecer melhor a história da banda que mudou para sempre o cenário do rock e da música mundial.

Confira abaixo uma animação feita por Juan Carlos, a partir dos desenhos da série:

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Pausa para a boa música - John Lennon

Beatles Forever - Parte I



No dia em que John Lennon completaria 70 anos, duas paixões se econtram: Quadrinhos e Beatles... O Nona Arte vasculhou e descobriu algumas preciosidades. Confira:

O site Beatle Comics mostra parte do acervo de mais de 100 revistas - algumas raríssimas - integralmente dedicadas aos garotos de Liverpool ou com participações especiais dos Fab Four. Entre as pérolas apresentadas no site, destacamos:

Marvel Super Special Number 7 – Esta revista é tão rara que é considerada um "Santo Graal" entre colecionadores. Quase uma lenda. Ela sequer é listada na Overstreet Comic Guide, considerada a "Bíblia" de pesquisadores e fãs de Comics. O próprio autor da revista - o celebrado artista George Perez - afirmou que, há tempos, ele próprio não tem notícia desse trabalho. O preço estimado hoje para a revista é de 10 mil Libras. 


The Beatles - Complete Life Stories - Essa é provavelmente a segunda mais rara e difícil história em quadrinhos sobre os Beatles. Ela está avaliada em US$ 600,00. A revista foi lançada entre setembro a novembro 1964 pela editora Dell Publishin. A versão inglesa é mais difícil de encontrar que a sua similar americana.


Beatles Yellow Submarine - A obra do artista Paul S. Newman foi publicada em 1968. A revista é uma adaptação do filme de animação homônimo lançado no mesmo ano. Você pode conferir a história e fazer o download da revista no site Bordel do Rock.

Batman 222 – Um trabalho do artista Neal Adams (um dos maiores criadores de histórias de Batman). A história explora uma teoria da conspiração sobre a suposta morte de Paul McCartney, em 1969, em um acidente de carro e sua substituição por um sósia. A revista foi publicada em junho de 1970. O artista Frank Robbins alterou os nomes dos personagens para evitar problemas. Em lugar de Beatles a banda se chama "Oliver Twists" e os dois compositores (John e Paul) tiveram os nomes alterados para Glennan e Saul. Entretanto, as referências são inconfundíveis, como o fardão de Sgt. Peppers. Assim como na célebre capa do disco, a capa da HQ é cheia de "indicações misteriosas".

sábado, 2 de outubro de 2010

Quadrinhos em sala de aula



Este editor do Nona Arte localizou, em meio a buscas no universo dos quadrinhos na internet, um Blog fantástico que tenho o prazer de indicar aos amigos leitores. Essa dica vale para todos os fãs de quadrinhos, mas em especial para professores do ensino fundamental e médio.

Escrito pelo professor e estudioso de Comics americano Chris Wilson, o blog The Graphic Classroom é uma fonte para professores e bibliotecários que buscam selecionar quadrinhos e novelas gráficas para estudantes e compor o acervo de bibliotecas. Por seu trabalho inédito Chris conquistou o prêmio “Top Children Book Blog”.

Chris Wilson escreve uma resenha para cada graphic novel ou revista e confere uma nota para cada título publicado no Blog, além de uma indicação de idade a qual a história se destina. Além das resenhas, Chris reúne ainda artigos diversos sobre a narrativa em quadrinhos e indicações sobre como estimular a leitura de comics em sala de aula.

Em uma entrevista a um jornal americano o professor revela que ele próprio achava que quadrinhos era algo estúpido e infantil... até o nascimento de sua filha. Nesse momento, Chris começou a pensar em como se conectar com ela. “Como eu faria para transmitir algumas das coisas em que acredito e gosto? Neste momento ele resgatou o contato com a leitura dos quadrinhos.

