quarta-feira, 12 de maio de 2010
O Muro
É bem possível, ampliando o que se indica no prefácio de Simone Bitton a este livro, que o nome de Mahmoud Abu Srour deveria estar contemplado na capa deste livro. Explicamos. Apesar deste livro ser escrito e desenhado por Maximilien Le Roy, na verdade a história é contada na primeira pessoa, e acompanhamos a vida de um jovem palestiniano, habitante em Gaza, que se chama Mahmoud Abu Srour, trabalha na mercearia da família, e que sonha com duas coisas: as jovens estrangeiras que ali trabalham e se relacionam com ele, por vezes amorosamente, e com uma carreira de artista, ilustrador, desenhador, banda desenhista... Tudo nos leva a crer que Mahmoud não é uma invenção, mas sim um jovem homem, real, tangível, com quem Le Roy rapidamente nutriu uma forte amizade e, juntos, construíram esta história: afinal, toda a sua matéria, inclusive algumas partes gráficas – os desenhos do próprio Mahmoud – são do palestiniano. O autor francês moldou tudo isso na forma deste livro, que nos é apresentado.
Não obstante, estando longe da sua confirmação (não fizémos entrevista, investigação directa, perguntas), poderemos eventualmente também estar perante um exercício de ficção, de auto-ficção ou de algum grau de alteração da verdade, por razões de justeza, justiça e protecção. Tal qual como Joe Sacco alterará parte das entrevistas e reportagens que faz para proteger as suas fontes de eventuais represálias, é bem possível que Mahmoud também seja uma confluência de outras pessoas. Ou não. Não temos modo de o saber com precisão.
Seja qual for a verdade, Faire le Mur coloca no seu centro a vida quotidiana e as aspirações deste jovem. Gaza não é mais do que uma prisão, um apartheid a seu modo, e todos os seus habitantes têm as suas histórias, projecções, medos, raivas, aspirações e fantasias. O último livro de Sacco, Footnotes in Gaza, de que falamos aqui, dá voz directa a muitas dessas pessoas, ainda que essas múltiplas vozes sirvam para criar a umagem unida de um evento histórico circunscrito. Faire le Mur apenas segue um jovem, que pensa as coisas, que não quer guardar rancores, nem se vitimizar, nem pedir simpatia ou pena de ninguém. Mahmoud quer apenas viver a sua vida como pessoa digna e, por mais que caia, voltar-se-á a levantar para retomar o caminho (e são vários os momentos em que percebemos as suas quedas, sem que jamais sejam transformadas em momentos melodramáticos, de queixume fatídico).
O autor francês emprega várias matérias gráficas para dar a ver essa experiência: há uma linha mais contínua de desenhos num desenho nervoso, mas realistas, de contornos “riscados”, e numa escolha relativamente reduzida de cores – vários tons da azeitona que por ali cresce?; há uma outra, de abordagens mais esboçadas, quase de apontamentos infográficos, esquematizados, de coloração incompleta, que servem para a representação de episódios históricos, ou figuras icónicas culturalmente reonhecíveis, como momentos-chave da história local ou mundial (quantas vezes estas se confudem na luta pelos direitos do homem), personagens importantes (para bem ou para mal), ou até mesmo pela amalgamação de lutas e princípios; há ainda momentos de vinhetas em branco, apenas co contornos a preto, que servem para mostrar momentos anteriores, analepses, lembranças relatadas; existem pequenos momentos, ilhas de acalmia de fim de tarde, em que os desenhos ganham cores mais densas, sombrias, e se nota perfeitamente a textura do papel sobre o qual se desenhou, texturas meio-reveladas por deslizar o lápis ao de leve, quase exclusivamente para passeios pela natureza, em silêncio, contemplativos (mas a diferença é quase mínima da linha principal); e finalmente existem os desenhos de Mahmoud, de vivas cores expressivas, sobretudo vermelhos, a lápis de cor, com uma figuração estilizada e quase alucinada, sem concentração realista, onde irrompem olhos e braços e movimento, como se quisessem dizer muito mais daquilo que aparentam dizer.
Algures no prólogo, a autora fala de “generosidade” de Maximilien Le Roy. Bom, discordemos. Essa generosidade seria mais clara se o nome de Srour estivesse na capa, como co-autor, que de facto é. Não poderemos inverter os factores? A generosidade não será do jovem palestiniano, ao emprestar a voz ao autor francês? Não é tanto Le Roy que “dá a voz” a Srour, como ocorre no caso do jornalista-Sacco em relação aos entrevistados em Gaza, mas sim a do homem-Srour ofertando matéria de expressão ao autor-Le Roy para este seu livro. A direcção é convergente entre os dois, no fim da jornada.
O livro ainda é complementado por vários “anexos”. Em primeiro lugar, e no seguimento preciso da narrativa principal, um breve conjunto de fotografias pessoais da vida de Mahmoud, que lhe confirmam a existência e são reveladoras da felicidade da vida familiar – fotos antigas da mãe (?), dos pais (?), dele em criança (?), com o irmão (?). Segue-se uma pequena reportagem fotográfica de Maxence Emery sobre os aspectos de controlo social da parte do exécrito israelita sobre a vida em Gaza, inclusive acções de protesto e a sua própria prisão (para identificação). Uma entrevista-conversa ilustrada com Alain Gresh, importante autor de livros afectos à questão israelo-palestiniana, à relação entre o Islão e a nossa modernidade, e editor do Le Monde Diplomatique. E ainda uma pequena lista de livros aconselhados por le Roy, quer contemplando ensaios e livros históricos, como romances, entrevistas e bandas desenhadas: Sacco, Squarzoni, Spiegelman e Mazen Kerbaj, cujo Beyrouth saiu na L’Association. Tudo isso são elementos que contribuem para o mesmo fito político de Faire le Mur, evidentemente, sublinhando a justeza da realidade retratada, ou forçando a ideia de verdade da sua ficção.
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Museu Italiano de Quadrinhos faz campanha publicitária
A campanha se utiliza de algumas das mais famosas pinturas da história para propor uma brincadeira, em formato de tirinhas de jornal. Confira algumas das peças ...
A teoria do Caos
Uma borboleta que bate asas na China pode provocar um tornado em Nova York... Esta frase, que vem sendo citada por ambientalistas nas últimas décadas, é uma interpretação popular para uma teoria que vem se fortalecendo e ganhando espaço – desde as universidades aos livros de auto-ajuda: a Teoria do Caos ou Teoria da Complexidade.
O esforço e esmero técnico de Pierre Schelle são recompensados. O traço do artista é refinado, detalhista e atento à complexidade de cada quadro. O resultado se assemelha a um novelo que vai lentamente sendo desenrolado. Todos os personagens e acontecimentos estão ligados entre si... O autor faz uma proposta ao leitor e elabora o roteiro da história de modo a brincar com os conceitos. O primeiro capítulo do livro, intitulado "Efeito Borboleta" propõe uma leitura dos impactos do bater de asas de uma borboleta na China sobre um tufão em nova York. A segunda história "O fator Humano" mostra que a evolução não é fruto da sorte, mas do caos: "a natureza aborrece o vazio. E, se consideramos que o homem está no topo da evolução, então o homem é o maior propagador de caos do Universo". Por último, Pierre Schelle joga com a Lei de Murphy e nos propõe uma reflexão bem humorada sobre o caos que adviria de uma "revoada" de borboletas: "Por causa de uma borboleta, nasceu o 130º Prêmio Nobel da Paz; por conta de uma segunda borboleta, foi eleito no Vaticano o primeiro Papa negro da história e uma terceira borboleta ocasionou a primeira eleição democrática na Birmânia...Confira um documentário da TV Britânica BBC sobre a Teoria do Caos:
domingo, 18 de abril de 2010
Anos loucos – a história de Kiki
A leitura de Kiki é uma oportunidade imperdível para conhecer mais sobre os anos loucos e a Paris dos anos 20 e 30. Confira abaixo algumas fotos e pinturas inspiradas em Kiki.
