quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Batman para gente grande


Quem acompanha o Nona Arte sabe que quadrinhos é coisa séria. Mas em meio a tantos posts sobre romances gráficos, biografias históricas, narrativas de guerras, talvez você estranhe esta nota sobre Batman. Afinal, pode pensar um leitor incauto, o que faz um heroi em um blog sobre literatura e quadrinhos? Explico....

Batman é, na minha concepção, o melhor e mais complexo personagem dos quadrinhos mundiais. Seus conflitos psicológicos, seus traumas de infância, sua inteligência... fazem dele um heroi muito acima da média dos demais.

Algumas das histórias de Batman tornaram-se clássicos da cultura pop, como: Piada Mortal, de Alan Moore (o mesmo autor de Watchmen) ou Asilo Arkham....

A boa notícia para os fãs do cavaleiro das trevas é que está chegando ao mercado europeu um box que reúne algumas das melhores histórias já criadas com o homem morcego:
  1. Año uno, de Frank Miller y David Mazzucchelli
  2. Batman y los hombres monstruo, de Matt Wagner
  3. Batman y el monje loco, de Matt Wagner
  4. El hombre que ríe, de Ed Brubaker y Doug Mahnke
  5. Veneno, de Denny O’Neil, Trevor Von Eaden, Russell Braun y José Luis García López
  6. La broma asesina, de Alan Moore y Brian Bolland
  7. El largo Halloween, de Jeph Loeb y Tim Sale
  8. Victoria oscura, de Jeph Loeb y Tim Sale
  9. Momentos decisivos, de Greg Rucka, Ed Brubaker, Chuck Dixon, Steve Lieber, Dick Giordano, Bob Smith, Brent Anderson, Paul Pope y Claude St. Aubin
  10. Joker, de Brian Azzarello y Lee Bermejo
  11. Locura, de Jeph Loeb y Tim Sale
  12. Robin. Año uno, de Chuck Dixon, Scott Beaty, Javier Pulido, Marcos Martín y Robert Campanella
  13. Reglas de compromiso, de Andy Diggle y Whilce Portacio
  14. La gata y el murciélago, de Fabian Nicieza y Kevin Maguire
  15. El culto, de Jim Starlin de Berni Wrightson
  16. Una muerte en la familia, de Jim Starlin y Jim Aparo
  17. Justicia ciega, de Sam Hamm, Denys Cowan y Dick Giordano
  18. Arkham Asylum, de Grant Morrison y Dave McKean
  19. Secretos, de Alex Sinclair y Sam Kieth
  20. Un lugar solitario para morir, de Marv Wolfman, George Pérez y Jim Aparo
  21. Terrores nocturnos, de Chuck Dixon, Jim Aparo y Norm Breyfogle
  22. La venganza de Bane, de Chuck Dixon, Graham Nolan y Eduardo Barreto
  23. El murciélago roto, de Chuck Dixon, Jim Aparo y Graham Nolan
  24. El ángel oscuro, de Chuck Dixon, Graham Nolan
  25. La cruzada, de Chuck Dixon, Mike Manley y Graham Nolan
  26. Restos mortales, de Chuck Dixon, Graham Nolan
  27. Demonios, de Chuck Dixon, Graham Nolan
  28. Baile oscuro, de Doug Moench y Mike Manley
  29. La búsqueda, de Alan Grant y Bret Blevins
  30. El regreso del murciélago, de Doug Moench y Mike Manley
  31. Pródigo, de Chuck Dixon, Alan Grant, Doug Moench, Bret Blevins y Romeo Tanghal
  32. Troika, de Chuck Dixon, Graham Nolan
  33. Cataclismo, de Chuck Dixon, Graham Nolan
  34. Atrapado, de Chuck Dixon, Graham Nolan
  35. Al final de día, de Chuck Dixon y Mark Buckingham
  36. Ciudad muerta, de Chuck Dixon y Mark Buckingham
  37. Tierra de nadie, de Greg Rucka y otros
  38. La fe del miedo, de Greg Rucka y otros
  39. Guerra territorial, de Greg Rucka y otros
  40. Harley Quinn, de Paul Dini, Yvel Guichet y Aaron Sowd
  41. Ciudad sin ley, de Greg Rucka y otrosç
  42. Efectos personales, de Devin K. Grayson y Paul Ryan
  43. El regreso de Ra’s al Ghul, de Grant Morrison, Fabien Nicieza, Peter Milligan, Tony Daniel y otros
  44. La muerte y las doncellas, de Greg Rucka y Klaus Janson
  45. Un paseo por el parque, de Greg Rucka y Shawn Martinbrough
  46. Agente herido, de Greg Rucka, Ed Brubaker, Chuck Dixon y otros
  47. Santuario, de Ed Brubaker y Scott McDaniel
  48. Bruce Wayme ¿asesino?, de Ed Brubaker, Greg Rucka y otros
  49. Bruce Wayne fugitivo, de Ed Brubaker, Greg Rucka y otros
  50. Tabula rasa, de Scott Beatty y otros
  51. El regreso del caballero oscuro, de Frank Miller y Klaus Janson
Agora é torcer muito os dedos e esperar que este lançamento chegue ao mercado brasileiro. A maioria dessas histórias inseridas na série lançada na Espanha já foram publicadas no Brasil, algumas delas há quase vinte anos, e se tornaram objetos de cobiça de colecionadores.

Prometo trazer em breve comentários sobre as melhores histórias....

Por enquanto, fique com um comercial sobre a coleção recém lançada...

