A organização da Jornada Mundial da Juventude 2011 (JMJ), em Madrid, anunciou hoje a publicação de uma obra em formato Mangá sobre a vida do papa Bento XVI, eleito em Abril de 2005.
Em comunicado enviado à Agência ECCLESIA, os promotores do maior encontro internacional de jovens católicos adiantam que a revista «Habemus Papam» (temos Papa), em estilo manga, vai ser lançada e distribuída durante o evento, que decorre de 16 a 21 de Agosto.
Jonathan Lin, diretor da editora Atiqtuq, fala numa “oportunidade de chegar a muitas pessoas num formato atraente”. A publicação vai contar com 300 mil exemplares, em inglês e espanhol.
Confira uma entrevista com Jonathan Lin publicada no site espanhol Religião em Liberdade
¿Qué propósito tiene este cómic?
El objetivo de ‘Habemus Papam’ es presentar al Papa Benedicto XVI a aquellos que todavía no saben mucho sobre él, salvo que se trata del máximo representante de la Iglesia Católica. Esta breve historia reproduce las diferentes vivencias del Santo Padre por todo el mundo –especialmente como cardenal trabajando con su antecesor Juan Pablo II, y culminando con el momento en que fue elegido obispo de Roma.
¿Por qué un cómic manga?
En la última década la popularidad del manga ha experimentado un crecimiento asombroso en todo el mundo, y ha convertido en fans a millones de niños y adultos. De hecho es considerado una de las exportaciones japonesas más exitosas. El manga ha adquirido una gran extensión de contenidos en un gran número de géneros. Queremos utilizar el manga como una herramienta para mostrar a la juventud y al mundo una Iglesia sin miedo a la modernidad y a la rápida evolución de la cultura. No hemos dudado en usar nuevas formas mediáticas para comunicarnos con la gente joven.
¿Va a llegar a los jóvenes?
Es una oportunidad para dar a conocer a la gente de forma inspiradora y atractiva al Papa Benedicto XVI, y especialmente su mensaje a los jóvenes. El manga se considera una de las formas más novedosas del entretenimiento y ofrece una manera fácil de leer para personas de cualquier edad. El Papa Juan Pablo II resaltó la importancia del uso de nuevas formas de comunicación para conocer más de cerca a la gente joven y cimentar una cultura de amor y de dignidad. El manga es uno de esos medios.
Este nos es el primer tema manga de contenido religioso que ha producido. ¿Qué le llevó a la idea de llevar a cabo cómics de temas bíblicos?
Estaba pensando en crear un negocio y hablé con mis padres; pensamos en varias ideas. Mi padre me preguntó cómo es que no había cómics manga basados en historias de la Biblia o en la vida de los santos. Me quedé pensando. Era cierto, no existía apenas ninguno, como mucho unos pocos. Y en este momento es cuando la idea de Manga Hero nació. También he querido siempre hacer algo que tuviera un impacto positivo en la sociedad. La gran influencia de los medios de comunicación en nuestra cultura, concretamente en los jóvenes, sentí que este instrumento podría marcar la diferencia.
Tus últimas creaciones han sido sobre Judit y san Pablo. ¿Por qué representaste a estos dos personajes en héroes?
San Pablo y Judit representan perfectamente a un héroe y a una heroína –dos personas célebres que mostraron su valor y su nobleza en sus propósitos, especialmente cuando arriesgaron o sacrificaron sus vidas para algo más importante, su fe.
Crear estos mangas es un verdadero esfuerzo. Háblanos sobre ello.
Tenemos dos excelentes escritores, Gabrielle Gniewek y Mathew Salisbury, ambos de la Universidad Católica Juan Pablo el Grande de San Diego, la cual se especializa en los nuevos medios como herramienta para cambiar el mundo. Nuestro dibujante, Sean Lam, es un artista profesional de Singapur especializado en manga, además de ser un apasionado a la hora de crear historias sobre virtudes positivas y heroísmo. ‘Habemus Papam’ será impreso en Pinto, España, por el Grupo Gráfico Dédalo, y por supuesto, todo el proyecto está producido por Manga Hero en San Rafael.
¿Cómo esperas que reciban los peregrinos de la JMJ ‘Habemus Papam’?
Queremos distribuir el cómic por todo Madrid, a los participantes de la JMJ, también en sitios públicos como iglesias, colegios, hoteles, casas de juventud, estaciones de metro, el aeropuerto, kioscos de prensa y lugares turísticos, entre otros. Tenemos planeado imprimir más de 300.000 ejemplares tanto en inglés como en español. Esperamos que resulte una buena iniciativa y que enseñe a la gente acerca del Santo Padre, así como la importancia, la visibilidad y la actividad de la Iglesia en la cultura moderna. Queremos que la mayor cantidad de gente posible lea nuestro cómic.
sexta-feira, 25 de março de 2011
segunda-feira, 21 de março de 2011
Artistas unidos para ajudar as vítimas do Tsunami
Em 11 março de 2011, o Japão foi atingido pelo maior terremoto de sua história. Artistas de diferentes países, movidos pela sensibilidade às vítimas da tragédia começaram a criar e difundir imagens que fazem uma leitura do acontecimento.
Esses artistas, reunidos em uma comunidade virtual, estão empenhados em apoiar as vítimas. Visite o site e veja como você pode contribuir. Abaixo estou relacionando uma pequena amostra das imagens.
Esses artistas, reunidos em uma comunidade virtual, estão empenhados em apoiar as vítimas. Visite o site e veja como você pode contribuir. Abaixo estou relacionando uma pequena amostra das imagens.
domingo, 20 de março de 2011
Artistas reproduzem a tragédia japonesa
Os artistas Yoshihiro Tatsumi, Yuichi Yokoyama e Tatsuro Kiuchi ilustram o desastre do Japão para o jornal The New York Times.
A guerra do Professor Bertenev
Em qualquer guerra, o que realmente importa não são os triunfos ou derrotas, as histórias oficiais de políticos e militares ou o balanço numérico de perdas e danos; mas os testemunhos dos homens, mulheres e crianças que sobrevivem ao horror das batalhas e assassinatos. Somente as memórias dessas pessoas anônimas, que têm suas vidas destroçadas por interesses alheios aos seus, podem ser capazes de comover a opinião pública e evitar que novas guerras ocorram.
Partindo desta premissa, o premiado artista espanhol, Alfonso Zapico, criou em seu primeiro romance gráfico (lançado inicialmente na França e somente depois na Espanha) uma história delicada que reflete o absurdo das guerras, tendo como pano de fundo um momento da história que já havia influenciado o surgimento de outra obra prima da literatura mundial: Ana Karenina, de León Tolstoi. Zapico conta que queria criar uma história ambientada na Guerra da Crimeia, com grandes batalhas, soldados cossacos e cargas de cavalaria... “quando um homenzinho frágil, míope e ingênuo foi pouco a pouco dominando a narrativa”. E o que foi pensado como uma aventura épica acabou se tornando um manifesto contra a Guerra. “Eu buscava Errol Flynn e me saiu Bertenev”, conta Zapico.
A Guerra da Crimeia foi um conflito travado entre 1853 e 1856 que colocou de um lado o Império Russo e suas pretensões expansionistas e, de outro, uma coligação composta por França, Reino Unido, Piemonte/Sardenha (atual Itália) e o império Turco-Otomano.
Neste contexto, o artista espanhol desenvolve a fantástica história de amizade entre um soldado russo, o professor Bertenev, e o oficial inglês John Townsend. O romance gráfico tem início no ano de 1856, o último da guerra, em um cenário de batalha em que a aliança entre ingleses e franceses avança sobre o exército russo , já praticamente destroçado. O capitão russo, Alexis Golitnichef promete – apesar da iminente derrota – encher a terra de cadáveres antes de retirar-se ou render-se.
É neste momento que Bertenev resolve fugir e acaba aprisionado por Townsend. O domínio do idioma inglês e a história de vida do russo acabam despertando o interesse do oficial britânico. Assim, os leitores descobrem como Bertenev acabou sendo forçado a se alistar no exército depois de editar um jornal clandestino destinado a intelectuais e artistas, conclamando a uma mudança profunda do país. A surpreendente amizade com o oficial inimigo acaba condenando irremediavelmente Bertenev, que se vê alvo do ódio dos demais soldados russos.
As referências literárias e artísticas de Zapico que vão surgindo ao longo do livro são numerosas: Konstantin Batiushkov, Aleksandr Pushkin, Tolstoi, Dostoievski e Gorki. O artista se dedica agora a produzir um novo romance gráfico baseado na história do escritor James Joyce (autor do clássico da literatura “Ulisses”). “É um personagem fascinante, que teve umam vida extraordinária e meu objetivo não é contar uma história complicada como Ulisses, mas recriar a vida do autor”, diz Zapico. O autor mantém um blog excelente onde os fãs podem acompanhar os seus projetos. Confira também outro post já publicado no Nona Arte sobre o segundo romance gráfico do artista espanhol, ambientado em Jerusalém.
domingo, 27 de fevereiro de 2011
A saga do descobrimento do Amazonas
Um mundo desconhecido. Culturas completamente diferentes, temperaturas terrivelmente altas, doenças, insetos... Durante seis anos o navegador espanhol Francisco Orellana e sua tripulação exploraram os rios da bacia amazônica e escreveram um dos momentos mais importantes na história dos grandes descobrimentos: a primeira viagem ao longo de toda a extensão do rio Amazonas, da sua nascente à foz.