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Bordados – como ser uma mulher no Irã
Como ser mulher em um mundo onde apenas os homens podem tudo e a elas é reservado – unicamente – o papel de obedecer: ao pai, aos irmãos, ao marido, aos anciãos? Como resistir a uma cultura onde meninas de 13 anos são dadas como esposas a homens de 69 anos? Como sobreviver à opressão de um machismo perverso?
A quadrinista iraniana Marjane Satrapi tornou-se a mais importante porta-voz das mulheres do oriente a partir da publicação do seu primeiro livro “Persépolis”. Através das suas memórias pessoais e da família, a autora relembra a história recente do Irã dos aiatolás: a queda do Xá (que governava o país com uma tendência “europeizante”), a ascenção dos radicais religiosos, o fim do liberalismo cultural... O livro, que só na França vendeu mais de 400 mil exemplares, teve uma versão para cinema que concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2008.
Depois de Persépolis, Marjane repetiu a mesma fórmula com “Frango com ameixas” que conta a história do tio músico, que não consegue se adaptar ao radicalismo religioso. E agora lança no Brasil, pela Companhia das Letras, o seu terceiro livro: “Bordados”.
O romance gráfico investiga as lembranças e traumas das mulheres da família Satrapi e de suas amigas mais próximas. Em volta do samovar (uma peça tradicional no Irã, onde é servido o chá), oito mulheres se reúnem para contar suas histórias de dor, medo, humilhação e superação. Com um humor sutil e seu traço ingênuo (quase infantil), Marjane nos mostra como as mulheres iranianas conseguem tornar-se donas dos seus próprios destinos. Apesar de tudo, elas conseguem amar. Driblam a opressão de seus maridos, fazem cirurgias plásticas, traem, riem e fazem graça com sua própria condição. A autora faz um libelo feminista, sem cair no discurso panfletário.
sábado, 10 de abril de 2010
Limpeza de Sangue - as aventuras de Diego Alatriste
“Nos cárceres secretos de Toledo pude aprender, quase a custo de minha vida, que nada há de mais desprezível, nem perigoso, que um homem mau que toda noite se deita com a consciência tranquila. E ainda resulta pior quando atua como intérprete de uma só palavra, seja o Talmud, a Bíblia ou o Alcorão. Desconfie sempre de quem é leitor de um só livro.”
Mais uma vez o jovem Iñigo Balboa nos conduz pelas tortuosas ruas da Madri do século XVII, "com suas míseras luzes e suas ardentes sombras". O segundo livro da série de aventuras do capitão Diego Alatriste, escrita pelo espanhol Arturo Pérez Reverte, nos leva novamente a um cenário de traições, intrigas palacianas, corrupção e morte na Espanha de Felipe IV.
A Europa – e a Espanha, em especial – viviam ainda sob o regime de medo e intolerância da Inquisição. Os autos de fé atraíam milhares de pessoas, desde a aristocracia até a população dos menores vilarejos. Quando celebrados em Madri, os autos eram presenciados pelas majestades reais. Nestes “espetáculos”, judeus muçulmanos, homossexuais, bígamos, protestantes e acusados de bruxaria, eram mortos em fogueiras, para delírio do público.
Neste período, vigorou uma política que ficou conhecida como “Limpeza de Sangue”, quando foram impostos regulamentos que impediam a judeus conversos ao cristianismo (e, logo depois toda ordem de pessoas condenadas pela Inquisição) e a seus descendentes de ocupar postos e cargos em diversas instituições – seja de caráter religioso, militar, universitário e civil.
“A perseguição levou a uma interminável caça às bruxa, completa com denunciantes pagos, vizinhos bisbilhoteiros e uma racista “limpieza de sangre”. Judeus conversos eram apanhados por intrigas e vestígios de prática mosaica: recusa de porco, toalhas lavadas à sexta-feira, uma prece escutada à soslaia, freqüência irregular à igreja, uma palavra mal ponderada. A higiene em si era uma causa de suspeita e tomar banho era visto como uma prova de apostasia para marranos e muçulmanos. A frase “o acusado era conhecido por tomar banho” é uma frase comum nos registros da Inquisição. Sujidade herdada: as pessoas limpas não têm de se lavar. Em tudo isto, os espanhóis e portugueses rebaixaram-se. A intolerância pode prejudicar o perseguidor (ainda) mais do que a vítima. Deste modo, a Ibéria e na verdade a Europa Mediterrânica como um todo, perdeu o comboio da chamada revolução científica”.
É neste contexto que Arturo Pérez Reverte insere o seu protagonista, Diego Alatriste. Um homem que, segundo o narrador da história – Íñigo Balboa, “não era o homem mais honesto, nem o mais piedoso, mas era um homem valente”. Um personagem com um talento inigualável de se meter em confusões.
No primeiro volume da série, já comentado neste blog, o espadachim se vê envolvido em uma trama palaciana para assassinar o herdeiro do trono da Inglaterra e acaba atraindo para si a ira da Igreja e de setores da aristocracia.
No segundo livro, Diego Alatriste e seu protegido Iñigo, são arrastados para dentro da Inquisição Espanhola. O próprio narrador é preso, torturado e interrogado nas masmorras. A única coisa que pode salvá-lo da fogueira é a sua pouca idade: o pajem de Diego tem apenas 14 anos.
Sombra e escuridão
O romance gráfico baseado na história de Arturo Reverte, tem roteiro de Carlos Gimenez e desenhos de Joan Mundet.
Mundet usa bico de pena e nanquim para reproduzir as ruas, vestuário, móveis e demais elementos que nos remetem ao período do reinado de Felipe IV. Ele não tem o requinte de detalhes de outros artistas autores de romances gráficos com fundo histórico (como Jacques Tardi, Joe Sacco e Stéphane Heuet), mas consegue alcançar uma expressividade no olhar, e no uso de luz e sombra que confere uma força adicional à narrativa.
Alatriste no cinema
A história de Diego Alatriste foi adaptada para o cinema, com Viggo Mortensen no papel principal. Confira um trailler abaixo
sábado, 3 de abril de 2010
Novo livro de Joe Sacco lançado na Europa

Joe Sacco (Malta, 1960) se a convertido en la punta de lanza de ese subgénero dentro del cómic actual para adultos que se puede denominar periodístico. Periodístico no sólo porque trate temas de actualidad, sino porque parte de una investigación de campo, porque contrasta sus fuentes, porque ofrece un comentario siempre comedido y ajustado a los hechos y porque, a pesar de su presencia constante, el autor trata de no interferir entre la historia y el lector. Y en todos estos aspectos, Sacco hace un trabajo magnífico. Tras tres meses de trabajo sobre el terreno entrevistando a los protagonistas de los hechos y más de cuatro años de soledad reflexiva frente al tablero de dibujo, Sacco entrega al público una nueva obra maestra.