Quando Chris decidiu voltar à escola para fazer seu mestrado ele sabia que a literatura em quadrinhos seria o seu objeto de estudo. Ele começou a estudar e decidiu buscar uma forma de passar a outros pesquisadores as suas descobertas. “O ineditismo desse tema assusta as pessoas. Elas não querem que seus filhos sejam expostos a esse tipo de leitura. Os pais dão aos filhos Shakespeare, mesmo sabendo que suas obras contém sexo, drogas, venenos, assassinatos e coisas assim. Mas, tudo bem... afinal, são clássicos.” – diz Chris.

O trabalho de Chris logo se tornou conhecido e começou a gerar repercussão junto aos outros professores que puderam constatar o aumento do nível de leitura dos seus alunos. Ele afirma que o maior impacto da literatura em quadrinhos é motivar as crianças a ler. “Quando e estudei literatura, descobri que oferecer escolhas é a melhor forma de estimular a leitura. Entretanto, a maioria dos professores não permitem escolhas na sala de aula. Nós lhes damos esta opção e as crianças começam a ler. Eu acredito firmemente que quando as crianças pegam quadrinhos elas naturalmente começarão a ler outras formas de literatura. Eu simplesmente uso os comics como ponte”, afirma.

Imperdível: Mafalda e Quino em documentário argentino

Essa é imperdível: 

Uma sequência de três videos que integram uma série de documentários sobre os quadrinhos argentinos. Os documentários são apresentados por Juan Sasturain, renomado jornalistas, escritor, roterista de quadrinhos e diretor de TV argentino.

O documentário é dedicado a Quino e sua Mafalda... Confira:


Parte 1




Parte 2



Parte 3

Charlie Brown completa 60 anos


O universo dos quadrinhos está comemorando aniversário hoje (2 de outubro). Há 60 anos, uma das mais importantes criações da Nona Arte - Peanuts de Charles M. Schulz, tinha sua primeira tirinha publicada em sete jornais americanos.

Desde então Charlie Brown e seus amigos Snoopy, Lucy e Linus apareceram em mais de 2 mil jornais de 72 países e em 21 idiomas. A última tira inédita foi publicada em fevereiro de 2000, um dia depois da morte do Schulz.

Pausa para a boa música - Cat Stvens ou Yusuf Islam

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

História de massacres


Entrevista foi publicada originalmente no jornal O Estado de S.Paulo

Raquel Cozer – O Estado de S.Paulo



Um breve relatório da ONU, datado de 13 de novembro de 1956, dava conta de rumores de atrocidades na Faixa de Gaza. Questionada, a então ministra de Assuntos Exteriores de Israel, Golda Meir, confirmou o registro de “algumas baixas” entre palestinos após uma tentativa de pilhagem. Era situação resolvida, afirmou.
Teria sido também esquecida se, quase meio século depois, uma citação àquele relatório da ONU em um livro de Noam Chomsky não tivesse chamado a atenção do maltês naturalizado americano Joe Sacco. 

Desenhista autodidata e jornalista por formação, pioneiro do chamado jornalismo em quadrinhos, Sacco resolveu investigar o caso a fundo. Era algo que já havia feito com passagens mais recentes da história na graphic novel Gorazde, sobre a Bósnia, e em Palestina, pela qual ganhou, em 1996, um American Book Award.

Ao revirar arquivos e entrevistar mais de 100 pessoas envolvidas, Sacco descobriu que os rumores se referiam a dois massacres ocorridos nas cidades de Khan Younis e Rafah, em 3 e 12 de novembro de 1956, quando foram mortos a tiros, respectivamente, 275 e 111 civis palestinos.

Eram crimes que poderiam passar despercebidos em meio ao intermináveis conflitos no Oriente Médio, mas que, em Notas Sobre Gaza, lançada no ano passado em língua inglesa e que sai neste semestre pela Quadrinhos na Cia., ganha contornos tão humanos quanto difíceis de acreditar. Em conversa por telefone com o Estado, de Portland, onde vive, Sacco falou sobre o trabalho que lhe tomou sete anos entre pesquisa e realização. Veja trechos a seguir.