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Magneto: o sobrevivente


Uma criança separada dos pais, em pleno campo de concentração de Auschwitz, contorce as grades de ferro da cadeia apenas com o poder da mente... Quando Bryan Singer, diretor do filme X-Men, criou a sua versão para a origem do personagem Magneto, deixou uma legião de fãs imaginando: como teria sido a história da humanidade, se seres com poderes extraordinários tivessem existido e confrontado a violência de regimes como as ditaduras de Hitler ou Stalin.

Aquela criança, que se tornaria o poderoso personagem Magneto, fez sua estreia nos quadrinhos em 1963 e de lá para cá, esteve presente ao longo de toda a saga dos X-Men. Agora Magneto ganha uma edição especial, que acaba de chegar ao Brasil pela editora Panini. A história foge completamente ao padrão das demais histórias da série. Em lugar de centrar sua atenção sobre as incríveis habilidades de Magneto, o livro prefere se dedicar integralmente ao relato do drama dos judeus durante o Holocausto. As poucas manifestações do poder de Magneto ao longo da história passam praticamente sem serem notadas. Nada de barras de ferro contorcidas ou de armas e soldados destruídos. Em lugar disso, apenas morte e sofrimento.
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O livro começa na adolescência de Magneto – ainda chamado de Max Eisenhardt – e narra o início da repressão contra os judeus na Alemanha, a fuga de milhares deles para a Polônia, a deportação para os campos e o genocídio. Magneto-Testamento é cuidadoso na reprodução de dados históricos. Ao longo de todo o livro, há notas informativas que ajudam a situar o leitor sobre os acontecimentos. Como o assassinato do adido alemão Ernest vom Rath em Paris por um adolescente judeu – Herschel Grynszpan – cuja família havia sido deportada da Alemanha para a Polônia. O crime daria início a uma onda de violência indiscriminada contra judeus na Alemanha e na Aústria. Cerca de 7.500 estabelecimentos comerciais pertencentes a judeus foram saqueados e depredados. A partir deste momento, a legislação anti-semita se tornaria cada vez mais dura.
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Os dois momentos mais marcantes da história, entretanto, seriam: a narrativa sobre a vida no Gueto de Varsóvia, onde todos os judeus deportados seriam obrigados a viver em uma área vigiada de 3,5 quilômetros de extensão; e – como não poderia deixar de ser – as histórias do Campo de Auschwitz.
O trabalho de pesquisa dos autores é extremamente minucioso. Desde o cuidado com a reprodução dos ambientes e roupas, até o rigor na reconstituição histórica da rotina dos prisioneiros judeus. O traço e a opção de cores, acentuam o tom sombrio da história. A qualidade estética do trabalho é excelente, o que é valorizado pela excelente edição brasileira.

Ultraje Final






Para além da ficção, entretanto, o livro revela aos leitores uma outra história fantástica: a trajetória da artista Dina Babbitt, sobrevivente de Auschwitz, que foi obrigada, durante sua permanência no Campo, a pintar dezenas de quadros de outros prisioneiros submetidos às sádicas experiências do Dr. Mengele (conhecido como o Anjo da Morte). Após o fim da guerra, Dina fez carreira como desenhista de animação (incluindo produções para os estúdios Warner Brothers, Disney e MGM. A história de Dina foi reproduzida, em quadrinhos, ao final da história de Magneto e faz parte de uma campanha mundial que diversos artistas estão movendo para que o Museu do Holocausto, em Auschwitz, devolva à família de Dina (falecida em 2009), os desenhos feitos por ela, que compõe seu acervo.
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O posfácio de Magneto-Testamento é assinado pelo Diretor Editorial da Marvel, Stan Lee, e foi lançado originalmente na edição americana quando Dina ainda era viva. Lee fazia uma veemente defesa para que os trabalhos criados pela artista durante o cativeiro lhes fossem (por direito) devolvidos. Leia o editorial de Lee abaixo e assista a um vídeo sobre a campanha em defesa de Dina.




Editorial de Stan Lee sobre Dina Babbitt


Karin In the depths of the hell called Auschwitz, Dina Gottliebova (Babbitt) painted a mural of Snow White on the children’s barracks. She used a cartoon character to bring a few moments of joy to the Jewish children whose lives were about to be extinguished by the Nazis. Cartoon characters are part of a universal language of imagination that touches children --and more than a few adults-- in every corner of the globe.

Dina knowingly risked her life by undertaking that defiant gesture of humanity. She knew the Germans would not tolerate such defiance. Trapped in a world of horror and evil, where heroes were all too few, Dina demonstrated that she was a true hero.

Dina’s mural was discovered but, miraculously, her life was spared because the Germans had use for her artistic talent. Snow White saved Dina’s life and, in turn, Dina tried to save others. Compelled by the infamous Dr. Josef Mengele to paint portraits of Gypsy prisoners, Dina dragged out the process for as long as possible, knowing that as long as the prisoners were being painted, they would remain alive.

In the years after her liberation from Auschwitz, Dina continued to use cartoon characters to bring joy to children’s lives. Today, every time someone watches a cartoon with Daffy Duck, Wily E. Coyote, or Cap’n Crunch, they may very well be enjoying images that Dina helped create.

As for the images Dina created in Auschwitz, seven of those portraits somehow survived, and are being held by the Auschwitz State Museum. Dina wants them back, and she has every right to get them back. Surely she should be allowed to keep this one small piece of the life that the Nazis ripped from her and her family.

Those of us who work in the world of comic books and cartoons bear a special obligation to raise our voices in support of Dina’s effort to regain the portraits she painted in Auschwitz. When others were in need, Dina stood up for them. Today, we must stand up for Dina.

sábado, 14 de agosto de 2010

Os quadrinhos revisitam Auschwitz - parte 1


É inevitável. Quando pensamos no terror e absurdo da Segunda Guerra, a primeira imagem que imediatamente vem à cabeça da maioria da população ocidental é dos campos de concentração de Auschwitz; um conjnto de três grandes campos de extermínio nazista e outros 40 pequenos campos de apoio construídos na Polônia, a sessenta quilômetros da capital Cracóvia.