En Notas al pie de Gaza, Sacco retoma algunos de los temas que ya describió en Palestina hace casi dos décadas, pero en lugar de centrarse en la situación actual en los territorios palestinos ocupados y los campos de refugiados, echa la vista atrás para desentrañar los hechos oscuros que concluyeron con la matanza de cientos de palestinos civiles a manos de soldados israelíes en noviembre de 1956 en las ciudades de Khan Younis y Rafah. Sacco no es imparcial y no pretende serlo. Habiendo leído Palestina es obvio que sus simpatías están con el pueblo palestino y es su punto de vista y su historia la que el dibujante maltés quiere ofrecer al público. Con la realización de este libro, Sacco pretende por una parte, arrojar luz sobre lo que puede ser haber sido una gran mentira histórica promovida por los israelíes –que la mantaza se produjo ante la resistencia de los palestinos- y al mismo tiempo le interesa excavar hasta dar con las raíces del odio entre los dos pueblos. Esta clave de lectura ya la apunta el propio Sacco en el prólogo cuando reproduce las palabras de un testigo presencial que en 1956 tenía 9 años: “Sembraron el odio en nuestros corazones.” También en el prólogo se hace hincapié en el que será otro de los corolarios a los que llega el lector tras la lectura del libro: “los hechos son contínuos.” Los jóvenes palestinos no entienden la obsesión de Sacco con 1956 cuando hoy mismo sus casas están siendo derrumbadas, sus hay tiroteos diarios, cuando sufren constantes humillaciones. Sin embargo, en muchos aspectos, 1956 no es tan diferente de 2010. La lucha entre los dos pueblos continúa, la balanza sigue estando del mismo lado, la comunidad internacional sigue haciendo la vista gorda, el dolor de ayer se hace indistinguible del dolor de hoy. 1956 es hoy. 
Gran parte de la fuerza de los libros de Sacco, y Notas al pie de Gaza es un ejemplo perfecto en este sentido, es su capacidad para individualizar y humanizar a los personajes –estas notas al pie, al fin desarrolladas- al tiempo que mantiene una actitud aséptica en sus textos de apoyo, transmitiendo al lector lo que podríamos llamar una “verosimilitud dramática”. Esta personalización se obtiene mediante pequeños detalles de su entorno y comportamiento –denotando el buen ojo periodístico del autor- y mediante detallados retratos. Los dibujos de Sacco tienen la capacidad de transportarnos al lugar de los hechos, y mientras sus escenarios extremadamente fieles a la realidad mantienen las perspectivas, las proporciones y son unívocos, los personajes a menudo –aunque menos que en Palestina, por ejemplo- se dibujan en perspectivas forzadas y deformantes que nos recuerdan que en esencia son una interpretación del autor. Este es otro de los temas importantes del libro, la recreación del autor de la historia, que constantemente es cuestionada, poniendo en entredicho tanto sus propias conclusiones como los recuerdos de muchos de los testigos presenciales entrevistados. Su memoria es en ocasiones un puro ejercicio de reconstrucción de la realidad de segunda mano o incluso una remodelación (de)formada a lo largo cinco décadas de sufrimiento. En cualquier caso, a pesar de todas estas consideraciones sobre la fiabilidad del relato que está construyendo, de sus propias motivaciones y de su papel como periodista extranjero, Sacco logra de nuevo componer una narración tan absorbente e informativa como emocionante, conmovedora y humana. Los abundantes textos y el detalle en el dibujo invitan a la lectura sosegada y ayudan a rumiar las ideas que se van apuntando, al tiempo que su claridad expositiva y capacidad de síntesis hacen la lectura fluida y apasionante. Dos de los sentimientos más presentes en el libro, el miedo y la resignación, vienen en gran medida transmitidos por el propio dibujo, que en más de una ocasión remite a los condenados al Infierno en los grabados de Gustavo Doré para La Divina Comedia de Dante. Notas al pie de Gaza es un cómic que no solo se precibe a nivel intelectual, sino que se siente.
Muchos reseñistas ajenos al mundo del cómic han considerado Notas al pie de Gaza como un “libro ilustrado”, tal vez porque no conciben que esta densidad, esta seriedad ensayística pueda darse en un cómic, cuando precisamente su enorme impacto viene dado por el medio que soporta el relato. Cuenta Sacco que, cuando estaba realizando su investigación en Gaza y se topaba con posibles testigos de los hechos, a menudo su guía les mostraba una copia de Palestina. “Cuando abrían el libro veían lo que estaban viviendo. Si hubiera sido prosa, no habrían sabido lo que yo hacía. Gracias a que era un cómic, lo entendían al momento.” Aunque en realidad, el mayor mérito de Sacco es que nosotros lo entendamos.
(do site espanhol Entrecomics)
sexta-feira, 2 de abril de 2010
Jerusalém, cidade dividida

“Jerusalém é uma cidade sagrada onde todos seus habitantes vivem amaldiçoados... Uma cidade feita para Deus, não para os homens.”
Árabes e judeus vivendo juntos na mesma cidade, compartilhando as mesmas lojas, as mesmas ruas, o mesmo café... O sonho de paz em Jerusalém já foi real um dia, quando um milhão de palestinos e cerca de cem mil judeus conviviam em um mesmo e único País - apesar de suas diferenças.
O artista espanhol Alfonso Zapico reproduz em “Café Budapest” um dos momentos mais importantes da história do século XX e que ainda hoje tem reflexo na geopolítica mundial: a criação do estado de Israel. Em uma entrevista concedida ao site da editora espanhola Astiberri, Zapico conta que o conflito entre palestinos e judeus, por sua extrema complexidade, sempre o deixou instigado. Seu desejo era fazer uma novela gráfica que contasse: “Começou tudo”.

Café Budapest é uma viagem no tempo. O leitor é transportado aos últimos meses do ano de 1947, às vésperas da conferência da ONU que decidiria pela divisão da Palestina (então sob domínio inglês). Outros livros de quadrinhos já exploraram, nos últimos anos, o conflito entre na Palestina. Sobre esse tema, o trabalho mais conhecido no Brasil é o do jornalista Joe Sacco, com dois livros publicados sobre a Intifada (Palestina, uma nação ocupada e Palestina, na faixa de Gaza). Sacco é considerado o criador e maior expoente do gênero quadrinho jornalístico, realizando verdadeiras reportagens sobre o drama do povo palestino (o artista não tem qualquer receio em tomar partido por um dos lados em conflito).
Também está disponível no Brasil (pela Jorge Zahar Editor) a série criada pelo artista francês Joann Sfar – O gato do rabino – que igualmente explora a relação entre árabes e judeus, analisando semelhanças e diferenças entre as duas culturas. A série foi transformada em filme e deve estar chegado aos cinemas ainda este ano.

O grande diferencial de Café Budapest é o de enfocar o momento exato da transformação, quando vizinhos – que até então tomavam chá juntos – são obrigados a dizer adeus. Um dos personagens do livro – o árabe Doutor Hassan – chega a acreditar que nunca haveria fronteiras entre os dois povos “porque entre irmãos a terra no se reparte, se comparte”. Mas em pouco tempo os fatos mostrarão que ele estava errado. O próprio Hassan reconheceria sua ingenuidade e concluiria: “Não existe como compartilhar a terra. Imagine a dois irmãos que vivem na mesma casa, em quartos diferentes e continuam convivendo... isso é compartilhar. Mas, se estes irmãos vão de quarto em quarto arrancando a pele um do outro à dentadas e sujando as paredes com seu sangue, isso não é compartilhar, é barbárie”.
Zapico conta a história de um jovem violinista judeu que deixa a Europa do pós-guerra e viaja com a mãe ao encontro do tio que vive na Palestina. A mãe de Yechezkel é uma sobrevivente do campo de concentração de Birkenau (onde o marido e pai de Yechezkel foi assassinado). Shprintza vive em uma depressão e isolamento profundos e guarda um segredo aterrador que só será revelado no final do livro.