O ano de 2011 marca os quinhentos anos do nascimento do navegador e está sendo objeto de grandes comemorações na Espanha. Como parte das celebrações, o Centro Extremeño de Estudios y Cooperación con Iberoamérica acaba de lançar o livro Navio de Tuertos, do artista Fermín Solís, que relata a história de Orellana durante o período em que navegou o ´´Rio-Mar´´. O livro é o primeiro volume de uma série que pretende revisitar os grandes acontecimentos da história das navegações para estudantes das escolas espanholas.
Fermín é um jovem artista espanhol, vencedor de prêmios como ´´Prêmio Nacional de Comic´´ ou o Salão de Comic de Barcelona. Seu trabalho lembra imediatamente dois artistas brasileiros: Caco Galhardo e Fido Nesti. Um traço claro, simples e um tanto cômico. Fermín diz que sua intenção era fazer uma obra acessível a diferentes públicos... em especial crianças e adolescentes.
O Nona Arte recebeu do Centro Extremeño um exemplar de Navio de Tuertos para avaliação. A obra resulta em um excelente trabalho, considerando o propósito ao qual a série está destinada. O artista espanhol revela muita familiaridade com a narrativa gráfica. O enredo é bem construído e Fermín consegue superar o seu maior desafio, que é conseguir contar uma história fantástica e cheia de aventuras em pouco mais de 60 páginas. Outro feito alcançado por Navio de Tuertos é o de ser um trabalho voltado para estudantes, mas sem o ranço de ser uma ´´obra didática´´, onde muitas vezes encontramos narrativas extremamente formais e pouca criatividade. Confira uma entrevista coletiva do artista e dos coordenadores da série concedida a uma TV espanhola.
sábado, 19 de fevereiro de 2011
Arte contra canhões
Esta excelente dica vem da amiga e leitora do Nona Arte, Cristina Carvalho: O Filme Joyeux Noël, que concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2005, relata um episódio fantástico e real que ocorreu durante o natal de 1914, onde soldados alemães, franceses e britânicos cessaram por um momento as hostilidades e se confraternizaram.
Eu já havia feito referência a esse acontecimento o escrever sobre o livro "Às Inimigo" de George Pratt. Os mais antigos vão lembrar de um clip de Paul MacCartney dos anos 80 onde o próprio beatle interpreta, ao mesmo tempo, um oficial alemão e um inglês que trocam fotos e brindam no dia do natal enquanto os soldados disputam uma improvisada partida de futebol.
Pois bem, a história era verdadeira. E aconteceu em diversos pontos do front, não apenas em 1914, mas se repetiu em 1915. Relatos sobre estas confraternizações foram encontradas em cartas escritas por soldados dos dois lados em conflito e "censuradas" pelos oficiais...
Depois de ter a chance de assistir ao filme, não poderia deixar de indicá-lo aos outros leitores do Nona Arte. O filme é imperdível.
Não deixe de conferir outros posts sobre a Primeira Guerra em: A mãe de todas as guerras ou Inferno nas Trincheiras
Eu já havia feito referência a esse acontecimento o escrever sobre o livro "Às Inimigo" de George Pratt. Os mais antigos vão lembrar de um clip de Paul MacCartney dos anos 80 onde o próprio beatle interpreta, ao mesmo tempo, um oficial alemão e um inglês que trocam fotos e brindam no dia do natal enquanto os soldados disputam uma improvisada partida de futebol.
Pois bem, a história era verdadeira. E aconteceu em diversos pontos do front, não apenas em 1914, mas se repetiu em 1915. Relatos sobre estas confraternizações foram encontradas em cartas escritas por soldados dos dois lados em conflito e "censuradas" pelos oficiais...
Depois de ter a chance de assistir ao filme, não poderia deixar de indicá-lo aos outros leitores do Nona Arte. O filme é imperdível.
Não deixe de conferir outros posts sobre a Primeira Guerra em: A mãe de todas as guerras ou Inferno nas Trincheiras
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Liniers em talk show
O artista argentino Liniers faz um animadíssimo talk show sobre novas tecnologias... Ele se auto-define com o último ser humano que não sabe usar um computador...
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
A vida no Iran
A artista iraniana Marjane Satrapi, autora do premiado “Persépolis” abriu os caminhos para que os quadrinistas do oriente médio – em especial as mulheres – pudessem conquistar seu espaço no mercado editorial dos comics adultos.
Aqui mesmo no Nona Arte já comentamos os trabalhos da própria Marjane Satrapi, de Zeina Abirached ou o site dedicado aos conflitos no Irã após as eleições fraudulentas que resultaram na vitória do presidente Mahmoud Ahmadinejad. Trabalhos inovadores, criativos e que jogaram um pouco mais de luz sobre o desconhecido mundo muçulmano.
Tudo começou com Marjane em 2000 com o lançamento de Persépolis na França. A artista foi também uma das precursoras dos romances gráficos de caráter biográfico que se tornaram uma febre ao longo da década passada. De lá para cá, dezenas de trabalhos bons e maus chegaram ao mercado e acabaram saturando a fórmula...
Seguindo os caminhos já pavimentados, outra artista iraniana resolveu revisitar sua trajetória em um romance gráfico. Parsua Bashi tem uma trajetória bastante semelhante à de Marjane Satrapi: a adolescência vivida em um país com cada vez menos liberdades individuais,as restrições religiosas, o “auto-exílio” no exterior, os conflitos cuturais... Aliás, no seu livro, Parsua faz uma referência explícita a Marjane.
Parsua Bashi nasceu em 1966 em Teerã e cursou a faculdade de Artes entre 1984 e 1989. Desde 1996 ela tem trabalhado como designer para várias editoras iranianas além de produtores culturais nas áreas de cinema, teatro, festivais e concertos. A artista tem atuado continuamente em projetos voltados a publicações de outras autoras iranianas.
Comparado ao trabalho de Satrapi, a obra de Parsua soa pouco inovadora e previsível. Seu traço tem bastante comicidade, mas ela usa textos em demasia e não explora os recursos possíveis da narrativa gráfica. Algo que Marjane e a libanesa Zeina Abirached fazem com maestria... Entretanto, Nylon Road é uma obra válida para quem quer conhecer um pouco melhor a história recente do Irã pelos olhos de uma testemunha real.
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Um Espião de Stalin no Japão
A história está repleta de casos onde apenas um homem foi capaz de mudar os destinos de toda a humanidade. Alguns deles serão eternamente lembrados. Outros, estão relegados a um papel secundário e – não raro – são completamente esquecidos. O espião russo Richard Sorge é apontado como o maior responsável por um acontecimento que mudaria definitivamente o resultado da Segunda Guerra Mundial. Apesar disso, foi quase completamente e apagado da história pela ditadura stalinista.
Foi Sorge que transmitiu a Stalin a informação de que o Japão não atacaria a União Soviética, permitindo o deslocamento das tropas do Exército Vermelho estacionadas na Sibéria para conter o avanço de Hitler no front europeu. Sorge acabou preso pela polícia secreta japonesa e enforcado por espionagem em novembro de 1941. Mas o seu trabalho seria determinante para alterar o cenário global da guerra colocando o jogo a favor dos exércitos aliados.
A premiada artista alemã, Isabel Kreitz, lançou em 2008 um romance gráfico que resgata para a opinião pública mundial a figura de Richard Sorge, considerado como um dos mais importantes espiões da história. Para se ter uma idéia da importância de Sorge, basta dizer que o escritor Ian Fleming, criador do personagem 007, aponta o russo como um dos mais formidáveis espiões de todos os tempos.
O livro de Isabel Kreitz relembra os últimos meses de vida de Sorge no Japão, a partir dos testemunhos de homens e mulheres que conviveram com ele em Tóquio enquanto o espião repassava informações secretas sobre os movimentos das tropas alemãs e japonesas para Moscou. Para concretizar seu projeto, Isabel realizou amplas pesquisas sobre o cenário de Tóquio nos anos 30. Além disso, ela levantou documentos da época e resgatou entrevistas antigas concedidas por personagens já falecidos.
Apesar de uma longa e sólida militância junto ao partido comunista alemão e de passagens pela Rússia para estudos marxistas, Sorge conseguiu conquistar a confiança de funcionários do alto escalão do governo japonês e do próprio embaixador alemão em Tóquio. Para isso, foi valioso um ferimento de guerra e uma medalha Cruz de Ferro, “adquiridos” durante sua passagem – ainda na juventude – pelo exército alemão na Primeira Guerra.
Stalin ignora os avisos – Apesar do risco constante de morte, o trabalho de Sorge não teve sempre, por parte do ditador russo, a devida atenção. Em 1941 ele transmitiu dados precisos sobre os planos de Hitler de invadir a Rússia (ação que ficou conhecida como Operação Barbarossa). Na época, a Alemanha tinha um tratado de não agressão com o governo russo e Stalin não acreditava que Hitler abriria uma nova frente de batalha em uma guerra que já colocava os exércitos alemães em confronto com países na Europa e África. Se as informações do espião tivessem sido consideradas, a Rússia poderia ter evitado a invasão alemã e mudado os rumos da guerra..
Documentos russos da época revelam que as atitudes extravagantes e exageradas de Richard Sorge geraram desconfiança sobre a confiabilidade das suas informações. Paradoxalmente, o mesmo comportamento que lhe servia de disfarce também o colocou em descrédito. Sorge era conhecido por bebedeiras eméritas, pela boemia e pela fama de mulherengo...
Depois de que Sorge foi preso pela polícia secreta japonesa, o Governo de Stalin teve oportunidades de resgatar o seu espião por meio de trocas de prisioneiros. Mas os russos nunca fizeram nenhum movimento efetivo para libertá-lo. Acredita-se que Stalin tenha querido esconder a existência de Sorge para fugir ao vexame de ter tido a oportunidade de barrar a invasão alemã quando teve oportunidade e não ter feito nenhum movimento em contrário. Durante décadas o governo russo sequer reconhecia a morte do espião e difundiu histórias de que Sorge teria fugido para a União Soviética após a Guerra.