A indústria do cinema eternizou, em dezenas de filmes, o massacre de judeus, ciganos, homossexuais, intelectuais,prisioneiros de guerra e outros grupos perseguidos pelos alemães. Filmes como "A Vida é Bela", "A lista de Schilinder", "A escolha de Sofia", "O menino do pijama listrado", "Amarga sinfonia de Auschwitz" entre outros, fizeram com que o holocausto não caísse no esquecimento, mesmo passados mais de 65 anos. Fenômeno que não ocorreu com outros massacres recentes, como: guerra da Bósnia, o genocídio de Rwanda, a matança em Timor Leste, apenas para citar alguns exemplos.

As histórias de Auschwitz, como não poderia deixar de ser, também chegaram aos quadrinhos. Já há alguns anos, diferentes artistas vêm se dedicando a construir roteiros e ilustrações para romances gráficos que têm os campos como cenário... O Blog Nona Arte faz a partir de hoje, a avaliação de trabalhos elaborados sobre o tema, alguns deles inéditos no Brasil. Acompanhe o Blog nas próximas semanas

Maus, de Art Spielgman











Magneto, Testamento











Auschwitz, de Pascal Crocci











A Busca, de Eric Heuvel

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Quadrinhos contra o terror


 Uma ONG da Indonésia deve enviar a escolas e bibliotecas do país a partir do mês que vem uma história em quadrinhos que conta a vida do único autor ainda vivo do atentado de 2002 contra o balneário indonésio de Bali, no qual morreram 202 pessoas.

Ketika Nurani Bicara (“Quando a Consciência Fala”, em tradução livre), com tiragem de dez mil exemplares, narra a história de Ali Imron de jovem muçulmano a terrorista condenado.

O objetivo da publicação é alertar os jovens do país sobre o perigo do extremismo islâmico. Ali Imron cumpre atualmente sentença de prisão perpétua pelo ataque. Ele só não foi condenado à morte porque se mostrou arrependido e aceitou colaborar com a polícia.

"A partir do momento em que fui instruído a levar a bomba (...) havia dúvidas em meu coração. Será que isso é mesmo jihad (guerra santa)?", disse ele durante seu julgamento, em 2003.

Trama
A HQ é publicada pela ONG Lasuardi Birru, baseada na capital indonésia, Jacarta. A organização combate o extremismo entre jovens. A chefe da ONG, Dhyah Madya Ruth, disse à BBC que levou um ano para coletar o material para a história. "O mais difícil foi convencer Imron a colaborar. Também tivemos dificuldade por ele ter sido condenado por terrorismo, o que significou lidar com uma complicada burocracia", disse ela. A trama começa após a prisão de Imron e, olhando para trás, mostra como ele foi recrutado, o planejamento dos ataques de 12 de outubro de 2002, sua vida como fugitivo e a captura.
A história mostra ainda um muçulmano de Bali que ajudou as vítimas e uma muçulmana que perdeu o marido no ataque.

"Por ser baseada em uma história real, tudo no livro é um relato fiel dos envolvidos", disse ela.
"O objetivo do livro é simples, Imron deseja compartilhar sua experiência porque lamenta ter se envolvido com terrorismo. Ele quer evitar que os jovens façam o que ele fez", completa. No julgamento, Imron disse que Bali foi escolhida por ser frequentada por americanos, mas o fato de a maioria das vítimas ser australianos e indonésios levou a polícia a pensar que os autores estavam mal-preparados ou estavam sendo manipulados. Imron citou um líder religioso que teria dito que o ataque seria "parte da guerra santa para proteger o povo afegão dos americanos".

do site da BBC Brasil

terça-feira, 10 de agosto de 2010

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Johnny Cash - uma biografia



Álcool, drogas, sexo, música e sucesso. A história do rock está marcada por diversos artistas que tornaram-se ídolos e depois sucumbiram pela pressão do estrelato e do show bizz. Nomes como: Janis Joplin, Kurt Cobain, Jimi Hendrix, Jim Morrison, Sid Vicious, Brian Jones... fazem parte de uma imensa lista de artistas que conheceram de perto tudo o que a fama pode proporcionar, de melhor e de pior.

Estão chegando agora chegam ao Brasil as biografias em quadrinhos de dois artistas que experimentaram um pouco do céu e do inferno, escreveram seus nomes na história do rock e que viveram intensamente os primeiros anos do ritmo que mudaria a música e o comportamento dos jovens para sempre: Johnny Cash e Elvis Presley. Os dois projetos são resultado do trabalho do mesmo artista: o premiado autor alemão Reinhard Kleist e estão sendo lançados aqui pela editora 8Inverso. 

Reinhard Kleist conta que lembra o impacto que uma foto de Cash, em um disco que o pai tinha em casa, lhe causou ainda pequeno. ``Eu pensava, este cara é cool´´. O projeto original de Kleist era fazer versões ou interpretações em quadrinhos de clássicos do rock. Até que um amigo lhe emprestou uma biografia de Johnny Cash (The Beast in Me - de Franz Dobler). ``Eu nunca havia imaginado que um livro sobre um cantor country pudesse ser tão excitante. Quando terminei o livro,  estava absolutamente convencido que o meu projeto havia mudado.´´ 

Johnny Cash teve uma vida atribulada. Filho de uma família pobre, conheceu de perto a pobreza e o desalento. Ainda criança, ajudava o pai, a mãe e os irmãos na colheita de algodão produzido na fazenda da família. A mesma cultura que influenciara o surgimento do blues com o canto dos escravos em meio às plantações. Sobre este período da sua vida, Cash diria anos depois: ``Você não precisa ter vivido na pobreza para fazer uma música country bem-sucedida. Mas que ajuda, ajuda.´´

Foi nesta fase que Johny Cash viveria o primeiro trauma da sua vida: a perda do irmão Jack, vítima de um acidente com uma serra-elétrica enquanto cortava madeira. Para o resto da vida, Johnny se perguntará várias vezes, em situações de dúvida: ``O que Jack teria feito no meu lugar?´´ E o irmão, como se fosse um anjo da guarda, daria a resposta.