No livro, vários palestinos dizem que o que aconteceu em 1956 não era importante. Por que tinha tanta certeza de que era?

Os massacres em si eram importantes. Na história do conflito entre palestinos e israelenses, os dois incidentes estão entre os maiores com morte de civis. O de Khan Younis teve o maior número de mortes de civis num único dia em solo palestino. Se os sobreviventes estavam vivos, por que não falar com eles em vez de apenas confiar nos poucos parágrafos do relatório da ONU, que não esclarecem o que houve? Mas ainda há outro lado. Os incidentes fazem parte de um continuum de ataques. As pessoas mais novas, especialmente, perguntavam: “Por que quer saber dessas histórias velhas com tudo o que está acontecendo?” O ponto é que, como jovem no Oriente Médio, você não digere o que aconteceu porque há sempre algo novo sendo enfiado goela abaixo. É triste alguém pensar que não vale a pena olhar para trás.

Mas, entre os mais velhos, havia interesse em falar das guerras de 1948 e 1967.

Sim, isso é verdade. Também acontecia de eles confundirem períodos. Houve tanta coisa difícil na história deles que às vezes eles não sabiam mais dizer o que aconteceu e quando.

Como foi o trabalho de filtrar depoimentos contraditórios?

Bem, você tem que olhar para as lembranças de pessoas sobre o que aconteceu há 50 anos com… não diria ceticismo, mas é preciso olhar de perto para dizer o quanto é de fato verdadeiro, o quanto do que outras pessoas disseram a elas passa a fazer parte das memórias delas também. Não é que não confiasse nelas, mas fiz questão de mostrar em Notas Sobre Gaza essas contradições nos depoimentos para que o leitor conhecesse um problema que enfrentei. O que importa é que o arco da história é real. Algumas pessoas se confundiram, outras disseram coisas que não encaixam na história, mas o arco é real.

Foi difícil achar ex-soldados israelenses dispostos a falar?

Sim, muito. Falei com militares e pesquisadores israelenses que tentaram me ajudar, e também fiz buscas em arquivos. Dois comandantes com quem falei disseram não se lembrar de nada daquilo. Não disseram que não aconteceu, disseram que não se lembravam. Eu questionava às pessoas como podia saber mais sobre o assunto e me recomendavam algum historiador. Daí o historiador dizia que talvez tivesse ouvido algo, mas que não tinha examinado mais detidamente. Minha esperança é que o livro possa fazer as pessoas se voltarem a esse assunto.

Você não teria interesse em retratar como se sentem os israelenses em meio aos conflitos?

Sei que eles sofrem, não há dúvida. A sociedade israelense também sofre com os atentados de palestinos, um lado alimenta o ódio no outro. Mas moro nos EUA, onde a história do lado israelense é muito bem contada, todos conhecem. Aqui, é do lado palestino que nunca se fala. Quero falar das pessoas que saíram como perdedoras na história. Nos EUA, em especial, a palavra palestino é associada ao terrorismo. Quero mostrar o contexto do que acontece. Poderia escrever sobre o lado de Israel, mas sobre isso é possível ler o tempo todo nos jornais.

Houve reações fortes a Notas Sobre Gaza em Israel?

Não repercutiu muito. Uma jornalista israelense escreveu um longo artigo sobre o livro e aquele período. Não soube de muitas reações. Um dos comandantes com quem falei disse à Associated Press: “Isso nunca aconteceu”. Vi as notas da nossa conversa, e ele não tinha negado. Disse só que não tinha ouvido falar. O que é diferente.

Além de resgatar o passado, você relata fatos no presente, como as demolições de casas palestinas próximo à fronteira por forças israelenses…

Bem, não podia deixar de fora o que estava vendo porque, em última instância, eu estava lá e vi tudo. Alguém tinha que registrar aquilo de alguma maneira. As demolições agora também fazem parte da história.