Uma boa história. Um livro... – O romance gráfico de Isabel Kreitz tem um grande mérito e alguns pontos negativos. O indiscutível ponto a favor é o fato de trazer a público a história de Sorge. Entretanto, há vários problemas no livro... O primeiro é o traço de Isabel. A artista alcança um bom resultado na reconstituição arquitetônica de ruas e prédios, mas é sofrível ao representar figuras humanas. Em certas passagens, chega a ser bastante difícil identificar os personagens... O segundo revés é o próprio roteiro. Isabel faz uma história previsível, burocrática, muito aquém das possibilidades que a trama poderia proporcionar... Por último, a concepção gráfica da narrativa também frustra. Diferente de outras histórias já comentadas aqui no Nona Arte (inclusive sobre a II Guerra), o livro também é muito convencional neste aspecto. Isabel usa o enquadramento comum e também divide o espaço da página de forma habitual.
É uma pena que a história de Sorge não tenha um romance gráfico à altura. Mas, de todo modo, fica a dica. Quem tiver a possibilidade de ter um exemplar do livro à mão pode tirar suas próprias conclusões... Por enquanto, já que o livro ainda não está disponível no Brasil, vale a pena conferir um trecho de um filme produzido no Japão sobre a história do espião que ajudou a derrotar Hitler.
domingo, 9 de janeiro de 2011
Crumb abre o verbo
Confira uma excelente entrevista com o quadrinista americano Robert Crumb publicada no site espanhol Entrecomics. A entrevista foi realizada por Ted Widmer e publicada na The Paris Review.
Empecemos con Génesis. ¿De dónde parte este libro?
Bueno, la verdad es un poco estúpida, en realidad. Lo hice por el dinero y rápidamente empecé a arrepentirme. Fue una cantidad de trabajo enorme -cuatro años de trabajo y apenas si mereció la pena. Fui demasiado compulsivo con el detalle. En el cómic, tienes que desarrollar algún tipo de atajo. No puedes hacer que cada dibujo sea extremadamente detallado. El lector medio en realidad no quiere todo este detalle, interfiere con la fluidez del proceso de lectura. Pero no puedo evitarlo -desorden obsesivo-compulsivo.
Pero también parece un trabajo hecho con amor.
Intenté ser respetuoso. Decidí no burlarme del texto, no introducir ningún tipo de material gracioso. Varias veces estuve tentado. Pero después lo borré porque distrae del texto. El propio texto es tan apasionante que simplemente ilustrarlo ya es suficiente. Pero no vas a agradar a la gente que cree que la Biblia es la palabra de Dios. Encontrarán fallos. A los judíos no les gustará porque representas físicamente a Dios. Y el hecho de que muestre a gente practicando el sexo, eso elimina a un montón de cristianos.
¿Leíste de niño versiones en cómic de la Biblia?
No. No me interesaban. En la adolescencia pasé por un breve estado de fanatismo religioso, pero fue sobre todo recitar plegarias y cosas así, recitar rosarios y emplear un montón de tiempo en esa especie de ritual católico. Mi hermano Charles admiraba a San Francisco, caminaba con piedras en los zapatos. Pero pronto empezamos a ver más allá, mi hermano y yo empezamos a cuestionar la iglesia y en seguida todo aquello se desmoronó para nosotros.
Génesis es obviamente una novela gráfica, pero la portada es como la portada de un comic book de los años 50.
¡Es un Classic Illustrated! Tuve que discutir con ellos para que me dejaran llamarlo “ilustrado”. Querían llamarlo El libro del Génesis según R. Crumb, pero yo preferí “ilustrado por”. Prefería una posición más humilde. Es un trabajo de ilustración, ¿vale? La ilustración tiene mala reputación en la cultura moderna debido a décadas en las que artistas que eran “meros ilustradores” eran considerados inferiores a los artistas serios. A los ilustradores se les miraba por encima del hombro. Quería decir que no eras una persona realmente creativa, simplemente tenías la habilidad técnica que prestabas a las ideas de otro. Pero son todo chorradas -el mundo de las bellas artes, el mito del artista como genio creativo. Esas son algunas de las revelaciones más potentes sobre lo que ocurrió.
Hice los dibujos agradables, y a la gente que le gusta ese tipo de cosas, la estética, quedaron impresionados, pero lo más significativo es en realidad ilustrar todo lo que hay ahí. Esa es la contribución más significativa que he hecho. Saca todo a relucir. Los cómics son buenos para eso. Muchas de las experiencias educativas que he tenido sobre cosas importantes, vienen de los cómics. Un artista japonés hizo un comic book sobre su infancia en el Japón militarizado y sobre la caída de la bomba. Se llama Hiroshima. Es muy potente y realista. También Palestina, el libro de Joe Sacco, y su libro sobre Bosnia, o el Maus de Art Spiegelman, una potente historia sobre el Holocausto.
¿Cómo te hiciste con la documentación para Génesis desde un pueblecito medieval del sur de Francia?
¡Hey, venga ya, estamos en la era digital! ¡Puedes conseguirlo todo desde cualquier sitio! Un amigo me consiguió el DVD de Los diez mandamientos y algunas otras épicas bíblicas y congeló la imagen y tomó cientos de fotos. Desarrollé un gran respeto por Cecil B DeMille. Cuando congelas los fotogramas y los miras de cerca, cada detalle es realmente interesante. Tienes a esos burros tirando de carros primitivos con grandes vasijas atadas con cuerdas, y usé todo eso. Todas las estatuas, las filas de leones según sales de la ciudad del faraón. Está hermosamente realizado y la artesanía y atención al detalle era muy reseñable.
¿Usaste libros de historia sobre los inicios del cristianismo?
Tienes que mirar mucho más atrás, al inicio de la civilización mesopotámica, porque las historias de Abraham y todo eso… son del año 2000 antes de Cristo. Es difícil encontrar referencias visuales mesopotámicas que lleguen tan atrás. ¿Cómo vestía la gente? ¿Tenían puertas? ¿Las puertas tenían bisagras, o qué? La Biblia dice, Lot cerro la puerta y no dejó que los hombres entrasen, pero ¿de qué estaba hecha la puerta?
¿Fue un reto dibujar a Dios? En el pasado habías dibujado viñetas en las que Dios habla a alguien.
Mr. Natural. Pero también vi a Dios en un sueño en el año 2000.
¿Qué aspecto tenía?
Tenía rasgos casi como Mel Gibson o Charlton Heston, muy severo pero a la vez con un aspecto como angustiado. Y me advertía del ago, muy brevemente, me advertía sobre esa fuerza destructiva que se hacía cada vez más fuerte, y dado que él amaba la Tierra o esta realidad o como quieras llamarlo, me estaba alistando como una de las personas destinadas a proteger esta realidad de la fuerza destructiva. Cuando trataba de imaginar cómo dibujar a Dios, recordé esa imagen, que solo pude mirar durante una fracción de segundo por lo doloroso que resultaba mirar su cara, tan severa y a la vez tan angustiada.
¿Le diste esa cara a Dios en Génesis?
Lo intenté. No lo captura del todo. Fue mi punto de referencia. Durante todo el proceso, volvía atrás y redibujaba la cara, seguía borrando y rehaciendola para intentar captarla con propiedad.
Luego no fue un “puro trabajo de ilustración”, ¿no?
No lo fue, pero quería ilustrar el texto tan apropiadamente y con tanta precisión como fuera capaz. Miré un montón de vieja imaginería europea y todo era demasiado hortera… a menos que te retrotrayeras a la época en que el material era realmente crudo, en la alta Edad Media, cuando todo era iconográfico y crudo y primitivo. El reto principal para la precisión era leer el texto con mucha atención para asegurarme de que no malinterpretaba nada. Cuando haces eso te das cuenta de que está extremadamente condensado, y probablemente vino de un período en el que había evolucionado en forma de recitado por los hebreos seminómadas, como hacen en las tiendas beduinas hoy en día. Recitan su historia a lo largo de cuarenta generaciones, y no acabaría nunca a menos que empieces a condensarla. Pero también pueden condensar tanto las cosas que pierdan su significado.
Génesis fue muy exigente. Se lo dediqué a Aline porque en seguida se dio cuenta de que yo no iba a poder terminarlo a menos que me aislase, de manera que me encontró un sitio en las montañas. Se llaman gîtes -una pequeña casa con una cocinita. Cada vez que iba me pasaba allí semanas.
Eras como un escriba medieval.
Un monasterio habría sido perfecto.
¿Así que primero haces cada viñeta a lápiz y luego la entintas?
Sí, primero uso lápiz. En Génesis, como había tantas cosas técnicas que tenía que hacer, especialmente dibujar correctamente la anatomía, a menudo primero hacía un boceto en un trozo de papel sucio, hacía pruebas antes de empezar a dibujar a lápiz en el papel de dibujo. Cómo es este ángulo, su brazo, y el tipo sujeta una herramienta, ¿qué aspecto tiene? Usé el Animal Locomotion de Muybridge, de finales del siglo XIX. Incluye cientos de fotos de gente desnuda en acción, muy útil para cualquier tipo de trabajo de dibujo en el que tengas que dibujar a gente de manera realista en diferentes acciones y poses. Como la escena en que Jacob está luchando con el ángel; afortunadamente había páginas de fotos en el libro de Muybridge de hombres luchando.
¿Usaste modelos vivientes para alguno de esos dibujos?
Unas pocas veces pedía gente que posase porque los ropajes son muy peliagudos, esas capas y tal. A veces es imposible saber cómo va a caer la ropa en ciertas posiciones, pedía a alguien que pusiera una cortina en determinada posición para ver cómo caería la ropa. No te puedes inventar esas cosas.