Kleist não abandonou de todo a sua ideia original de ilustrar clássicos do rock, e introduziu no livro a sua versão para ``The Ballad of Ira Hayes´´, ``Big River´´ e ``A boy named Sue´´. O resultado do trabalho se traduz no sucesso que o livro vem alcançando desde que foi lançado. A biografia de Cash conquistou algum dos principais prêmios na Alemanha, como o prêmio de Melhor Livro de Quadrinhos Alemão nas Feiras do Livro de Munique (2006) e de Frankfurt (2007), o Max und Moritz de Melhor Graphic Novel alemã no ano de 2008 e, em 2009, o “Les prix des ados” no Festival Literário de Deauville, na França, por sua versão em francês.  

Para produzir o livro, Kleist teve de realizar muitas pesquisas e ainda obter a permissão de uso das letras das músicas que foram ilustradas por ele na biografia. 

O trabalho impressiona. O livro, que chega ao Brasil ao mesmo tempo em que a versão norte-americana chega aos Estados Unidos, é intenso como a própria vida de Cash. Conhecido por seu temperamento explosivo e seus problemas com drogas e álcool.  

O estilo de Kleist lembra em muito o grande artista americano Paul Pope, mais conhecido no Brasil por seus trabalhos feitos para Batman (Batman ano 100 ou Batman Berlin). A opção pelo preto e branco acentua a dramaticidade da história. O traço é um tanto grosseiro. Às vezes quase caricatural. Mas eficiente. Kleist é econômico nos detalhes, como: cenários, roupas e outros elementos de cena, preferindo investir mais energia na narrativa. Aqui uma nota de destaque para as várias informações históricas oferecidas por Kleist ao longo do livro. Em diversas passagens, o autor nos oferece dados sobre as músicas de Cash ou sobre passagens fundamentais da vida do cantor. A biografia de Cash concorreu ao Eisner Award 2010 (uma espécie de ``Oscar´´ dos quadrinhos) de Melhor Escritor/Artista de Quadrinhos de Não Ficção.  


As pessoas mais ligadas em cinema lembrarão certamente do filme ``Johnny e June´´ estrelado por Joaquim Phoenix e Reese Witherspoon.


Para quem ficou curioso em conhecer o cantor Johnny Cash ``em pessoa´´, vale a pena conferir uma gravação original do seu mais famoso sucesso: Folsom Prison Blues.


sábado, 31 de julho de 2010

O cavaleiro da triste figura


Lanza en Astillero (“Lança no estaleiro”) é uma antologia de 20 curtas histórias que adaptam um episódio (ou o transformam) da famosíssima obra de Miguel de Cervantes, El ingenioso hidalgo Don Quixote de la Mancha. Apesar de ser editado pela Câmara dessa região espanhola, o louvor da acção recairá seguramente em Jesús Cuadrado, conhecido autor e paladino dos tebeos no país vizinho e, claro está, dos 28 artistas – desenhistas, ilustradores, escritores – que embarcaram no projecto (se aumentarem a imagem, conseguirão ver a lista completa na portada).

Um pouco dos preliminares do projecto: Cuadrado fez uma selecção muito directa nos convites que fez, considerando artistas específicos que, segundo o mesmo autor, “representam a autoria num estado puro, caracterizando-se pela forma como rompem com a linguagem convencionalmente industrializada, ao mesmo tempo que estão inseridos nos movimentos estéticos mais radicais da banda desenhada que surgiu e foi publicada desde os anos 80”. Se bem que estejam presentes artistas que de facto e claramente se inserem nessa descrição estética (o exemplo gritante de Stefano Ricci, por exemplo), há outros tantos que não me parecem se demarcar substancialmente de uma aproximação mais “classicizante”. Isso não quer dizer “trabalho fraco” ou “displicente”, de forma alguma; simplesmente há que recolocar os termos dos trabalhos apresentados.

Os artistas foram convidados, com toda a liberdade possível, a escolherem um “fragmento” qualquer das duas partes do Quixote, passando à sua reescrita em banda desenhada, com as seguintes restrições: “cinco páginas verticais, em tintas bitonais (tons terra ou siena)”, mas sob as técnicas mais habituais da banda desenhada, como e se preferissem. Pedia-se ainda que a selecção do episódio fosse mantida em segredo em relação aos outros autores, para que, no caso de coincidência, se pudessem prestar a diferentes interpretações do mesmo, acedendo-se assim a “uma riqueza acrescentada à obra colectiva ao surgir uma confrontação estética em si mesma e pelas possíveis dualidades ou coincidências”. E afinal, é o que acontece, com cinco instâncias do mesmo episódio da “Las cortes de la Muerte”, pela mão de Filipe Abranches, Miguel Calatayud, Denis Deprez, e ainda Miguel Ángel Ortiz com Álvaro Ortiz. A eles voltaremos mais adiante.