Houve algum trecho específico da história que tenha sido mais difícil de retratar?

Perto do final, quando mostro as pessoas pegando os corpos depois dos massacres, as mulheres removendo os corpos. Foi muito difícil. Tive que fazer daquilo uma passagem curta porque me senti nauseado de desenhar tantos cadáveres, era uma coisa tão repulsiva…

Mas, mesmo com o traço tão realista, com imagens que chocam, você evitou uma certa morbidez que seria possível ao retratar os massacres.

Bem, não queria esfregar tudo na cara dos leitores. A coisa boa do desenho é que serve como filtro. Não sei quanto a você, mas se eu visse um filme com aquelas imagens… É de deixar doente. Mesmo fotografias, seria difícil ver um livro com fotografias de situações como aquelas. Com desenho, não se pode dizer que seja agradável, mas é possível olhar. Além disso, até onde sei, não há fotos daqueles massacres. Com o desenho, com acesso a fotografias de como eram as pessoas ou os campos de refugiados, você pode até certo ponto recriar isso.

Esse cenário conflituoso você já tinha retratado em Palestina. Como começou a se interessar por aquela região?

Quando estava no colégio, eu associava palestinos com terrorismo porque toda vez que ouvia falar neles tinha a ver com bombas ou ameaças. Então fui estudar jornalismo, e, quando comecei a entender o que acontecia no Oriente Médio, me dei conta: os americanos sempre se colocaram como os grandes expoentes do jornalismo, mas nunca me contaram direito o que está acontecendo. Eu me senti traído pela minha profissão. Então, nos anos 80, quis tirar essa história a limpo. Não estava certo do que veria, mas achei que podia retratar minhas experiências na Palestina.

E foi daí que veio a ideia de fazer jornalismo em quadrinhos?

Bem, Palestina foi o primeiro exemplo disso. Não estava pensando em criar uma nova… forma de arte ou seja o que for. Não foi uma decisão consciente, foi meio orgânico. Pensei: vou viver essas experiências, falar com as pessoas, anotar e colocar isso junto. É claro, eu tinha o background jornalístico e isso teve impacto no formato que a coisa tomou, mas só depois comecei a pensar mais claramente no que estava fazendo. Foi na história sobre a Bósnia (Gorazde) que comecei a pensar conscientemente em jornalismo em quadrinhos.

Antes disso, quais eram suas influências como quadrinista?

Provavelmente minha maior influência foi Robert Crumb. Meu desenho era meio parecido com o dele e, a certa altura, achei que devia desenhar de maneira mais realista. Não sei, nunca estudei arte, só tentei tornar mais realista. Meus desenhos sempre serão cartuns, porque foi como comecei. Não consigo desenhar melhor do que desenho e está bem assim, acho que está realista o suficiente.

Você teria interesse em criar uma história de ficção?

Sim, tenho grande interesse. Para ser honesto, estou meio cansado de fazer jornalismo. E passei sete anos fazendo esse livro. Há outras coisas que gostaria de experimentar. Algo mais satírico, engraçado, ou um ensaio, teologia, filosofia, não sei bem.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Os maiores clássicos de Batman - Primeira parte

Como eu havia prometido, segue uma rápida reseha de algumas das mais importantes histórias de Batman já lançadas no Brasil. Não deixe de procurar no sebo mais perto da sua casa.

Vítimas inocentes
A história mostra Batman viajando a um país cujo nome lembra as repúblicas do leste europeu, para investigar a morte de um funcionário das indústrias Wayne, vítima de uma mina terrestre, e o desaparecimento de sua filha. Com roteiro de Dennis O’Neil e desenhos de Joe Staton. A história foi publicada originalmente em 1996 pela DC Comics, em parceria com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos e com o Fundo das Nações Unidas para a Infância e distribuída para milhões de crianças na Bósnia, América Central e Kosovo. O rendas pela comercialização da revista foram revertidas a entidades de combate às minas terrestres. A edição brasileira, lançada em 2003 pela Mythos Editora, reúne ainda uma série de informações sobre a campanha mundial pela erradicação de minas terrestres.