¿Cuántas viñetas al día podías llegar a hacer?
Depende de la cantidad de detalle y de la cantidad de voluntad y entusiasmo. Eso cambia de un día a otro. Si el dibujo era bastante simple, podía llegar a hacer dos tercios de una página al día. SI era más complicado, tal vez media página.
¿Y después finalmente te ibas a casa?
Aline venía a por mí, porque ella era la única que sabía dónde estaba. Venía los fines de semana y me traía comida y cosas y cartas, correo que había llegado.
¿Pensaste alguna vez que sería tan difícil terminar?
No, solo sabía que lo tenía que terminar. Lo comparaba con colocar raíles para el transiberiano. Fue largo, fue la cosa más larga que he hecho con diferencia. Cuando llegué a la última viñeta no me lo podía creer. Ahora estoy hartísimo de todo este asunto. He acabado con la Biblia. De vuelta a dibujar pornografía.
Has dicho que eres disléxico. ¿Eso te empujó hacia el cómic cuando eras niño?
Los únicos libros auténticos que leí eran los libros de texto del colegio, y eran aburridos. Y la manera en que te enseñaban a leer historias en el colegio era muy aburrida. No me interesaba para nada. Mi hermano Charles empezó a interesarse en leer auténticos libros antes que yo. A mí me costaba mucho leer, leía muy lentamente y con errores, debido a la dislexia. Incluso los cómics con mucho texto me desanimaban hasta que que llegué al período entre la mitad y el final de mi adolescencia. El texto era duro para mí, y he necesitado décadas para convertirme en un buen lector.
Aún así tú pones bastante texto en tus cómics. Escribes cada letra de cada palabra hermosamente -es un trabajo muy laborioso.
Cuando escribes lentamente tienes más tiempo para pensar cómo construir las palabras. No escribo a máquina, simplemente escribo a mano en mayúscula. Me tomo el tiempo para pensar cómo articular las cosas. En mi vida he escrito mucho… he mantenido mucha correspondencia y he llevado diarios a lo largo de los años. Empecé joven intercambiando largas cartas con un par de personas. Comunicarme a través del papel era más fácil para mí que comunicarme en persona.
¿Conservas los cómics de tu infancia?
Algunos. A principios de los 70 me encontré con un tipo que vendía la colección completa de Little Lulu. La compré entera. También me interesaba Dick Tracy desde que tenía 11 años. Era una tira genial. Tenía una extraña visión psicótica en blanco y negro del mundo que era fascinante, negativa y escalofriante. Recortaba cada día las tiras y las pegaba en grandes álbumes. Estuve haciéndolo durante seis meses, cortando diariamente las tiras. Era la única manera de tenerlas.
La Nancy de Ernie Bushmiller era una de mis favoritas, porque era realmente fácil de leer. Me gustó Peanuts durante una temporada, desde finales de los años 50 hasta principios de los 60. Era una tira bien escrita, una tira literaria, el dibujo era mínimo. Al final de mi adolescencia me metí en Jules Feiffer. Hizo uno de los primeros cómics personales, psicológicos, adultos. Me resultó inspirador. En aquellos cómics había introspección neurótica.
¿Qué pensabas de MAD?
Recuerdo la primera vez que vi MAD, vi el primer número en el kiosco a finales de 1951, yo tenía nueve años y no lo entendí. ¿”Es Melven”? ¿Qué significa eso? ¿Qué demonios? Y después no lo volví a ver hasta que vi el número once, que es ese en el que hicieron una parodia de la revista Life en la portada. Eso me flipó, ese dibujo de Basil Wolverton, esa parodia salvaje de la revista Life. ¡Oh, Dios mío, no podía creer lo que veían mis ojos! Eso era muy subversivo para mí con diez, once años, y desde entonces empecé a mirar MAD, pero no podíamos llevarlo a casa. Mi madre no lo habría permitido en casa, esos dibujos de chicas, sexys, rijosas.
¿Así que lo escondías?
Lo mirábamos en el kiosco hasta que tuve catorce años, cuando por fin empecé a comprar ese material y llevarlo a casa. Recuerdo que cuando vi por primera vez la revista de Harvey Kurtzman Humbug en 1957, no podía creer lo que veían mis ojos, de lo rara que era. Tenía ese dibujo tan potente que satirizaba la vida americana, y estaba hermosamente dibujado y era oscuro y extraño. El material de Harvey Kurtzman fue uno de mis mayores escapes de la realidad cuando era niño.
Seguí la carrera de Kurtzman de todo lo cerca que pude mientras hizo revistas y cómics. Era un desastre comercial tremendo, era muy trágico cuando sucedía. Acabó trabajando para Playboy, haciendo eso de Annie Fanny, que estaba bien, pero no no era como su material anterior. Estaba constreñido por Hugh Hefner, que interfería constantemente en la serie de Annie Fanny, metía mano y hacía todo tipo de cambios en papel cebolla sobre los bocetos a lápiz que había hecho Kurtzman. Muy desmoralizante. Después de que Kurtzman y yo nos hiciéramos amigos, un día estaba con él y empezó a llorar por la vejación que suponían todas esas correcciones que pedía Hefner. Fue una imagen terrible que soportar, y resolví que no dejaría que eso me pasase nunca a mí.
¿Cuándo descubriste la contracultura?
Vimos las primeras señales sobre la escena beatnik en los cómics de Jules Feiffer. Solo leía libros con mucha reticencia, me iban más las cosas visuales y la música. Me encantaba la música, yo ya coleccionaba viejos discos con avidez. Cuando tenía 17 años leí un libro, Jazzmen, publicado en 1939. Había un capítulo sobre el coleccionismo de discos de 78 rpm, y el autor hablaba sobre ir de puerta a puerta en barrios negros. Así que intenté hacer eso en Dover. Fui de puerta en puerta en la parte negra de la ciudad, preguntando por discos viejos. Fue algo muy osado, considerando lo tímido que era. Pero así conseguí buenos discos. Alguna gente de la que visité vivía en casa viejas sin pintar y todavía no tenían electricidad. Iba allí y tenían un fonógrafo en medio del salón y en el tocadiscos un disco de blues de los años 20. Decían, “¿qué buscas?” y yo decía “te doy 10 centavos por cada uno”, y generalmente los vendían. A veces tenían cajas de discos de 78 rpm debajo del sofá o bajo una cama. Llegué a ser conocido como el Old Record Man. Las mejores partidas de discos que conseguí vinieron de un tipo viejo que limpiaba sótanos para ganarse la vida. No conocía a nadie que los quisiera hasta que aparecí yo. Tenía discos de blues realmente raros. Así es como descubrí el blues antiguo. Lo desconocía, al principio me sonaba muy raro, pero al mismo tiempo tenía algo muy atractivo, la manera en que te agarraba y se te metía bajo la piel, con cadencia, con ritmo.
¿Qué te descubrió Marty [Pahls]?
Me empujó hacia un montón de cosas. Él leía a James Joyce y mierda de ese tipo. Yo no podía con esas cosas, pero él consiguió que leyese más. Charles intentó hacerme leer Tolstoi. Estaba muy metido en Dostoievsky y Dickens. Yo intenté leer novelas del siglo XIX, pero se me hacía duro. También descubrí antiguo material visual, libros de grabadores y dibujantes del siglo XVIII como Hogarth, Gillray, Cruikshank, Thomas Rowlandson. El material de Gillray es muy vulgar, es genial. Había muy poco publicado, pero a mí me interesaba. Adoro a Thomas Nast, fue una auténtica inspiración. Lo vi por primera vez en libros de historia, imprimían un par de sus dibujos en libros de historia. Yo merodeaba por la librerías, las tiendas de libros usados, me interesaban mucho los estilos gráficos del siglo XIX, el grabado.
¿Es de ahí de donde tomaste tu técnica de la trama manual?
Oh, Dios, sí. Nast era el mejor con esta técnica. Estaba inspirado en John Tenniel, el artista inglés que ilustró Alicia en el País de las Maravillas.
Tenniel hizo unas caricaturas políticas geniales para Punch. También encontré a Ernest Shepard, que ilustró El viento en los sauces y Winnie the Pooh. A finales de los 50 podías comprar muy baratos grandes libros de grabado impresos en el siglo XIX, a nadie le interesaban. Me empecé a interesar mucho por los viejos tiempos. Yo era tan excéntrico cuando tenía 17, 18 años, que solía caminar por la ciudad con un abrigo estilo Abraham Lincoln y un sombrero de copa que había encontrado en alguna tienda de gangas, desafiando a la gente a ridiculizarme o pensar de mí que era un excéntrico. Era un inadaptado social adolescente. Por aquel entonces aquello hacía que me sintiese muy deprimido y rechazado por las chicas. Después me di cuenta de que en realidad había tenido mucha suerte porque me liberó. Fui libre para desarrollar y explorar por mí mismo todas esas vías laterales de la cultura que, si eres aceptado, no exploras. Era libre para explorar las cosas que me interesaban.
¿Encontraste algo de inspiración en el arte contemporáneo?
Más bien no. Me interesaba mucho el dibujo comercial y la ilustración de los años 20 y 30. Las ilustraciones de Norman Rockwell para The Saturday Evening Post, los dibujantes de portadas de ciencia ficción, también las portadas y dibujos de las revistas pulp. No conectaba con el mundo de las bellas artes.
¿Cómo acabaste finalmente publicando?