O tio de Yechezkel – Yosef – tem um Café em Jerusalém, onde mantém amizade com assíduos clientes árabes. Mas, a situação não é tranquila. Há uma sensação de medo no ar. Uma expectativa, quase um prenúncio dos novos tempos que virão: “Em princípio de setembro, a vida em Jerusalém transcorria relativamente tranquila. Os vizinhos de toda a vida continuam sorrindo e saudando uns aos outros. Até que deixaram de acenar. Logo deixaram de passar pelas mesmas ruas. E finalmente, as portas se fecharam com tristeza... A Jerusalém até então conhecida começa a desmoronar”.
Provocativamente, Zapico coloca os personagens em rota de colisão. Como Yechezkel que acaba se apaixonando por uma garota árabe - Yaiza, e se torna amigo do senhor Hassan (com quem faz duetos de violino e violoncelo ao final da tarde).
Ou autor, ao contrário de Joe Sacco, tenta manter uma distância dos dois lados do conflito. Os extremista de ambos os lados (palestino e judeu) são alvo da crítica de Zapico: a Haganah - uma espécie de milícia armada isralense - e os militantes árabes. Talvez para evitar se comprometer, Zapico prefere não abordar os ataques a civis que se seguiram ao anúncio da criação do estado de Israel. Os primeiros conflitos, os primeiros atentados, os primeiros de muitos morticínios estão retratados no livro. Em especial os confrontos do dia 9 de março de 1948 em que árabes e judeus guerrearam entre as ruas de Jerusalém. Mas o artista silencia diante do ataque à aldeia de Der Yassin, na vizinhança de Jerusalém. A 9 de Abril de 1948, forças isralenses entraram na aldeia e massacraram mais de cem pessoas, homens, mulheres e crianças.
Mas, não é o propósito do artista espanhol construir um relato jornalístico.
Café Budapest é um dos melhores romances gráficos de ambientação histórica lançados nos últimos anos. Uma leitura fundamental para quem quer conhecer um pouco mais sobre a questão palestina.
Neste sentido, recomendo a leitura de um artigo recém publicado na revista Piaui sobre Edward Said, um dos maiores pensadores árabes modernos. Edward, que morreu em 2003, desagradou árabes e judeus com suas teorias e foi um dos primeiros a ter a coragem de anunciar que a única saída real para o conflito é palestinos e judeus voltando a viver juntos sob um mesmo estado.
veja o link http://www.revistapiaui.com.br/edicao_41/artigo_1249/O_cosmopolita_desenraizado.aspx
segunda-feira, 29 de março de 2010
A lanterna dos afogados
Grave bem este nome: Ludovic Debeurme.
Lucille tem uma força narrativa e uma expressividade que o coloca como um dos mais importantes comic books já publicados, ao lado de outras obras de referência, como: Maus, Um Contrato com Deus ou Persépolis.
A história conta a trajetória de dois personagens imensamente complexos: Lucille e Arthur. Ela é uma adolescente anoréxica que sofre com a perda da autoestima e uma relação conflituosa com a mãe. Ele é um garoto desajustado, filho de um marinheiro alcoólatra e que vive rodeado de conflitos. Os dois formam um casal improvável, mas verdadeiro e intenso. Por mais estranho que possa parecer, é para Arthur que Lucille consegue se expor. Ao mesmo tempo, é pela magra e frágil menina que o adolescente se apaixona.
Os dois parecem náufragos agarrados à última bóia salva-vidas: o pai de Arthur, se suicida deixando para o menino a responsabilidade de cuidar da família. Lucille é internada para tratar o baixo peso. O mundo desmorona e um só tem ao outro para se apoiar.
No aspecto gráfico, é impossível ler “Lucille” e não lembrar de outro romance gráfico lançado no ano passado pela Companhia das Letras: “Umbigo sem Fundo”, do americano Dash Shaw. Ludovic usa a página com maestria. Seu traço é minimalista, mas intenso. Com poucas linhas ele consegue recriar toda a atmosfera que envolve o mundo de Lucille e Arthur. Um cenário rude, pobre, desolado...
O primeiro volume do livro (com mais de 500 páginas) ainda não foi lançado no Brasil. Esperamos que, à reboque de lançamentos recentes como o próprio "Umbigo sem Fundo" e "Retalhos" (comic books com mais de 600 páginas cada um), esta obra imperdível chegue ao Brasil.
quarta-feira, 3 de março de 2010
Batman bate Super-homem
Na última semana de fevereiro, um exemplar da Action Comics#1, o quadrinho onde apareceu o Super-homem pela primeira vez e que inaugurou o gênero dos super-heróis em 1938, marcou um recorde histórico alcançando pela primeira vez o valor de 1 milhão de dólares ao ser comprada por um colecionador.
Poucos dias depois, um exemplar de Detective Comics #27, publicado em 1939 e onde Batman fez sua primeira aparição superava por pouco a marca de Superman, alcançando 1milhão e 75 mil dólares.
O mago revelado
Esta dica de leitura vem do site espanhol Entrecomics. Uma entrevista com um dos maiores criadores de roteiros de quadrinhos de todos os tempos: Alan Moore. A entrevista foi publicada na revista espanhola Vice.
Hijo orgulloso de Northampton, la pequeña localidad inglesa en la que aún vive, Moore se fogueó a principios de los 80 en 2000 AD, la principal factoría británica de cómics de ciencia ficción y fantasía. Sus historias para el Juez Dredd reimaginaron el personaje dotándole de complejidades inexploradas hasta entonces. Su propia creación, Halo Jones, fue el primer título del medio en presentar a una protagonista femenina que no era una supertipa con grandes tetas ni una víctima.
A mediados de los 80 revolucionaba los cómics americanos, primero revitalizando un estancado título de DC, La Cosa del Pantano, que Moore convirtió en un libro sobre el examen de la existencia con trasfondo ecologista, y después creando Watchmen, el primer cómic que dio realmente la vuelta al tropo superheroico; una obra maestra de la que se rodó una aciaga adaptación cinematográfica que Moore, por supuesto, ha desautorizado.
Varias reyertas legales sobre propiedad y derechos de sus creaciones más tarde, Moore inauguró su propia línea de cómics, bautizada—no del todo en broma—como America’s Best Comics. Entre 1991 y 1996 produjo From Hell, una personal, bella y siniestra visión de la historia de Jack el Destripador que también se convirtió en una película de mierda que Alan desautoriza. La serie La Liga de los Caballeros Extraordinarios dio comienzo en 1999 y se ha convertido en un libro mastodóntico, torrencial, que mezcla felizmente historia real e imaginada con versiones de nuestra propia realidad. De nuevo película chunga, muy chunga, y desautorización de Moore. En V de Vendetta el inglés nos ofreció su punto de vista sobre el totalitarismo: peli al canto y, claro, desautorización al ídem.
En años recientes Moore ha producido una novela formalmente compleja, La Voz del Fuego (1996), y un poema de largo formato sobre chicas a las que les gustan las chicas y chicos a los que les gustan los chicos titulado El Espejo del Amor (2004). También ha publicado 25,000 Years of Erotic Freedom (2009), que examina exactamente lo que el título indica, y Lost Girls (2006), una creación en tándem con su compañera, Melinda Gebbie, en la que la Wendy de Peter Pan, la Alicia de Alicia en el País de las Maravillas y Dorothy, de El Mago de Oz, viven un montón de explícitas aventuras. Estimulante de verdad.
Actualmente Moore trabaja en una revista underground, Dodgem Logic; en una novela, Jerusalem, y en una guía sobre la magia. Porque, veréis, Moore practica la magia, y no la del tipo conejo-y-chistera. Hace poco le telefoneamos a su casa en Northampton y, al asegurarnos él que tenía una taza de té en la mano y “todos los tés que hagan falta a mi disposición”, quedó claro que Mr. Moore estaba más que dispuesto a hablar con nosotros durante largo rato sobre su trabajo y sus ideas. Y, sí, durante nuestra conversación surgió la magia.