A obra de Cervantes é uma daquelas obras para a qual os adjectivos existentes não presta homenagem suficiente... magnífico, sempiterno, esmagador, parecem aquém; clássico parece banalizá-lo; genial um crime intelectual. Talvez a mais extraordinária maneira que alguém alguma vez se expressou sobre este(s) livro(s) tenha sido a do cervantista e poeta catalão Marti de Riquer que, face a uma pessoa que jamais tinha lido o Quixote, disse: “Felicidades, porque ahora tiene la. oportunidad de pasárselo muy bien”. E, realmente, não há provavelmente melhor leitura feita do Quixote do que a primeira – e aconselho que seja feita com vontade, sem demoras e interrupções. Para os que puderem (e não é difícil, os dicionários existem para isso), leia-se no original. O Quixote é uma daquelas obras literárias que consegue, ao longo dos tempos e das atitudes, receber qualquer nome, qualquer apodo, qualquer interpretação (um pouco, mas bem diferentemente, do que o nosso “clássico”, Os Lusíadas): inclusive a de “pós-moderno”. Afinal, é Cervantes quem inventa o romance moderno, e é lá que existem todas as raízes daquilo que fundamentaria a literatura do século XX: a “corrente de consciência”, a “transliterariedade”, o “experimentalismo de géneros”, a “dissertação metalinguística” e “metaliterária”, e tantas outras assombrosas torções artísticas. Por exemplo, para quem não o souber já, Cervantes não planeava escrever uma segunda parte, mas face à quantidade de obras, que não do seu punho, que surgiram na esteira da sua, colocando a sua personagem ora por episódios demasiado ridículas para Dom Alonso ou demasiado elevadas, mas todas descaracterizadoras, Cervantes resolveu atacar essa praga, escrevendo essa derradeira segunda parte, onde Quixote chega a encontrar-se com “outro Quixote”, e na qual o seu autor, provavelmente de forma dolorida, lhe põe fim à sua vida.

Para além disso, estou em crer que talvez a grande força desta obra seja a permanente dúvida que atravessa os livros – ou melhor, a dúvida que se vai insinuando e crescendo ao longo da obra: serão estas aventuras alucinações de Dom Alonso (e esqueçam as adaptações a cinema, mesmo as incompletas, as resenhas, as anedotas e, pior ainda, os desenhos animados) ou serão elas interpretações da realidade a que os restantes são cegos? Aliás, é esse o âmago do episódio que, na minha opinião, é o mais impressionante em toda a obra (fora amigos que já sabem, quem adivinhar, receberá um prémio). Por outro lado, há uma série de dados fundamentais que é preciso ter em conta antes de colocar sobre a obra sentidos ou valores que se “encaixem mal”. Por exemplo, Cervantes escolheu a Mancha precisamente por não se passar lá nada. Agora é fácil construir discursos que elogiem Castilla La Mancha a partir da obra do escritor, claro, mas a escolha dele incidiu num espaço no qual jamais haveria uma escolha lógica para cenário de aventuras cavaleirescas. Depois, como no próprio livro é indicado, o patronímico de Dom Alonso, de várias grafias possíveis (Quijada, Quesada, Quejana, Quijano), não é castelhano, nem é associável a nada – independentemente das recriações posteriores -; ligar-se-á, dizem uns, à parte da armadura que protege o queixo (“queixada”), a outra parte um pouco mais a sul, asseguram outros. O importante é que não é um nome, à partida, de ressonância épica, nem heróica. Mais uma vez, não obstante o que se desejou fazer dele depois, sobretudo política e nacionalmente. Dom Quixote não é como Os Lusíadas, programado como um elogio e um canto épico, é uma obra mergulhada numa das mais subtis ironias e amores à literatura de que há memória. Daí que sejam possíveis todas as interpretações, reinterpretações, reinvenções e até sobreinterpretações (Eco), ainda assim criativamente aceitáveis (“Quixote no espaço”, mas também “Madame Bovary” ou “Pierre Ménard, autor del Quijote”).

Tal como se aplicará certamente a outras obras sob “adaptação”, face a esse poderosíssimo manancial, perante a força esmagadora dessa obra, o seu tratamento deve ser feito de uma forma confiante, directa mas reinventiva. Não se podem dar ao luxo de meramente ilustrarem um episódio, sem lhe dar nada de novo, correndo o risco da futilidade. Nesse aspecto, metade das colaborações deste livro pecam pela mera recriação das palavras de Cervantes, dando-lhes corpo gráfico, e até mesmo esse tão débil quando o corpo físico de Alonso – meras “bds”, quase feitas sob aquele signo da “adaptação passível de uso nas salas de aula”, cuja bitola obriga desde logo a simplificar e facilitar.

Vejamos, pois, a outra extremidade, aquelas que de facto atingem um ponto alto na e da banda desenhada, ainda assim com ou pelo material do Quixote. Em primeiríssimo lugar, há que apontar o trabalho de Anke Feuchtenberger (imagem 1), que mais uma vez prova que onde outros dão pontapés para o pinhal, ela descose a bola e retradu-la num tecido novo. Feuchtenberger recria todo o Quixote, plasmando-o nos seus temas particulares, numa alegoria concisa, chegando mesmo a mesclar o corpo de Don Alonso com o da sua Dulcineia (“...surge em mim o mesmo odor que parecia existir na minha doce senhora Dulcineia”), e demonstrando que as fronteiras do homem e da mulher, do humano e do animal e do objecto, da vida e da morte, não são abruptas, mas se imiscuem uns nos outros como duas substâncias viscosas. Stefano Ricci está logo a seguir, tendo eleito Rocinante como sua personagem principal, e o modo como se relaciona com a morte “de su amo”, numa espécie de curtíssima peça do teatro absurdo de um acto: é como se Rocinante, o Quixote, a sua morte na sua casa, fosse uma desculpa para falar do modo como nós, hoje, nos afastamos da experiência da morte (dos outros) – relegando-a para os hospitais, por exemplo, e não a aceitarmos como parte da nossa vida, dentro de um círculo íntimo (Micharmut tenta fazer também uma reapropriação do episódio escolhido para o transfigurar numa experiência contemporânea, mas não me parece que tenha atingido um nível feliz de criação; a analogia feita é um pouco primária).