Bueno, fue la revolución hippie. En 1964 me acosté con una chica por primera vez, conocí a mi esposa Dana y todos esos protohippies en Cleveland. Muchos de ellos eran judíos de Cleveland Heights, Shaker Heights. Empezaron a tomar LSD y me animaron a que lo probara, así que Dana consiguió algo de LSD de un psiquiatra, todavía era legal en el 65. Lo tomamos y fue totalmente una experiencia de camino-a-Damasco. Tomar LSD te cambiaba la percepción. Recuerdo ir a trabajar el lunes, después de tomar LSD el sábado, y todo me parecía una realidad de cartón. Ya no me parecía real. Parecía falso, un mundo de papel. Mis compañeros de trabajo decían, “Crumb, ¿cuál es el problema, qué te ha pasado?”. Porque me quedaba mirando fijamente todo como si no lo hubiera visto antes. Y luego eso cambió completamente la dirección de mi dibujo. Otra gente que había tomado LSD entendió inmediatamente lo que estaba pasando, pero la gente que no, mis compañeros de trabajo, no lo pillaron.
¿Cómo cambió tu dibujo?
Yo trabajaba dentro de esta tendencia de caricatura adulta moderna, muy influida por el trabajo moderno, expresionista, de calidad artística, de Jules Feifer, Ronald Searle, Ralph Steadman. Después, con el LSD, cambié bruscamente a ese estilo mças crudo de los años 40, que de pronto me resultó muy potente. Fue una especie de interpretación grotesca de las cosas de los 40, las cosas del estilo de Popeye. Empecé otra vez a dibujar así. Fue muy extraño para la gente que no conocía mi trabajo anterior. Incluso Kurtzman dijo, “¿qué demonios estás haciendo? ¡Estás involucionando!”
¿Cómo conociste a Kurtzman?
Fui a trabajar para Help! en verano de 1964. Les había mandado algunos dibujos. Tenían una sección donde imprimían dibujos de amateurs. A Kurtzman le gustaron mis dibujos tanto que me escribió de vuelta. Todavía tengo la carta que me escribió en 1964 diciendo, “envíanos más material como este”. Lo hice.
¿Tenían texto aquellos dibujos?
En realidad eran mudos, historietas mudas de El Gato Fritz. Terry Gilliam trabajaba allí como asistente de Kurtzman. Me invitó a ir a Nueva York y ayudar a Gilliam, así que pasé un par de meses en verano de 1964 trabajando con Terry Gilliam. Después me casé en septiembre y me fui a Europa. Cuando volvía a Cleveland en primavera de 1965, Terry Gilliam se iba y Kurtzman me invitó a ir a Nueva York y ocupar su puesto como editor asistente, y yo me apunté al momento. Admiraba mucho a Kurtzman, era mi héroe, en su presencia yo era como un chico enamorado. Llegué a Nueva York en verano de 1965, todo preparado para ir a trabajar a Help!, Dana y yo habíamos alquilado un apartamento, y me presenté en la oficina el lunes por la mañana. Kurtzman estaba de pie en al recibidor con aspecto abatido, y se estaban llevando los escritorios fuera de la oficina, yo dije, “¿qué pasa?”, él dijo, “el editor ha decidido cerrar la revista, se acabó”. Luego dijo, “no te preocupes, te encontraré un trabajo”. Se sentía culpable, porque me había invitado y aquí estaba yo, en Nueva York. Así que me presentó a este tipo en la Topps Bubble Gum Company de Brooklyn. Acabé trabajando para ellos haciendo cartas y promociones. Un montón de buenos dibujantes han trabajado para Topps a lo largo de los años. Art Spiegelman trabajó para ellos durante mucho tiempo… él inventó La Pandilla Basura para Topps. Ganaron una fortuna con él.
¿Cómo acabaste ahí metido?
En enero de 1967, en un bar, me encontré con dos conocidos que se iban a San Francisco. Dije, “¿puedo ir con vosotros?” y dijeron que sí. Yo estaba atrapado en Cleveland con 23 años, un trabajo desalentador y una joven mujer insegura y necesitada. Yo estaba desesperado por salir de allí, y ahí estaba mi oportunidad. Así que esa noche me fui con ellos, dejé a mi mujer, no dije nada, dejé el trabajo. Todo lo que tenía conmigo era un sketchbook y un poco de dinero suelto. Tres días después llegamos a San Francisco en aquel viejo coche destartalado.
¿Cómo se te ocurrieron las ideas para personajes principales como Mr. Natural?
Todos esos personajes surgieron de ese loco período visionario del que no podía desconectar. Era espontáneo, pero yo estaba muy loco, realmente estaba fuera de mí, era como esquizofrenia. Es como lo que genera el arte hecho por locos es un manicomio. Todo podía ser una influencia, cualquier cosa que escuchase. Estaba en Chicago a principios del 66 y la radio estaba encendida, y estaba sonando una canción, era una emisora negra, y un anuncio dice, “este fue Mr. Natural”. Y me puse a dibujar a Mr. Natural en mi sketchbook, ese personaje gurú barbudo, simplemente surgió. Dije, “hey, esto está bien”, y después jugué un poco más con ello, con ese personaje del falso gurú.
¿Y que hay del Gato Fritz?
Fritz el Gato era anterior, era del período prepsicodélico que re remontaba al final de mi adolescencia. Empecé a dibujar algunas historietas del Gato Fritz en aquellas libretas caseras. Comenzó estando basado en una mascota que teníamos en casa, y gradualmente evolucionó hacia ese personaje chulo y listillo de las historietas publicados. En las historietas de los años 20 y 30 puedes ver una evolución; los personajes comienzan sin desarrollo, y a lo largo de los años desarrollan ricas personalidades. Hay una evolución, después un período álgido, y después se queman. Yo, finalmente maté a Fritz en 1972, después de que saliera la película de animación. La película era malísima. Ya no quería que ese personaje existiera en este mundo.
En Zap eras editor jefe, dibujante y escritor de diálogo.
Y lo publicaba, lo doblaba, lo grapaba y lo vendía en la calle. Todo.
¿Vendía bien?
Al principio no.
Lo llevamos a todas las tienda de Haight Street y ellos decían, “no vendemos cómics, esta es una tienda de pósteres psicodélicos, ¿sabes?”. No tenían nada que ver con los cómics. Pero pronto se puso en marcha. Zap Comix se puso en marcha y después otros dibujantes que querían dibujar cómics, cómics hippies, empezaron a salir de la nada, y todo aquello floreció como un movimiento, los cómics underground.
¿Ganaba alguien el dinero suficiente como para vivir, o tenían otros trabajos?
No había dinero para nadie. En aquellos días podías vivir muy barato, pero luchábamos. Muchos de nosotros vivíamos de la beneficiencia. En los cómics no había nada de dinero. Incluso hoy en día muy poca gente se gana la vida con ellos. Para la mayoría de la gente es mucho trabajo por muy poco dinero y muy poco reconocimiento. Yo soy uno de los pocos que financieramente han tenido éxito.
¿Cómo llegaste a dibujar una portada de disco para Janis Joplin?
A ella le gustaba el cómic. Andaba por allí, se me acercó y me pidió que hiciera esa portada. A mí me gustaba Janis como persona, por eso la hice. Su banda no me volvía loco. Pero Janis era una cantante con mucho talento.
Eso debió de ser un gran paso adelante en términos de reconocimiento, ¿no?
Durante un tiempo fui conocido sobre todo por eso y por “Keep on truckin’”. Ese fue un dibujo que salió de las historietas del LSD, y las palabras venían de una canción de 1935 de Blind Boy Fuller. Lo dibujé en mi sketchbook y luego para Zap. Paerce que caló en el imaginario popular. Se convirtió en algo horriblemente popular.
La película sobre ti, Crumb, fue el pináculo en términos de ser observado.
Devastadora.
Pero era un relato muy comprensivo.
Terry Zwigoff ya llevaba veinte años siendo mi amigo. Terry es compasivo y comparte algunos de mis intereses. Él también colecciona discos de 78 rpm, es un amante de la música antigua y los cómics antiguos. Es inteligente y un buen editor, y comparte mi visión y comparte mi negatividad. Me comprendía y conocía mi mundo bastante bien.
¿Quedaste contento con cómo quedó?
Contento no es la palabra adecuada. Pensé que había hecho un buen trabajo, pero verla es una tortura. Es una película muy íntima, porque me abrí a él. Le abrí mi vida, porque es mi amigo. Nunca pensé que la película sería un gran éxito. Pensé que a lo mejor la vería una poca gente en cines de arte y ensayo. ¿Quién iba a imaginarse que se vería en tantos sitios? ¿Quién iba a imaginarse que la vería la madre de Aline? ¿O mis parientes de Minnesota? Todos me odiaron después de verla.
En la película mostraban algunos dibujos de sexo bastante gráficos.
Fantasías sexuales muy extrañas. Sentí la necesidad de dibujar mis fantasías sexuales y endilgárselas al público.
¿Eran solo algo que se te ocurrió?
Sí, supongo. Cuando empecé a hacerlas en el 68 o el 69, la gente a la que le había gustado mi trabajo anterior, algunos de ellos, quedaron impresionados pero enloquecidos -especialmente las mujeres, por supuesto. Perdí a todas las mujeres. No soy antifeminista. Me gustan las mujeres fuertes independientes, como las matriarcas de Génesis -ellas mandan a los hombres de alrededor. La parte de las fantasías sexuales era otra parte distinta de mí mismo, y cuando empezó a salir eso, ya no pude seguir siendo el autor de cómic hippie más querido de América. Y también estaba el material racista, las imágenes racistas que usaba. Eso también apartó a mucha gente de mi trabajo. Las feministas me despreciaron. Tuve un par de defensoras entre ellas que defendían mi trabajo por lo que era: solo se trataba de ser totalmente honesto sobre la mentalidad masculina. Revela los pensamientos que la mayoría de hombres que van por ahí tienen siempre sobre las mujeres que se encuentran. Tengo que admitirlo. Me revelé como era.