Vice: ¿Podría hablarnos de su más reciente trabajo, Dodgem Logic?
Alan Moore: Dodgem Logic es una colisión agresivamente aleatoria de todo tipo de cosas, ya sean absurdistas piezas de ficción de Steve Aylett o nuevas ilustraciones de Savage Pencil y Kevin O’Neill. Estéticamente, en lo que se refiere a lo formal, surgió de la fascinación por la prensa underground, que es una cultura que precede a la misma prensa impresa pero cristalizó a nivel popular en las décadas de los 60 y los 70, cuando era parte vital de la contracultura.
¿Cuáles eran las publicaciones underground más importantes en Inglaterra en aquellos días?
En Inglaterra, International Times y Oz, que empezó en Australia como revista satírica y después se trasladó aquí, donde se convirtió en algo mucho más controvertido y psicodélico. Aquellos fueron tiempos embriagadores, y la prensa underground fue el pegamento que mantuvo aquel segmento de la sociedad unido y en contacto unos con otros. Sin esos periódicos, el underground habría consistido en un grupo de personas que vestían ropas similares, escuchaban similar música y tomaban parecidas drogas, pero sin un discurso político o cultural coherente.
¿Y Dodgem Logic se concibió como una continuación de esa tradición?
Decidimos hacer de Dodgem Logic una revista de 48 páginas llena de brillantes colores con la intención de reinventar la noción de publicación underground para el siglo XXI. Intentamos constantemente darle un acabado deliberadamente primitivo, tosco. No queríamos que fuese demasiado pulido porque la pulidez puede tener algo de intimidante, levantar una barrera entre la revista y su público.
Algunas páginas están compuestas mediante el método de recortar-y-pegar, lo cual hace que parezca un híbrido entre un periódico underground y un fanzine.
Me tomo eso como un cumplido. Los fanzines fueron una parte vital de la contracultura en la que crecí; de los fanzines de poesía de los años 60 a los de cómic, ciencia ficción y fantasía de los 70, que produjeron gran parte del talento que hoy sobresale en esos géneros. Eran pequeñas publicaciones que poseían una gran energía y eran increíblemente productivas. Puede que eso se debiera a lo fáciles que eran de hacer. Puede que ni mucho menos tan fáciles de hacer como lo es en la actualidad, pero ahora que existe la tecnología para realizar cosas mucho más ambiciosas de las que jamás soñamos, el ímpetu ha desaparecido. Tal vez el grado de pasión que se ponía en Sniffin’ Glue o en cualquiera de aquellos fanzines asociados con el movimiento punk siga existiendo ahora, pero en Internet. No lo sé. Puede que suene anticuado, pero todavía creo que siempre habrá una diferencia entre algo que ves en una pantalla y algo que puedes sostener en tu mano.
Las cosas físicas son mejores. Más reales.
Dan una sensación de artefacto que forma parte de una comunidad y parte de una cultura.
Un tema recurrente en su trabajo, de La Cosa del Pantano a Watchmen, entre otras obras, es el descontento con el gobierno y el inexorable declive de la civilización, junto a la preocupación por la erosión de una comunidad y cultura locales. Dodgem Logic parece un medio más directo de hablar de esos aspectos que abordarlos de forma oblicua a través de los cómics.
Si te digo la verdad, apenas tengo ya nada que ver con los cómics. Sigo dándole vueltas a La Liga de los Caballeros Extraordinarios y dibujo algunas tiras para Dodgem Logic, pero me he desvinculado de la industria del cómic. Ya no me considero parte de ella.
¿Sería factible llevar a un formato de cómic los asuntos que trata en Dodgem Logic?
Sí, sería factible hacerlo en modo cómic. Sin embargo, aunque eso sin duda encantaría al público habitual del cómic, los asuntos que abordamos en Dodgem Logic no llegarían a un público más amplio. Debo señalar que Dodgem Logic no es una revista que hable específicamente sobre Northampton. Tomamos la ciudad como referencia porque es aquí donde vivimos varios colaboradores y yo, pero partimos del punto de vista de que Northampton está en el centro exacto del país geográfica, política y económicamente. Es un buen modelo de representación de cualquier otra ciudad. Las calles principales están muertas, las tiendas están cerradas; no hay vida. El ayuntamiento abusa de los ciudadanos y hay basura por todas partes.
¿Qué le ha movido a encarar estos temas de un modo tan directo precisamente ahora? No es que en los 80 careciéramos de problemas sociales...
Hace un par de años contactó conmigo un grupo de ex delincuentes juveniles que trabajaban entonces en el campo de la música en Burrows, el área de Northampton donde yo nací, crecí y en el que está ambientada buena parte de mi próxima novela. Habían decidido que querían hacer una película sobre esta zona tan deprimida y, sabiendo que yo era de allí, me preguntaron si no me importaría dejarme entrevistar, y que la entrevista apareciese en la película. Trabajaban en colaboración con el Museo Central de Northampton; me pasé por allí, nos conocimos y nos llevamos tan bien que me propuse mantener el contacto con ellos más allá de la duración de aquel proyecto inicial, de manera que empecé a visitarles cada semana en las oficinas del CASPA, una organización de apoyo a la comunidad que estaba haciendo un brillante trabajo en la zona. Me reunía con ellos y con su coordinadora, una mujer joven y maravillosa llamada Lucy, e inevitablemente les contaba cosas acerca de la escena local, de los clubs de arte y cultura underground que había en la ciudad cuando yo era joven, y lo mucho que contribuyeron a moldearme, a convertirme en la persona que soy. Les explicaba también que producíamos revistas y fanzines y organizábamos veladas de lectura de poesía y cosas por el estilo. Estoy seguro de que mis historias les resultaban muy aburridas, pero las ideas parecieron cuajar. Resolvieron producir una revista por su cuenta, a la que yo contribuiría. Deseábamos, tanto los chicos como yo, hablar de algunos de los auténticos problemas que afectaban al área; lo malo era que probablemente no pudiéramos porque la subvención para hacer la revista procedía del ayuntamiento. Aun así, decidieron intentarlo. Yo escribí un artículo titulado “Los Destructores”. Trataba de la antigua planta incineradora, que estaba en Burrows. Allí era, en tiempos pasados, donde se eliminaban las basuras de toda la ciudad.
Un detalle revelador.
El mensaje respecto a lo que al ayuntamiento le importaban los habitantes de la zona estaba claro. Y, aunque la incineradora se clausuró en los años 30, el mensaje sigue pudiéndose aplicar hoy. Allí es donde el ayuntamiento envía todo aquello de lo que no se quiere ocupar: inmigrantes, ex convictos y personas que han estado en hogares de acogida. Toda la gente problemática termina hacinada en Burrows, a menudo en edificios condenados por los servicios antiincendios. Suceden cosas horribles cada día.
¿Y vetó el ayuntamiento el artículo?
Sí. Dijeron que no lo podíamos publicar porque el tono era crítico con ellos. Lucy y yo les propusimos entonces que ella trabajara en CASPA tres días a la semana y que los otros dos los dedicara a trabajar conmigo en una revista independiente. El ayuntamiento no tardó en decirle que si dedicaba dos días a trabajar en una revista independiente, no conservaría su empleo en el ayuntamiento. En ese punto me dije que ya había aguantado bastante: me harté e invité a Lucy a trabajar conmigo en Dodgem Logic a tiempo completo. Los temas de los que hablamos son importantes, y la revista ofrece un lugar en el que estas cosas se pueden debatir. No estamos atados por restricción alguna y decimos lo que queremos. Tampoco es nuestra intención deprimir a la gente, así que intentamos incluir, sin descuidar lo social y lo político, tanto material genuinamente entretenido como nos sea posible. Es una estrategia para ayudar a la gente a superar tiempos difíciles: darles la información que necesitan, pero también algo con lo que se lo pasen bien.