Absolvição
Batman empreende uma busca através de três continentes para achar uma mulher que dez anos antes havia sido responsável por um atentado às empresas Wayne. A personagem Jennifer Blake tenta encontrar o perdão para seu crime trabalhando como voluntária no atendimento de crianças e idosos na Índia. A história tem roteiro de J.M DeMatteis e desenhos de Brian Ashmore. Aliás, a arte desta revista é o seu ponto alto. Brian usa um jogo de luz e sombras que confere dramaticidade à narrativa. A edição brasileira foi lançada em 2005 pela Panini.

O Estigma do Batman
Uma inusitada história de Batman onde o homem morcego não aparece uma única vez. O roteiro de Christopher Golden e Tom Sniegoski apresenta um jovem com deficiência mental leve que vive um mundo de fantasia e se considera o próprio herói em pessoa. Para salvar seus amigos em perigo ele enfrenta as gangues do bairro e acaba espancado na rua. Além do roteiro criativo, o traço de Marshall Rogers é refinado, com um toque de humor. “O Estigma...” foi lançado no Brasil pela Mythos Editora em 2002.

O Messias
A história tornou-se um dos maiores clássicos de Batman. Lançada originalmente no Brasil em 1989, “O Messias” foi reeditada em 2007. O roteiro é assinado por Jim Starlin e a arte é de Bernie Wrightson. A história mostra o homem morcego enfrentando um fanático religioso que usa alucinógenos para subjugar uma legião de seguidores. O próprio Batman é submetido a elevadas doses de droga e se transforma em um corrompido seguidor do misterioso líder Blackfire. Messias revelou aos fãs uma face poucas vezes vista do herói.

Batman Ano 100
Publicada em dois volumes, a história do premiado Paul Pope e José Villarrubia mostra o personagem Batman ambientado em uma Gotham futurista, em 2039. Em um mundo totalitário, dominado por uma polícia psíquica, o homem de capa ressurge 100 anos depois da sua primeira aparição como símbolo de um passado de resistência. A revista foi lançada pela Panini e teve como mérito revelar aos leitores brasileiros o trabalho do fabuloso artista Paul Pope.

Batman Houdini
O maior mágico de todos os tempos se une ao maior de todos os detetives. Ambientada no ano de 1907, a história mostra o mágico e Batman juntos para encontra e prender o misterioso assassino de crianças nas ruas de Gotham. O roteiro é assinado por Howard Chaykin e John Francis Moore e os desenhos são de Mark Chiarello. A edição brasileira foi lançada em 1995 e se tornou um item de colecionador.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Camelot 3000 - clássico revisitado



Uma grande notícia! 

A editora Panini anuncia o relançamento de um dos maiores clássicos da História em Quadrinhos: Camelot 3000. Lançada originalmente no Brasil na década de 80, a história tornou-se uma lenda ao lado de Watchmen, V de Vingança, O Cavaleiro das Trevas e Piada Mortal – todas elas publicadas nos anos 80.   

Camelot 3000 traz a história do Rei Artur e sua távola redonda transposta para o futuro. Os autores Mike W. Barr e Brian Bolland criam uma trama revolucionária para a época, inclusive com cenas explícitas de homosexualidade. Com a terra invadida por criaturas alienígenas, Artur e seus companheiros vão travar uma batalha com armas futuristas para salvar o planeta.

Uma pedida imperdível para quem quer ter na estante uma das obras fundamentais da Nona Arte e que influenciou uma legião de artistas nos anos seguintes.

A expectativa fica por conta da qualidade gráfica desta reedição e do preço que a editora deve colocar em capa. A última reedição de Camelot 3000, pela Editora Mythos, foi alvo de muitas críticas pelo preço e pela qualidade da 
revista (papel, tinta...)

Agora é torcer os dedos e aguardar...