¿Qué te impulsó a ser tan abierto?
Bueno, tal vez fue el LSD el que inspiró a usar el cómic para revelar mi yo interno, pero junto a esta parte espiritual o positiva, había un lado oscuro que mantuvie oculto hasta cierto momento. Ver el trabajo de S Clay Wilson fue un gran descubrimiento para mí, porque dibujaba lo que fuera que le venía a la cabeza, cualquier cosas violenta, loca, sexual. Vi eso y dije, “vale, todo vale, voy a mostrarlo todo y revelar el lado oscuro, todo”. A veces intento psicoanalizar esos cómics antiguos, como el Bis Ass Comics que hice en 1969 o 1970, esas historias de fantasías sexuales, para saber de qué van realmente. Tienen esas mujeres pájaro monstruosas grandes, poderosas, con cabezas depredadoras con grandes picos afilados y cuerpos femeninos poderosos, y el héroe, el protagonista, es una pequeña caricatura divertida y tiene que vérselas con toda esa sociedad de grandes mujeres pájaro monstruosas. No hay hombres, son todas mujeres, hay atracción pero también miedo. Ellas son poderosas y depredadoras. Déjame que pase 20 años en el diván con Freud y lo descifraré. No sé. Incluso podrías ver que es una metáfora más grande, la historia de la lucha entre el hombrecito y esas criaturas depredadoras grandes, poderosas, atractivas, depredadoras. Toda una sociedad compuesta por ellas, que tienen el poder, están organizadas y comparten una misma mentalidad.
Es un desarrollo interesante, el autor de cómic convirtiéndose en personaje de cómic.
Justin Green y Aline fueron los primeros que hicieron cómics puramente autobiográficos. Aline fue la primera mujer del mundo en hacerlo.
¿Cómo te afectó eso?
Me afectó muchísimo. Me inspiró a ser aún más personal, a ser autobiográfico. Al principio me sentía incómodo y acomodaba mis experiencias personales en otros personajes: el Gato Fritz, Flakey Foont, Eggs Ackley. Nunca lo hice tan extensivamente como Justin Green o Aline.
¿Cuál es tu próximo proyecto?
Aline y yo vamos a hacer un libro en colaboración. Es muy fácil de hacer, comparado con Génesis. Simplemente te dibujas a ti mismo una y otra vez. Es fácil trabajar con Aline porque es como una comediante judía. Le sale de forma natural, como a Phil Silvers o Don Rickles. Se escribe solo, con ella alrededor.
¿Haces alguna vez ejercicio de pintura, como naturalezas muertas con fruta o paisajes?
No, nunca he hecho eso. Pero cuando Kurtzman se sentía culpable por mí después de que cerrase Help!, me ofreció, “si eres capaz de aprender a hacer acuarelas, puedes hacer fondos para Little Annie Fanny“. Así que me puse a ello como loco durante un par de semanas y realmente aprendí esa técnica tan precisa de acuarela que usaban en las historietas de Little Annie Fanny. Kurtzman lo miró y dijo, “sí, es bueno, pero lo he estado pensando y tú eres tan bueno por ti mismo que deberías continuar haciendo tu propio trabajo”. Yo me sentí un poco decepcionado, pero él tenía razón. Debes seguir tu propio camino.
¿Por qué te mudaste a Francia?
Aline lo organizó todo. Yo simplemente me desperté una mañana y estaba viviendo en Francia. Llegué a tener fobia a la vida en América y me gusta Francia. Me parece una sociedad mejor, por lo menos en este punto de la historia.
¿Te ves como un expatriado?
No me veo como parte de una tradición, pero aparentemente lo soy. Henry Miller solía venia a Francia durante su treintena. Vino por primera vez en 1929. Escribió una carta -cuando de nuevo dejaba América para ir a vivir a Francia- que denigra completamente la cultura americana. Dice que no hay cultura en América, que no hay nada más que edificios altos y campos de trigo. Cualquier cosa que produzca América no tiene valor. Y yo pienso, “Jesús, es tipo vivió en uno de los períodos más ricos culturalmente de América”. Él era joven en los años 20 e iba a las pistas de baile, disfrutaba de lo que había que ver y hacer en Nueva York. Pero no pensaba que aquello tuviera ningún valor, reverenciaba completamente la cultura europea, lo que, supongo, si yo hubiera andado por allí en aquel entonces, probablemente también hubiera hecho.
¿Te estás volviendo más francés viviendo aquí?
No, soy un inadaptado. Siempre seré un inadaptado.
Empecemos con Génesis. ¿De dónde parte este libro?
Bueno, la verdad es un poco estúpida, en realidad. Lo hice por el dinero y rápidamente empecé a arrepentirme. Fue una cantidad de trabajo enorme -cuatro años de trabajo y apenas si mereció la pena. Fui demasiado compulsivo con el detalle. En el cómic, tienes que desarrollar algún tipo de atajo. No puedes hacer que cada dibujo sea extremadamente detallado. El lector medio en realidad no quiere todo este detalle, interfiere con la fluidez del proceso de lectura. Pero no puedo evitarlo -desorden obsesivo-compulsivo.
Pero también parece un trabajo hecho con amor.
Intenté ser respetuoso. Decidí no burlarme del texto, no introducir ningún tipo de material gracioso. Varias veces estuve tentado. Pero después lo borré porque distrae del texto. El propio texto es tan apasionante que simplemente ilustrarlo ya es suficiente. Pero no vas a agradar a la gente que cree que la Biblia es la palabra de Dios. Encontrarán fallos. A los judíos no les gustará porque representas físicamente a Dios. Y el hecho de que muestre a gente practicando el sexo, eso elimina a un montón de cristianos.
¿Leíste de niño versiones en cómic de la Biblia?
No. No me interesaban. En la adolescencia pasé por un breve estado de fanatismo religioso, pero fue sobre todo recitar plegarias y cosas así, recitar rosarios y emplear un montón de tiempo en esa especie de ritual católico. Mi hermano Charles admiraba a San Francisco, caminaba con piedras en los zapatos. Pero pronto empezamos a ver más allá, mi hermano y yo empezamos a cuestionar la iglesia y en seguida todo aquello se desmoronó para nosotros.
Génesis es obviamente una novela gráfica, pero la portada es como la portada de un comic book de los años 50.
¡Es un Classic Illustrated! Tuve que discutir con ellos para que me dejaran llamarlo “ilustrado”. Querían llamarlo El libro del Génesis según R. Crumb, pero yo preferí “ilustrado por”. Prefería una posición más humilde. Es un trabajo de ilustración, ¿vale? La ilustración tiene mala reputación en la cultura moderna debido a décadas en las que artistas que eran “meros ilustradores” eran considerados inferiores a los artistas serios. A los ilustradores se les miraba por encima del hombro. Quería decir que no eras una persona realmente creativa, simplemente tenías la habilidad técnica que prestabas a las ideas de otro. Pero son todo chorradas -el mundo de las bellas artes, el mito del artista como genio creativo. Esas son algunas de las revelaciones más potentes sobre lo que ocurrió.
Hice los dibujos agradables, y a la gente que le gusta ese tipo de cosas, la estética, quedaron impresionados, pero lo más significativo es en realidad ilustrar todo lo que hay ahí. Esa es la contribución más significativa que he hecho. Saca todo a relucir. Los cómics son buenos para eso. Muchas de las experiencias educativas que he tenido sobre cosas importantes, vienen de los cómics. Un artista japonés hizo un comic book sobre su infancia en el Japón militarizado y sobre la caída de la bomba. Se llama Hiroshima. Es muy potente y realista. También Palestina, el libro de Joe Sacco, y su libro sobre Bosnia, o el Maus de Art Spiegelman, una potente historia sobre el Holocausto.
¿Cómo te hiciste con la documentación para Génesis desde un pueblecito medieval del sur de Francia?
¡Hey, venga ya, estamos en la era digital! ¡Puedes conseguirlo todo desde cualquier sitio! Un amigo me consiguió el DVD de Los diez mandamientos y algunas otras épicas bíblicas y congeló la imagen y tomó cientos de fotos. Desarrollé un gran respeto por Cecil B DeMille. Cuando congelas los fotogramas y los miras de cerca, cada detalle es realmente interesante. Tienes a esos burros tirando de carros primitivos con grandes vasijas atadas con cuerdas, y usé todo eso. Todas las estatuas, las filas de leones según sales de la ciudad del faraón. Está hermosamente realizado y la artesanía y atención al detalle era muy reseñable.
¿Usaste libros de historia sobre los inicios del cristianismo?
Tienes que mirar mucho más atrás, al inicio de la civilización mesopotámica, porque las historias de Abraham y todo eso… son del año 2000 antes de Cristo. Es difícil encontrar referencias visuales mesopotámicas que lleguen tan atrás. ¿Cómo vestía la gente? ¿Tenían puertas? ¿Las puertas tenían bisagras, o qué? La Biblia dice, Lot cerro la puerta y no dejó que los hombres entrasen, pero ¿de qué estaba hecha la puerta?
¿Fue un reto dibujar a Dios? En el pasado habías dibujado viñetas en las que Dios habla a alguien.
Mr. Natural. Pero también vi a Dios en un sueño en el año 2000.
¿Qué aspecto tenía?
Tenía rasgos casi como Mel Gibson o Charlton Heston, muy severo pero a la vez con un aspecto como angustiado. Y me advertía del ago, muy brevemente, me advertía sobre esa fuerza destructiva que se hacía cada vez más fuerte, y dado que él amaba la Tierra o esta realidad o como quieras llamarlo, me estaba alistando como una de las personas destinadas a proteger esta realidad de la fuerza destructiva. Cuando trataba de imaginar cómo dibujar a Dios, recordé esa imagen, que solo pude mirar durante una fracción de segundo por lo doloroso que resultaba mirar su cara, tan severa y a la vez tan angustiada.