Es una buena causa.
En los últimos años no he hecho mucho más que pasear por el barrio. Encontrarme la buena gente que vive allí atravesando una situación tan penosa hizo que me decidiera a producir algo cuyo foco estuviese precisamente allí, en ese área. En cuanto a privación social, Burrows ocupa uno de los puestos más altos del Reino Unido. Hay áreas parecidas en todo el país, pero se las esconde debajo de la alfombra. Además, estoy ligado emocionalmente a Burrows. Siempre lo he estado. Vi la oportunidad de producir algo bonito y útil que partiera de ese entorno, creando al mismo tiempo un modelo para otros áreas similares.
En el pasado, tanto en su trabajo como a título personal, usted ha defendido la anarquía. ¿Sería esa su respuesta a los problemas sociales de los que se habla en Dodgem Logic?
Bueno, para el segundo número quiero escribir un artículo de introducción a la anarquía y explicar cómo se podría poner en práctica en nuestra situación actual. Es decir, que sí. Una de las cosas que deseo explicar es el principio de la lotería ateniense y el concepto de la selección por azar. Básicamente, éste dicta que cualquier asunto que deba resolverse a nivel nacional o administrativo lo juzgará un jurado designado mediante una lotería. Los miembros de ese jurado pueden provenir de cualquier ámbito del mundo de la cultura, y su selección depende únicamente del azar. Los pros y los contras del caso a resolver les son presentados y ellos escuchan, debaten y después votan. Tras emitir su decisión, dejan de formar parte del jurado. Regresan a la sociedad y, para el caso siguiente, se designa un jurado distinto. Para mí, ese sistema se aproxima a algo parecido a la democracia, que es algo que en estos momentos no tenemos. La palabra “democracia” viene de “demos”, el pueblo, y “cratos”, gobernar; es decir, “el gobierno del pueblo”. No dice nada de los representantes elegidos por la gente que está al mando, que es el sistema bajo el que actualmente vivimos. Pasándonos a algo próximo a la selección por azar crearíamos un sistema libre de muchos de los abusos de nuestro actual modelo de gobierno. Resulta bastante difícil comprar el favor de un jurado si no sabes quiénes son las personas a las que tienes que camelar. También haría difícil que ese cuerpo decisorio temporal actuase en su propio beneficio; tendría más sentido que actuaran en beneficio de esa sociedad a la que tendrían que retornar en breve.
Es interesante. Tiene elementos tanto de la democracia como de la anarquía.
Sí, cuadraría el círculo entre las ideas de anarquía y de gobierno. Mi definición de anarquía es la de los antiguos griegos: sin líderes. Es difícil pensar en una sociedad ordenada que se ajuste a ese ideal; todo y así, con la lotería ateniense no habría líderes sino individuos tomando decisiones equilibradas. Sé que adoptarla implicaría tener que acometer un montón de cambios constitucionales, pero me gusta sacar la idea a colación de manera que sea una posibilidad, algo de lo que se pueda hablar. Es evidente que nuestra presente forma de gobierno no funciona, y no podemos seguir poniendo parches a un sistema inherentemente defectuoso. Puede que haya llegado la hora de cambiar a un nuevo modelo en lugar de continuar manteniendo en marcha un vehículo que ha llegado al final de su vida natural.
¿Tratará también estos temas en sus obras de ficción? Lo pregunto porque Dodgem Logic trata de su entorno local de un modo muy directo, y la acción de su próxima novela, al igual que la primera, transcurre en ese área.
Hasta cierto punto. Ambos métodos se complementan. Dodgem Logic y Jerusalem se ocupan en esencia del mismo vecindario y territorio, pero de modos radicalmente diferentes. La experiencia de leer un número de Dodgem Logic será muy distinta a la de leer un capítulo o dos de Jerusalem. Dodgem Logic soy yo tratando de hacer algo inteligente pero a la vez accesible. En cuanto a Jerusalem, no me importa si a alguien le gusta o no, porque lo que pretendo es componer la mejor pieza literaria que me sea posible. Jerusalem es algo entre el mundo y yo. Si nadie la lee, el problema será mío, mientras que con Dodgem Logic creo importante que la gente conozca los temas de los que estamos hablando y se haga preguntas sobre ellos. Tanto la novela como la revista pretenden vitalizar y reinventar el vecindario, lo único que varía es el contexto. Con Dodgem Logic deseo, práctica y literalmente, infundir vigor al área y darle algo a sus gentes. Jerusalem está más cerca de lo que Iain Sinclair logró con su maravilloso libro Hackney, That Rose-Red Empire: capturar la esfera de nieve del Hackney que se estaba desvaneciendo justo debajo de sus pies; preservar la personalidad y la historia del barrio antes de que las apisonadoras les pasaran por encima para dejar sitio a la Villa Olímpica. Con la ficción tienes un medio, quizá el único, bien de resucitar, bien de preservar los lugares que están condenados a desaparecer; si no hoy, entonces mañana.
El concepto de preservar el pasado mediante la ficción es muy patente en La Liga de los Caballeros Extraordinarios. Cada viñeta está atiborrada de referencias históricas y culturales.
Con La Liga…, de la que por cierto puedo decirte que hoy mismo he terminado de escribir el tercer volumen, lo que intentamos crear es, a través de la ficción, un Arca de Noé cultural en la que todos los grandes escritores y todas las grandes ficciones que Kevin y yo creemos dignas de preservación sigan vivas algún tiempo antes de que acaben hundiéndose en el pozo del desconocimiento.
La Liga… existe en un extraño lugar entre la ficción y la realidad.
Totalmente cierto. Tenemos una realidad muy bien definida y se vuelve más y más sólida a medida que avanza la trama. Probablemente sea, por definición, la más larga y compleja línea de continuidad de la historia de la literatura, ya que subsuma las continuidades de cada personaje individual.
Incluye tantos personajes de ficción y sus respectivas historias que resulta impresionante que mantenga una cohesión.
Intentamos que todas esas fuentes de inspiración -todas esas ficciones, cada una de una época determinada-, encajen en nuestra línea de continuidad final. Tienes, por tanto, un mundo que los nazis consiguieron invadir y en el que Fu Manchu es real, pero que al mismo tiempo refleja nuestro propio mundo y su desarrollo. Puede que se trate de un espejo distorsionante, pero ayuda a ordenar nuestra percepción del mundo en el que vivimos. Vendría a ser un espejo onírico. Nuestra realidad no es como la de La Liga…, pero hubiera podido ser así tal como la soñamos, como la imaginamos mediante la ficción. Nos permite ver lo que podría haber sido y a lo que podríamos haber aspirado. Es la otra mitad de la historia.
Ajá.
Y también hay en la serie historia auténtica, pero esa es, en sí misma, otra clase de ficción. Luego está el tipo de historia que se presenta en nuestro arte, en nuestra literatura. La cual, en un sentido psicológico y peculiar, es más auténtica y fiable que la historia convencional, la que supuestamente se basa en los hechos y que bien podría no ser cierta en sentido alguno. A lo largo de La Liga… hemos creado la sensación de que la ficción es el cimiento sobre el que la humanidad se apoya, y que el mundo real está en última instancia basado en la ficción.