Depois, seguem-se as adaptações competentes e que trazem prazer ao olhar, mesmo que não nos recoloquem a questão do Quixote. Nesse grupo, também restrito, apontaria a Filipe Abranches (imagem 2) e a Denis Deprez (imagem 3), tendo ambos trabalhado o mesmo episódio (v. acima) e ambos preferindo reduzir ao mínimo as informações – personagens, cenário “despido”, concentrar as imagens sobre as máscaras dos actores como se nelas residisse todo o significado da ilusão (novamente: de quem?). O despojamento de Deprez passa pelo uso da aguarela, de cinzentos disseminados, e o de Abranches é o branco intocado, o qual rima ainda com o “silêncio” de algumas das vinhetas, concentrando antes o início num complexo jogo de olhares entre as personagens, interrompendo o diálogo com o roubo do asno, e terminando como que num arco completo da acção e humor de Quixote. Outro artista igualmente interessante é Pablo Auladell, que me recorda alguns aspectos de um Markus Huber, com uma geometrização absurda dos corpos, e condensando redondamente o episódio do Clavileño, o cavalo de pau, o qual termina (aqui) precisamente numa das frases que sublinha para quem tem olhos de ver a grande questão do livro de Cervantes – quem se ilude com o quê?

Algumas das restantes participações conseguem ser prazenteiras até certo ponto, mas algo desiludidas em relação a trabalhos anteriores dos autores mais conhecidos (Max, Miguelanxo Prado) ou curiosas superficialmente mas pouco mais dos menos famosos (Carlos Nine, Jorge González). Outras não são mais do que exercícios de redução gráfica, infelizmente. Ainda assim, a convivência de todos estes trabalhos pode ser fruto de uma concessão (livro apoiado por uma instituição política, discursos sob uma vontade de elogio de La Mancha, em contrário do profundo significado de Cervantes), e não deixa de ser um exercício salutar de edição, também pela qualidade geral atingida, e que podia ser entre nós imitado, já que as experiências locais/camarárias, afora um ou dois exemplos felizes de livros ilustrados por um artista, não se têm verificado da melhor forma. E não se deve à falta de “Quixotes”...

do site português Ler BD

Pausa para a boa música: Alberta Hunter, a sublime diva do Jazz

sexta-feira, 30 de julho de 2010

O Homem desafia a Deus


A Editora Arx acaba de lançar no Brasil uma fantástica adaptação do romance “Frankenstein”, um dos maiores clássicos da literatura mundial (seguramente uma das histórias mais marcantes da literatura de terror, ao lado de Drácula de Bram Stocker), escrito em 1816 pela britânica Mary Shelley. O livro integra uma coleção lançada originalmente pela editora espanhola Parramón e que inclui outros clássicos, como: “Relatos de Poe”, baseado em contos fantásticos de Edgar Alan Poe e “Cuna de cuervos”, adaptado a partir de um conto da escritora espanhola Maria Zaragoza.

A história de Frankenstein já é amplamente conhecida e já foi adaptada para cinema, teatro e até desenhos animados. O cientista Victor Frankenstein, atormentado pela morte da mãe, decide dedicar todo sua engenhosidade a vencer o maior de todos os inimigos da humanidade: a morte. Depois de anos de estudos e dedicação insana, o médico alcança seu objetivo e consegue trazer um cadáver de volta à vida. Mas os resultados se mostram trágicos.

Essa versão de Frankenstein, realizada pelo desenhista espanhol, Meritxell Ribas e pelo escritor, também espanhol, Sergio Sierra, mostra uma perfeita harmonia entre roteiro e concepção gráfica. Ribas usa uma técnica que se assemelha à litografia, imprimindo um efeito ainda mais sombrio à história. O roteirista Sergio Sierra, por sua vez, conduziu a edição do texto original com maestria, preservando a perspectiva do original de Mary Shelley, onde a trama é narrada na primeira pessoa – pelo próprio cientista Victor Frankenstein.


No site que os dois autores mantém na internet para divulgação do livro eles postaram um comentário sobre a recém lançada edição brasileira:

"Esta semana Meri e eu tivemos a grata surpresa de conhecer finalmente a edição do nosso "Frankenstein, o moderno Prometeo" para o Brasil. Estamos muito contentes, sem nenhuma dúvida. Sobre o resultado da edição seguimos com a mesma sensação amarga das versões anteriores. Por um lado, o resultado das páginas melhorou consideravelmente e desta vez se fez justiça ao trabalho de Meri, permitindo que muitos dos detalhes que na edição francesa e espanhola se perderam, aqui possa ser apreciado.


Por outro lado, apesar de se ter optado por uma versão em cartoné, o desenho da página é o mesmo da edição espanhola, com a resssalva que a imagem não estão bem centrada e foi mal editada. Tampouco entendo porque o título completo da obra foi simplificado e em lugar de "Frankenstein o Moderno Prometeo", que aparece na capa interna das edições espanhola e francesa, a brasileira põe apenas "Frankenstein" . Esperamos que as críticas brasileiras não tardem a aparecer e sejam tão positivas como as críticas que recebemos na França e Espanha.