¿Le diste esa cara a Dios en Génesis?
Lo intenté. No lo captura del todo. Fue mi punto de referencia. Durante todo el proceso, volvía atrás y redibujaba la cara, seguía borrando y rehaciendola para intentar captarla con propiedad.
Luego no fue un “puro trabajo de ilustración”, ¿no?
No lo fue, pero quería ilustrar el texto tan apropiadamente y con tanta precisión como fuera capaz. Miré un montón de vieja imaginería europea y todo era demasiado hortera… a menos que te retrotrayeras a la época en que el material era realmente crudo, en la alta Edad Media, cuando todo era iconográfico y crudo y primitivo. El reto principal para la precisión era leer el texto con mucha atención para asegurarme de que no malinterpretaba nada. Cuando haces eso te das cuenta de que está extremadamente condensado, y probablemente vino de un período en el que había evolucionado en forma de recitado por los hebreos seminómadas, como hacen en las tiendas beduinas hoy en día. Recitan su historia a lo largo de cuarenta generaciones, y no acabaría nunca a menos que empieces a condensarla. Pero también pueden condensar tanto las cosas que pierdan su significado.
Génesis fue muy exigente. Se lo dediqué a Aline porque en seguida se dio cuenta de que yo no iba a poder terminarlo a menos que me aislase, de manera que me encontró un sitio en las montañas. Se llaman gîtes -una pequeña casa con una cocinita. Cada vez que iba me pasaba allí semanas.
Eras como un escriba medieval.
Un monasterio habría sido perfecto.
¿Así que primero haces cada viñeta a lápiz y luego la entintas?
Sí, primero uso lápiz. En Génesis, como había tantas cosas técnicas que tenía que hacer, especialmente dibujar correctamente la anatomía, a menudo primero hacía un boceto en un trozo de papel sucio, hacía pruebas antes de empezar a dibujar a lápiz en el papel de dibujo. Cómo es este ángulo, su brazo, y el tipo sujeta una herramienta, ¿qué aspecto tiene? Usé el Animal Locomotion de Muybridge, de finales del siglo XIX. Incluye cientos de fotos de gente desnuda en acción, muy útil para cualquier tipo de trabajo de dibujo en el que tengas que dibujar a gente de manera realista en diferentes acciones y poses. Como la escena en que Jacob está luchando con el ángel; afortunadamente había páginas de fotos en el libro de Muybridge de hombres luchando.
¿Usaste modelos vivientes para alguno de esos dibujos?
Unas pocas veces pedía gente que posase porque los ropajes son muy peliagudos, esas capas y tal. A veces es imposible saber cómo va a caer la ropa en ciertas posiciones, pedía a alguien que pusiera una cortina en determinada posición para ver cómo caería la ropa. No te puedes inventar esas cosas.
¿Cuántas viñetas al día podías llegar a hacer?
Depende de la cantidad de detalle y de la cantidad de voluntad y entusiasmo. Eso cambia de un día a otro. Si el dibujo era bastante simple, podía llegar a hacer dos tercios de una página al día. SI era más complicado, tal vez media página.
¿Y después finalmente te ibas a casa?
Aline venía a por mí, porque ella era la única que sabía dónde estaba. Venía los fines de semana y me traía comida y cosas y cartas, correo que había llegado.
¿Pensaste alguna vez que sería tan difícil terminar?
No, solo sabía que lo tenía que terminar. Lo comparaba con colocar raíles para el transiberiano. Fue largo, fue la cosa más larga que he hecho con diferencia. Cuando llegué a la última viñeta no me lo podía creer. Ahora estoy hartísimo de todo este asunto. He acabado con la Biblia. De vuelta a dibujar pornografía.
Has dicho que eres disléxico. ¿Eso te empujó hacia el cómic cuando eras niño?
Los únicos libros auténticos que leí eran los libros de texto del colegio, y eran aburridos. Y la manera en que te enseñaban a leer historias en el colegio era muy aburrida. No me interesaba para nada. Mi hermano Charles empezó a interesarse en leer auténticos libros antes que yo. A mí me costaba mucho leer, leía muy lentamente y con errores, debido a la dislexia. Incluso los cómics con mucho texto me desanimaban hasta que que llegué al período entre la mitad y el final de mi adolescencia. El texto era duro para mí, y he necesitado décadas para convertirme en un buen lector.
Aún así tú pones bastante texto en tus cómics. Escribes cada letra de cada palabra hermosamente -es un trabajo muy laborioso.
Cuando escribes lentamente tienes más tiempo para pensar cómo construir las palabras. No escribo a máquina, simplemente escribo a mano en mayúscula. Me tomo el tiempo para pensar cómo articular las cosas. En mi vida he escrito mucho… he mantenido mucha correspondencia y he llevado diarios a lo largo de los años. Empecé joven intercambiando largas cartas con un par de personas. Comunicarme a través del papel era más fácil para mí que comunicarme en persona.
¿Conservas los cómics de tu infancia?
Algunos. A principios de los 70 me encontré con un tipo que vendía la colección completa de Little Lulu. La compré entera. También me interesaba Dick Tracy desde que tenía 11 años. Era una tira genial. Tenía una extraña visión psicótica en blanco y negro del mundo que era fascinante, negativa y escalofriante. Recortaba cada día las tiras y las pegaba en grandes álbumes. Estuve haciéndolo durante seis meses, cortando diariamente las tiras. Era la única manera de tenerlas.
La Nancy de Ernie Bushmiller era una de mis favoritas, porque era realmente fácil de leer. Me gustó Peanuts durante una temporada, desde finales de los años 50 hasta principios de los 60. Era una tira bien escrita, una tira literaria, el dibujo era mínimo. Al final de mi adolescencia me metí en Jules Feiffer. Hizo uno de los primeros cómics personales, psicológicos, adultos. Me resultó inspirador. En aquellos cómics había introspección neurótica.
¿Qué pensabas de MAD?
Recuerdo la primera vez que vi MAD, vi el primer número en el kiosco a finales de 1951, yo tenía nueve años y no lo entendí. ¿”Es Melven”? ¿Qué significa eso? ¿Qué demonios? Y después no lo volví a ver hasta que vi el número once, que es ese en el que hicieron una parodia de la revista Life en la portada. Eso me flipó, ese dibujo de Basil Wolverton, esa parodia salvaje de la revista Life. ¡Oh, Dios mío, no podía creer lo que veían mis ojos! Eso era muy subversivo para mí con diez, once años, y desde entonces empecé a mirar MAD, pero no podíamos llevarlo a casa. Mi madre no lo habría permitido en casa, esos dibujos de chicas, sexys, rijosas.
¿Así que lo escondías?
Lo mirábamos en el kiosco hasta que tuve catorce años, cuando por fin empecé a comprar ese material y llevarlo a casa. Recuerdo que cuando vi por primera vez la revista de Harvey Kurtzman Humbug en 1957, no podía creer lo que veían mis ojos, de lo rara que era. Tenía ese dibujo tan potente que satirizaba la vida americana, y estaba hermosamente dibujado y era oscuro y extraño. El material de Harvey Kurtzman fue uno de mis mayores escapes de la realidad cuando era niño.
Seguí la carrera de Kurtzman de todo lo cerca que pude mientras hizo revistas y cómics. Era un desastre comercial tremendo, era muy trágico cuando sucedía. Acabó trabajando para Playboy, haciendo eso de Annie Fanny, que estaba bien, pero no no era como su material anterior. Estaba constreñido por Hugh Hefner, que interfería constantemente en la serie de Annie Fanny, metía mano y hacía todo tipo de cambios en papel cebolla sobre los bocetos a lápiz que había hecho Kurtzman. Muy desmoralizante. Después de que Kurtzman y yo nos hiciéramos amigos, un día estaba con él y empezó a llorar por la vejación que suponían todas esas correcciones que pedía Hefner. Fue una imagen terrible que soportar, y resolví que no dejaría que eso me pasase nunca a mí.
¿Cuándo descubriste la contracultura?
Vimos las primeras señales sobre la escena beatnik en los cómics de Jules Feiffer. Solo leía libros con mucha reticencia, me iban más las cosas visuales y la música. Me encantaba la música, yo ya coleccionaba viejos discos con avidez. Cuando tenía 17 años leí un libro, Jazzmen, publicado en 1939. Había un capítulo sobre el coleccionismo de discos de 78 rpm, y el autor hablaba sobre ir de puerta a puerta en barrios negros. Así que intenté hacer eso en Dover. Fui de puerta en puerta en la parte negra de la ciudad, preguntando por discos viejos. Fue algo muy osado, considerando lo tímido que era. Pero así conseguí buenos discos. Alguna gente de la que visité vivía en casa viejas sin pintar y todavía no tenían electricidad. Iba allí y tenían un fonógrafo en medio del salón y en el tocadiscos un disco de blues de los años 20. Decían, “¿qué buscas?” y yo decía “te doy 10 centavos por cada uno”, y generalmente los vendían. A veces tenían cajas de discos de 78 rpm debajo del sofá o bajo una cama. Llegué a ser conocido como el Old Record Man. Las mejores partidas de discos que conseguí vinieron de un tipo viejo que limpiaba sótanos para ganarse la vida. No conocía a nadie que los quisiera hasta que aparecí yo. Tenía discos de blues realmente raros. Así es como descubrí el blues antiguo. Lo desconocía, al principio me sonaba muy raro, pero al mismo tiempo tenía algo muy atractivo, la manera en que te agarraba y se te metía bajo la piel, con cadencia, con ritmo.