¿Cómo logra introducir tantas referencias literarias y culturales en La Liga…?
Son mis intereses y los intereses de Kevin y el resultado de una investigación que ambos hicimos cuando dimos con el concepto. Después nos pusimos a pensar seriamente en lo que sucedería si ésta fuese una historia en la que se pudiera incluir cualquier cosa procedente del mundo de la ficción. Esto significaba que necesitaría su propia geografía, que abordamos en el apéndice del segundo volumen. Y necesitaría también su propia historia, algo que resolvimos en The Black Dossier. Por ejemplo, en nuestra realidad ficticia no tenemos a un Adolf Hitler; en su lugar está el Adenoid Hynkel de El Gran Dictador, de Charlie Chaplin. En nuestra realidad, M, el líder del M15, resulta ser el Harry Lime de El Tercer Hombre, la novela de Graham Greene, quien basó su personaje en un amigo suyo de toda la vida, un auténtico espía llamado Kim Philby que desertó para pasarse al bando soviético. Decidimos que Harry Lime fuese un seudónimo de Robert Sherry, uno de los personajes que asistían a la Greyfriars School en los libros de la serie de Billy Bunter.
Qué locura.
A continuación decidimos hacer de Harry Wharton, el líder del grupo en Greyfriars, el Gran Hermano de George Orwell. También convertimos Greyfriars en una escuela pública inglesa en la que se recluta gente para el servicio secreto, algo que casa de forma muy fluida con la historia real. Lo que hizo que encajara fue descubrir que hubo un encontronazo entre Frank Richards, el autor de las historias de Billy Bunter, y George Orwell, que escribió un ensayo acerca de cómo los libros de Bunter representaban todo lo malo del imperio británico. Frank Richards cometió el desastroso error de escribir una réplica a Orwell en la que respondía a las acusaciones de presentar a los extranjeros de un modo en cierta manera cómico diciendo simplemente, “Es que lo son”. Ese vínculo entre realidad, ficción, y ficción debatiéndose en el plano real, convirtió en pertinente nuestra pequeña vuelta de tuerca.
Tanto La Liga… como V de Vendetta nos enfrentan con sendas distopías fascistas. ¿Alguna vez ha sentido temor de que futuros de ficción como los imaginados por usted se conviertan en una realidad?
No. Por supuesto, podría estar completamente equivocado y, de hecho, creo que aún nos tiene que provocar muchos disgustos, pero estoy convencido de que la raíz del fascismo consiste en una ignorancia tan profunda que veo imposible que pudiera lidiar con las realidades del siglo XXI. Es un concepto demasiado simple; carece de la complejidad necesaria para tratar con las caóticas realidades que se dan a diario en el mundo y el panorama de hoy. Sólo es efectivo a un nivel matón y callejero; lo cual, eso sí, puede darle muchos problemas a los grupos minoritarios y a los marginados. El fascismo es una realidad terrible para muchas personas, pero como fuerza política, a los fascistas no se les puede tomar en serio. Estoy de acuerdo con [el cómico] Reginald D. Hunter, quien dijo que “hay que dejar a los fascistas que hablen”. Permitirles hablar en público no les supondría ninguna ayuda. Su voz es tan chillona y desagradable que no obtendrían ningún beneficio electoral. Si intentas silenciarles, les das la oportunidad de alegar que están siendo oprimidos por la élite liberal.
¿Qué podemos esperar de Jerusalem? ¿Retomará los temas que ya trató en su anterior novela, La Voz del Fuego?
Ciertamente Jerusalem tendrá elementos en común con La Voz del Fuego, y seguirán habiendo elementos de experimentación formal, pero estructuralmente no será lo mismo. Jerusalem estará dividido en tres libros. Confío en que las tres partes aparezcan en un sólo volumen. La primera parte será reminiscente de La Voz del Fuego en tanto que irá pasando de un personaje a otro a lo largo de épocas diferentes y estará escrito en pretérito indefinido y tercera persona. El segundo libro tendrá una línea narrativa desarrollándose capítulo a capítulo, pero en él hago unas cuantas cosas peculiares con el lenguaje y la perspectiva, además de ser la sección en la que tienen lugar los elementos más fantásticos de la novela: la mayoría de los protagonistas son niños o fantasmas de niños muertos. En esta segunda parte hay también un paraíso de clase obrera, con ángeles de clase obrera que juegan al billar con las almas de los humanos; esta es una idea que me gusta mucho. La tercera parte, de la que me faltan nueve capítulos para su conclusión, es la más experimental y demente pieza narrativa que yo jamás haya escrito. La estoy haciendo en presente de indicativo y cada capítulo está escrito de un modo radicalmente distinto. El que justo acabo de terminar se titula “Round the Bend” [“Sin un tornillo”, majareta—ndt.] y trata sobre el hospital de St. Andrew, un lugar maravilloso. Mi mujer y yo nos casamos allí. Entre sus pacientes se cuentan Spike Milligan; Dusty Springfield; Patrick Stewart; Sir Malcolm Arnold, el compositor; J.K. Stephen, sospechoso de ser Jack el Destripador; y Lucia Joyce.
La hija de James Joyce.
Pasó 35 años allí como paciente psiquiátrico. En el capítulo que justo he terminado, Lucia Joyce vaga por los jardines del hospital, con la mente ausente; en su cabeza se encuentra con pacientes de otras épocas, con quienes posiblemente jamás podría coincidir físicamente. Es un tour alucinatorio por los terrenos del hospital y por la mente de Lucia, y está escrito en lo que estoy convencido de que es un irrisorio intento de remedar el lenguaje de su padre. William Blake es otra de las figuras que, por supuesto, gravita alrededor de Jerusalem, aunque no aparezca directamente en la novela; al igual que John Bunyan, que sí aparece. Ambos inspiraron los aspectos más visionarios de la novela. He tardado una eternidad en acabar el capítulo de Lucia Joyce.
¿Sigue trabajando en su libro sobre la magia?
Sí. Una vez haya acabado el último libro de La Liga… y Jerusalem, será de nuevo el momento de abordarlo.
¿Qué es lo que le parece tan interesante de la magia?
Para mí, la magia ofrece una nueva perspectiva para apreciar el mundo, tu vida y la realidad, y un nuevo enfoque a tu relación con tu propia conciencia.
Se suele meter la magia en el saco de las melonadas new age. A mucha gente se le hace difícil siquiera empezar a considerarla como algo válido.
Al principio yo era muy escéptico debido al enorme número de idiotas a los que se asocia con ella. Sin embargo, la ciencia no puede explicar o racionalizar el concepto de conciencia, ya que no es algo que puedan replicar en un laboratorio. Eso deja inexplorado nuestro mayor área de experiencia del mundo. Con la magia, todo tipo de posibilidades se abren al respecto de qué es la conciencia, qué áreas de la conciencia pueden tener extrañas cualidades, y qué aplicaciones prácticas podrían tener esas cualidades.
Tiempo atrás, los intelectuales y los filósofos podían interesarse abiertamente en la magia sin que les ridiculizaran por ello.
La magia es simplemente una forma de explorar el mundo, e implica conceptos que ciertas personas llevan explorando desde los albores de la humanidad. Algunos eran charlatanes, otros eran maníacos, y otros, buscadores de atención, pero algunos de ellos son los pilares sobre los que se sustenta nuestra realidad. Paracelso hizo avanzar la medicina moderna y fue la primera persona en explorar el concepto del inconsciente, siglos antes de que lo hicieran Freud o Jung. También era mago. Él no se habría aplicado el término; lo más probable es que pensara en sí mismo como en un filósofo natural…
Quizá sería bueno que recuperáramos ese término. Pero, por favor, continúe.