Bom, no que depender deste blog, os autores podem dormir sossegados. Sua versão para o romance de Mary Shelley é muito superior à outra adaptação recém lançada no Brasil, pela editora Salamandra, do artista francês Marion Mousse. Também não é exagero afirmar que o trabalho de Sierra e Ribas figura entre as melhores adaptações literarárias que já tive a chance de conhecer, como: Em Busca do Tempo Perdido, adaptação do clássico de Marcel Proust pelo artista Stéphane Heut, a saga do Capitão Alatriste (clássico da moderna literatura espanhola), adaptado por Joan Mundet ou ainda a versão de Peter Kuper para A Metamorfose, de Kafka.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

O Rei em quadrinhos


Uma HQ vai abordar a trajetória do cantor Elvis Presley e seu impacto na cultura pop. Chamada simplesmente de "Elvis", a obra é roteirizada pelos quadrinistas alemães Titus Ackermann e Reinhard Kleist.

No livro, a vida do “Rei do Rock” é dividida em dez capítulos que trazem detalhes de suas vivências. Estão contemplados o início do sucesso, a participação em produções hollywoodianas e sua decadência aos 40 anos que culminou com sua morte.

Cada uma das partes é ilustrada por diferentes artistas europeus. Kleist é responsável por dois episódios. Os outros estão divididos entre quadrinistas como Nic Klein, Uli Oesterle, Isabel Kreitz e Thomas von Kummant. Já Titus Ackermann faz um trabalho com ilustrações que remetem à fotos históricas do astro.

Publicada na Alemanha em 2007, a HQ "Elvis" tem lançamento previsto para o dia 31 de julho no Brasil.


(do site da BAND)

domingo, 25 de julho de 2010

O Fotógrafo. Uma apaixonante história sobre os Médicos Sem Fronteiras


O Afeganistão é um pequeno e pobre país encravado entre a Ásia e o Oriente Médio. Em toda sua história, o povo daquele país nunca conheceu um período de paz. As guerras são parte do presente e do passado do país. É neste território dominado por montanhas íngremes e desérticas, pela fome, pela ignorância e pela violência, que a organização Médicos Sem Fronteiras tem realizado nas últimas décadas um dos seus trabalhos mais marcantes em defesa da vida.

Apesar de extremamente pobre, o Afeganistão tem estado presente no noticiário internacional nas últimas três décadas de forma quase ininterrupta. Entre 1979 e 1989 o país enfrentou uma guerra sangrenta contra a União Soviética. Estima-se que as tropas russas chegaram a reunir um contingente de aproximadamente 120 mil soldados durante o período da campanha. O conflito ficou para a história como o equivalente soviético à derrota americana no Vietnã. Diversos historiadores, inclusive, afirmam que as enormes despesas com a guerra foram fator determinante para o desmantelamento do bloco soviético. Com a retirada do exército russo, o país enfrentou anos de guerra civil, que deixou um saldo superior a um milhão e mortos. A primeira década do século XXI marcaria o início da dominação de uma nova superpotência: os Estados Unidos.
O resultado dos sucessivos conflitos é uma população doente e desassistida. A violência e a intolerância praticamente destruíram o já frágil sistema de saúde deixando apenas poucos hospitais atuando de forma precária nas capitais das principais províncias. Para terem acesso a qualquer tipo de atendimento, os afegãos precisam se arriscar em viagens de milhares de quilômetros em zona de guerra. Por isso, a maioria das pessoas que precisam de atendimento acaba morrendo antes de chegar a um posto médico.

Ao longo de todo esse período, os Médicos Sem Fronteiras estiveram presentes no Afeganistão oferecendo atendimento em hospitais e postos avançados em plenas montanhas. O único período em que a organização esteve ausente do país se deu entre 2004/209, após o assassinato de cinco membros da equipe na província de Bagdhis.

Uma reportagem em fotos e quadrinhos
Em 1986, em pleno conflito soviético, a Médico Sem Fronteiras contratou o fotógrafo francês Didier Lefèvre para documentar a atividade da organização no país. Na época a MSF realizava caravanas clandestinas cruzando ilegalmente a fronteiras entre Paquistão e Afeganistão para levar atendimento aos povoados mais distantes da capital Cabul. Médicos e cirurgiões atravessavam quilômetros de desfiladeiros e territórios minados carregando medicamentos e equipamentos em lombos de burros e cavalos.

O resultado da viagem de três meses de Didier ao Afeganistão está reproduzido em uma série de três livros que começaram a ser lançados no Brasil pela Conrad Editora em 2006 e chegam agora ao último volume. Didier faz um relato pessoal e detalhista de tudo o que ele vê e descobre em sua viagem. Os atendimentos médicos, as diferenças culturais, os perigos da viagem... nada passa despercebido do olhar do autor. Ao final, nós temos a oportunidade de aprender não somente sobre a atuação dos Médicos Sem Fronteiras no Afeganistão, como sobre uma cultura tão complexa e diferente da nossa. Didier aborda as relações de gênero, as difíceis cirurgias feitas sob condições adversas, as belezas surpreendentes do país ainda em guerra, as diferenças religiosas...

“O Fotógrafo” usa a fusão entre fotos e quadrinhos para compor a história. Os desenhos estão a cargo de Emmanuel Guibert, um destacado artista francês que já foi objeto de outro post aqui no Nona Arte (A Guerra de Alan).

Uma grande história, um excelente roteiro e grandes imagens fazem de “O Fotógrafo” um trabalho memorável que entra para a história como um dos mais importantes relatos já produzidos em quadrinhos no mundo. Pena que os aficionados por quadrinhos no Brasil tivessem de esperar quatro anos pela conclusão da história...