Un gran número de las piedras angulares de nuestra cultura tienen sus raíces en el ocultismo. Los primeros escritores y artistas provenían de las culturas chamánicas, y la ciencia proviene de la alquimia. Según parece, cuando Einstein murió tenía un ejemplar de La Doctrina Secreta, de Madame Blavatsky, en un rincón de su escritorio. De hecho, hay similitudes entre ese trabajo y la teoría de la relatividad. Pese a todo, tiende a verse la magia como una chifladura a la que no hay que tomarse en serio si queremos que nuestra cultura avance.
¿Qué le impulsó a escribir un libro sobre la magia?
La idea llegó cuando mi socio mágico Steve Moore y yo decidimos poner las cartas sobre la mesa y explicar lo que era la magia, cómo practicarla, y por qué la gente debería aprender sobre ella leyendo un libro que no se escudara en una imaginería pseudo-siniestra o en una incompresible jerga ocultista.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Uma dica imperdível
Pois eu descobri um site chamado Comic Database onde é possível encontrar alguns dos mais importantes quadrinhos da atualidade para download. Imagine encontrar Mangás, Quadrinhos Europeus, Comics Americanos e Quadrinho Sulamericano... em um único lugar e disponível para donwload? É verdade... o paraíso existe e tem endereço eletrônico.
Graf Spee – um épico naval em águas uruguaias

Em 1939 o vizinho Uruguai viveu um dos momentos mais marcantes da II Guerra Mundial, no continente latinoamericano: a destruição do navio alemão Graf Spee por seu próprio capitão, o oficial Hans Langsdorff. Ainda hoje a história é lembrada como um dos primeiros acontecimentos importantes da Guerra que duraria até 1945. Mais recentemente (em 2006), o Graf Spee quase gerou um incidente diplomático entre Uruguai e Alemanha. A chanceler alemã, Ângela Merkel, não queria que o navio (símbolo da força nazista) fosse resgatado do fundo do Rio da Prata, fortalecendo os movimentos neonazistas no país.
O Graf Spee foi um dos primeiros navios de combate produzidos pela Alemanha após a derrota na Primeira Grande Guerra. Em agosto de 1939 (uma semana antes do início do novo conflito mundial), o navio partiu para o que seria sua última missão: atacar embarcações mercantes ingleses nos oceanos Atlântico e Índico. Com uma tripulação de 1.100 homens, o Graf Spee afundou nove navios da Inglaterra até ser atacado, próximo a Montevidéu, por três navios da marinha britânica: Exeter, Achilles e Ajax. O confronto ficou conhecido como “Batalha do Rio da Prata” (embora, na verdade, tenha ocorrido no oceano). O encouraçado alemão sofreu avarias e perdeu 37 marinheiros, levando o capitão Langsdorff a buscar refúgio em águas uruguaias, onde esperava poder realizar os consertos necessários.
Para manter a sua “neutralidade” e forçado pela diplomacia inglesa, o presidente uruguaio deu 72 horas ao capitão alemão para levar o Graf Spee novamente ao mar. Havia informações de que a marinha britânica aguardava o encouraçado, poucos quilômetros rio acima, para o confronto final. No dia 17 de dezembro de 1939, 250 mil pessoas foram ao porto de Montevidéu para presenciar uma formidável batalha naval. Mas o que viram foi o Graf Spee se afastar cerca de cinco quilômetros, desembarcar sua tripulação explodir sem ter sofrido um único tiro disparado por navios ingleses. A decisão do capitão Langsdorff foi destruir e afundar o navio para evitar que seus segredos militares caíssem em mãos inimigas. O oficial alemão cometeria suicídio dois dias depois. Langsdorff passou à história como um homem extremamente ético. Todas as tripulações dos nove navios afundados pelo Graf Spee foram salvas por ele. O capitão foi reconhecido pelo próprio primeiro-ministro inglês Winston Churchill.
A história do Graf Spee e de seu capitão foram adaptadas para uma história em quadrinhos publicada em 2008 com o apoio do Ministério da Educação e Cultura Uruguaio. “Los últimos días Del Graf Spee”, de Rodolfo Santullo e Matías Bergara, é “uma ficção histórica”. Os autores não tinham a pretensão de transformar o livro em um documento histórico, mas aproveitaram o incidente com o navio alemão para criar uma trama de espionagem e guerra.
O livro não alcança o brilhantismo de outra obra baseada em um épico náutico (o livro brasileiro “Chibata”), mas é – sem dúvida – um trabalho que merece ser conhecido e divulgado. Seja por trazer à tona (perdoem o trocadilho) uma passagem tão importante para a história do continente, seja pelo envolvente roteiro.
Confira abaixo uma entrevista com Santullo que foi publicada pelo Hoy Canelones (jornal Uruguaio):
Cómo surge Los últimos días del Graf Spee?
Santullo: Mi interés surge como el de cualquier otro, supongo yo, ante la poderosa anécdota de un barco alemán en nuestro puerto durante la Segunda Guerra Mundial. Cuando empecé a investigar un poco más, me pareció que había allí muy buen material para contar una buena historia. Se puede afirmar, sin temor a equivocarse, que fue el momento más importante para Uruguay durante ese acontecimiento internacional. Por tres días, el mundo observó qué hacíamos y que pasaba acá. La decisión tomada con respecto al barco llegó posteriormente a ser utilizada como ejemplo diplomático del buen hacer.
Cómo fue el proceso de escritura del guión?
Santullo: Bueno, fue bastante extenso. Allá por el 2002 fue que comencé a buscar información y a archivarla, pero no fue hasta 2005 donde me puse a darle forma a la idea. Saqué un esquema de toda la novela gráfica y el año pasado el guión completo. Con los cambios de dibujantes, pasé por dos opciones más hasta que llegara Matías, casi que la terminé por transformar en una novela de narrativa pura. Al final no ocurrió, y creo que fue para bien.
Por qué el blanco y negro a la hora de ilustrar la historia?
Bergara: Habíamos decidido desde el principio no usar color por una cuestión de mayor rapidez en la ilustración y menores costos de impresión. Al principio había pensado en usar solo blanco y negro planos, pero terminé por adoptar tonalidades de grises que le dieran otra suavidad y profundidad a la página, así como tonos de luz, etc.
Cuánto primó el componente histórico a la hora de escribir?
Santullo: Si tengo que dar porcentajes, diría que en un 75%. Hay una fuerte investigación detrás. Y todo lo relacionado al barco es estrictamente histórico. Accedí a telegramas reales, órdenes de Alemania y hasta una carta de puño y letra del capitán Hans Langsdorff. Todo eso forma parte de la historia. Ahora bien, el 25% restante se compone por ficción, hay un romance, una historia de espías. Como se da en algunas novelas históricas, aquí se juega con todo lo que podría haber ocurrido con ese barco en nuestro puerto.
Confira um trecho de documentário inglês sobre o Graf Spee e a Batalha do Rio de Prata:
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
Quadrinhos bizarros
Para quem não conhece, o site http://www.oddee.com/ apresenta uma vasta lista de coisas incríveis e bizarras: desde pessoas a invenções, passando por fotografias de paisagens reais, há muito para explorar e passar um bom bocado. Fui ter a este site através da indicação de um amigo para ver os melhores, piores e mais estranhos empregos do mundo.
E o que tem isto a ver com quadrinhos? Um dos artigos mais recentes no site tem o título de 10 Most Bizarre Comic Books e obviamente dispensa explicações quanto ao conteúdo. Deixo o link em baixo para os mais curiosos verem bizarrias produzidas na 9ª Arte.