O Afeganistão hoje
O site oficial dos Médicos Sem Fronteiras informa que “infelizmente, conforme as necessidades aumentam, se torna cada vez mais difícil para organizações de ajuda neutras e imparciais convencerem todas as partes envolvidas que seu único objetivo é levar ajuda. A distinção que já foi clara entre exércitos, atividades de reconstrução e desenvolvimento e ajuda humanitária se tornou confusa a partir do momento em que ajuda médica se tornou parte do campo de batalha: forças de coalizão internacional cooptaram assistência para iniciativas de “corações e mentes”, ocuparam hospitais e prenderam pacientes em suas camas enquanto grupos armados de oposição fizeram de trabalhadores humanitários e estruturas de saúde alvos por causa da presença de forças internacionais. Para ser aceita por todas as partes envolvidas no conflito, uma organização médica como MSF deve demonstrar, e comunicar claramente, completa imparcialidade, neutralidade e independência, por exemplo, não tomando nenhum partido no conflito, se recusando a aceitar fundos de qualquer governo que trabalhe no Afeganistão e no Paquistão e assegurando que nenhuma força militar, sejam elas nacionais, internacionais ou de oposição, entre no hospital com suas armas.”
Para saber mais sobre os Médicos Sem Fronteiras ou ajudar a organização, acesse o site oficial da organização


Confira um filme de divulgação do terceiro e último volume da série

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Calvin e Haroldo em movimento

Vale a pena conferir estes curtas feitos pelo jovem cineasta francês Kevin Cienki, e pelo italiano Donato DiCarlos, a partir de histórias de Calvin e Haroldo.

O caso dos biscoitos desaparecidos



Meus Pais e Eu


quarta-feira, 14 de julho de 2010

Warner lança versão em quadrinhos de novo filme de DiCaprio

 
Os estúdios Warner Bros. lançaram na terça-feira (13) na internet uma história em quadrinhos que ajuda a entender o início da trama de 'A origem', suspense dirigido por Christopher Nolan e estrelado por Leonardo DiCaprio.

Os quadrinhos contam um episódio que antecede a ação do filme - que narra a história de um espião que tem a habilidade de invadir sonhos de outras pessoas e roubar seus segredos. A HQ pode ser baixada no site oficial do filme.

'A origem', longa futurista recheado de ação e efeitos especiais, estreia no Brasil em 6 de agosto e traz, além de DiCaprio, Ellen Page, Michael Caine e Marion Cotillard no elenco.

(publicada no G1)

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Morre Harvey Pekar

 

Foi encontrado morto em sua casa, hoje, nos Estados Unidos, o escritor de histórias em quadrinhos Harvey Pekar, de 70 anos. Ele era o autor da série "American Splendor", que deu origem ao filme "Anti-herói Americano", em 2003, com Paul Giamatti. Autoridades foram chamadas à casa de Pekar no subúrbio de Cleveland pela mulher do autor, por volta da 1h (hora local), informou o capitão da polícia Michael Cannon. O corpo foi encontrado na cama.

Pekar vinha sofrendo de câncer de próstata, pressão alta e depressão, segundo Cannon. O artista havia ido para a cama às 16h30 de domingo, sentindo-se bem, segundo a mulher dele. Um porta-voz do escritório do juiz investigador do condado disse que uma autópsia deve ser realizada. O funcionário afirmou que ainda não foi determinada a causa da morte.

Os quadrinhos de "American Splendor", que começaram a ser publicados em 1976, traziam reclamações de Pekar sobre temas como trabalho, dinheiro e a monotonia da vida. Os comentários inusitados tornaram a obra um cult, por seus insights de humor e um toque politicamente incorreto.

Em 2003, o Círculo de Críticos de Filmes de Nova York considerou "Anti-herói Americano" como melhor filme de diretor estreante, prêmio dado à dupla de diretores e roteiristas Shari Springer Berman e Robert Pulcini. Em parte representado e em parte um documentário, com elementos animados adicionados, o filme trazia como ator principal Giamatti, no papel do outsider Pekar.

Em 1997, Pekar disse que não pretendia parar de escrever a série "American Splendor". "Não há fim à vista para mim. Eu quero continuar a fazer isso", afirmou o artista. "É uma autobiografia contínua, o trabalho de uma vida."

Confira um trailer do filme:

domingo, 11 de julho de 2010

O paradoxo estendido na areia


O livro cachalote do escritor Daniel Galera e do desenhista Rafael Coutinho é um dos romances gráficos mais ambiciosos já lançados no Brasil. Com 320 páginas não numeradas, Cachalote revela um artista maduro – Rafael Coutinho (filho do desenhista Laerte) e confirma o bom momento de Daniel Galera, com vários prêmios literários e trabalhos publicados no Brasil, Itália e Portugal. Entretanto, Cachalote não é fácil de rotular ou explicar.

Seis histórias se alternam, sem se cruzarem. Personagens perdidos, como náufragos se agarrando em pedaços escorregadios de gelo: um escultor obcecado por sua arte, um playboy arrogante e mimado que é expulso de casa, um jovem sádico e sua namorada que parece feita de vidro, um ator chinês decadente, um escritor que se recupera de uma dependência química e uma mulher idosa e surpreendentemente grávida.

A cachalote, que surge em apenas três passagens do livro, parece apontar ao leitor – de forma concreta – o absurdo, o contraditório e o fantástico da vida comum. Os personagens construídos por Daniel Galera não são ruins, mas o fato é que ele não consegue extrair o melhor deles. A trama, por outro lado, é instigante. Consegue deixa o leitor ávido pela solução final... Por saber até onde os personagens irão... Aqui reside o principal problema do livro: ao meu ver, Daniel Galera não consegue levar a tensão e o clímax da história a um bom termo. Esta talvez seja a explicação para uma sensação de incompletude e desconforto que toma o leitor ao final de Cachalote.

Mas não é o roteiro que faz de Cachalote uma obra imperdível, mas a arte de Rafael Coutinho. O desenhista conseguiu alcançar um nível de domínio da linguagem narrativa que o coloca no nível dos melhores artistas internacionais.

Confira abaixo uma entrevista dos autores para a revista eletrônica - Cyberfam - da PUC Gaúcha.