¿Qué te descubrió Marty [Pahls]?
Me empujó hacia un montón de cosas. Él leía a James Joyce y mierda de ese tipo. Yo no podía con esas cosas, pero él consiguió que leyese más. Charles intentó hacerme leer Tolstoi. Estaba muy metido en Dostoievsky y Dickens. Yo intenté leer novelas del siglo XIX, pero se me hacía duro. También descubrí antiguo material visual, libros de grabadores y dibujantes del siglo XVIII como Hogarth, Gillray, Cruikshank, Thomas Rowlandson. El material de Gillray es muy vulgar, es genial. Había muy poco publicado, pero a mí me interesaba. Adoro a Thomas Nast, fue una auténtica inspiración. Lo vi por primera vez en libros de historia, imprimían un par de sus dibujos en libros de historia. Yo merodeaba por la librerías, las tiendas de libros usados, me interesaban mucho los estilos gráficos del siglo XIX, el grabado.
¿Es de ahí de donde tomaste tu técnica de la trama manual?
Oh, Dios, sí. Nast era el mejor con esta técnica. Estaba inspirado en John Tenniel, el artista inglés que ilustró Alicia en el País de las Maravillas.
Tenniel hizo unas caricaturas políticas geniales para Punch. También encontré a Ernest Shepard, que ilustró El viento en los sauces y Winnie the Pooh. A finales de los 50 podías comprar muy baratos grandes libros de grabado impresos en el siglo XIX, a nadie le interesaban. Me empecé a interesar mucho por los viejos tiempos. Yo era tan excéntrico cuando tenía 17, 18 años, que solía caminar por la ciudad con un abrigo estilo Abraham Lincoln y un sombrero de copa que había encontrado en alguna tienda de gangas, desafiando a la gente a ridiculizarme o pensar de mí que era un excéntrico. Era un inadaptado social adolescente. Por aquel entonces aquello hacía que me sintiese muy deprimido y rechazado por las chicas. Después me di cuenta de que en realidad había tenido mucha suerte porque me liberó. Fui libre para desarrollar y explorar por mí mismo todas esas vías laterales de la cultura que, si eres aceptado, no exploras. Era libre para explorar las cosas que me interesaban.
¿Encontraste algo de inspiración en el arte contemporáneo?
Más bien no. Me interesaba mucho el dibujo comercial y la ilustración de los años 20 y 30. Las ilustraciones de Norman Rockwell para The Saturday Evening Post, los dibujantes de portadas de ciencia ficción, también las portadas y dibujos de las revistas pulp. No conectaba con el mundo de las bellas artes.
¿Cómo acabaste finalmente publicando?
Bueno, fue la revolución hippie. En 1964 me acosté con una chica por primera vez, conocí a mi esposa Dana y todos esos protohippies en Cleveland. Muchos de ellos eran judíos de Cleveland Heights, Shaker Heights. Empezaron a tomar LSD y me animaron a que lo probara, así que Dana consiguió algo de LSD de un psiquiatra, todavía era legal en el 65. Lo tomamos y fue totalmente una experiencia de camino-a-Damasco. Tomar LSD te cambiaba la percepción. Recuerdo ir a trabajar el lunes, después de tomar LSD el sábado, y todo me parecía una realidad de cartón. Ya no me parecía real. Parecía falso, un mundo de papel. Mis compañeros de trabajo decían, “Crumb, ¿cuál es el problema, qué te ha pasado?”. Porque me quedaba mirando fijamente todo como si no lo hubiera visto antes. Y luego eso cambió completamente la dirección de mi dibujo. Otra gente que había tomado LSD entendió inmediatamente lo que estaba pasando, pero la gente que no, mis compañeros de trabajo, no lo pillaron.
¿Cómo cambió tu dibujo?
Yo trabajaba dentro de esta tendencia de caricatura adulta moderna, muy influida por el trabajo moderno, expresionista, de calidad artística, de Jules Feifer, Ronald Searle, Ralph Steadman. Después, con el LSD, cambié bruscamente a ese estilo mças crudo de los años 40, que de pronto me resultó muy potente. Fue una especie de interpretación grotesca de las cosas de los 40, las cosas del estilo de Popeye. Empecé otra vez a dibujar así. Fue muy extraño para la gente que no conocía mi trabajo anterior. Incluso Kurtzman dijo, “¿qué demonios estás haciendo? ¡Estás involucionando!”
¿Cómo conociste a Kurtzman?
Fui a trabajar para Help! en verano de 1964. Les había mandado algunos dibujos. Tenían una sección donde imprimían dibujos de amateurs. A Kurtzman le gustaron mis dibujos tanto que me escribió de vuelta. Todavía tengo la carta que me escribió en 1964 diciendo, “envíanos más material como este”. Lo hice.
¿Tenían texto aquellos dibujos?
En realidad eran mudos, historietas mudas de El Gato Fritz. Terry Gilliam trabajaba allí como asistente de Kurtzman. Me invitó a ir a Nueva York y ayudar a Gilliam, así que pasé un par de meses en verano de 1964 trabajando con Terry Gilliam. Después me casé en septiembre y me fui a Europa. Cuando volvía a Cleveland en primavera de 1965, Terry Gilliam se iba y Kurtzman me invitó a ir a Nueva York y ocupar su puesto como editor asistente, y yo me apunté al momento. Admiraba mucho a Kurtzman, era mi héroe, en su presencia yo era como un chico enamorado. Llegué a Nueva York en verano de 1965, todo preparado para ir a trabajar a Help!, Dana y yo habíamos alquilado un apartamento, y me presenté en la oficina el lunes por la mañana. Kurtzman estaba de pie en al recibidor con aspecto abatido, y se estaban llevando los escritorios fuera de la oficina, yo dije, “¿qué pasa?”, él dijo, “el editor ha decidido cerrar la revista, se acabó”. Luego dijo, “no te preocupes, te encontraré un trabajo”. Se sentía culpable, porque me había invitado y aquí estaba yo, en Nueva York. Así que me presentó a este tipo en la Topps Bubble Gum Company de Brooklyn. Acabé trabajando para ellos haciendo cartas y promociones. Un montón de buenos dibujantes han trabajado para Topps a lo largo de los años. Art Spiegelman trabajó para ellos durante mucho tiempo… él inventó La Pandilla Basura para Topps. Ganaron una fortuna con él.
¿Cómo acabaste ahí metido?
En enero de 1967, en un bar, me encontré con dos conocidos que se iban a San Francisco. Dije, “¿puedo ir con vosotros?” y dijeron que sí. Yo estaba atrapado en Cleveland con 23 años, un trabajo desalentador y una joven mujer insegura y necesitada. Yo estaba desesperado por salir de allí, y ahí estaba mi oportunidad. Así que esa noche me fui con ellos, dejé a mi mujer, no dije nada, dejé el trabajo. Todo lo que tenía conmigo era un sketchbook y un poco de dinero suelto. Tres días después llegamos a San Francisco en aquel viejo coche destartalado.
¿Cómo se te ocurrieron las ideas para personajes principales como Mr. Natural?
Todos esos personajes surgieron de ese loco período visionario del que no podía desconectar. Era espontáneo, pero yo estaba muy loco, realmente estaba fuera de mí, era como esquizofrenia. Es como lo que genera el arte hecho por locos es un manicomio. Todo podía ser una influencia, cualquier cosa que escuchase. Estaba en Chicago a principios del 66 y la radio estaba encendida, y estaba sonando una canción, era una emisora negra, y un anuncio dice, “este fue Mr. Natural”. Y me puse a dibujar a Mr. Natural en mi sketchbook, ese personaje gurú barbudo, simplemente surgió. Dije, “hey, esto está bien”, y después jugué un poco más con ello, con ese personaje del falso gurú.
¿Y que hay del Gato Fritz?
Fritz el Gato era anterior, era del período prepsicodélico que re remontaba al final de mi adolescencia. Empecé a dibujar algunas historietas del Gato Fritz en aquellas libretas caseras. Comenzó estando basado en una mascota que teníamos en casa, y gradualmente evolucionó hacia ese personaje chulo y listillo de las historietas publicados. En las historietas de los años 20 y 30 puedes ver una evolución; los personajes comienzan sin desarrollo, y a lo largo de los años desarrollan ricas personalidades. Hay una evolución, después un período álgido, y después se queman. Yo, finalmente maté a Fritz en 1972, después de que saliera la película de animación. La película era malísima. Ya no quería que ese personaje existiera en este mundo.
En Zap eras editor jefe, dibujante y escritor de diálogo.
Y lo publicaba, lo doblaba, lo grapaba y lo vendía en la calle. Todo.
¿Vendía bien?
Al principio no.
Lo llevamos a todas las tienda de Haight Street y ellos decían, “no vendemos cómics, esta es una tienda de pósteres psicodélicos, ¿sabes?”. No tenían nada que ver con los cómics. Pero pronto se puso en marcha. Zap Comix se puso en marcha y después otros dibujantes que querían dibujar cómics, cómics hippies, empezaron a salir de la nada, y todo aquello floreció como un movimiento, los cómics underground.
¿Ganaba alguien el dinero suficiente como para vivir, o tenían otros trabajos?
No había dinero para nadie. En aquellos días podías vivir muy barato, pero luchábamos. Muchos de nosotros vivíamos de la beneficiencia. En los cómics no había nada de dinero. Incluso hoy en día muy poca gente se gana la vida con ellos. Para la mayoría de la gente es mucho trabajo por muy poco dinero y muy poco reconocimiento. Yo soy uno de los pocos que financieramente han tenido éxito.
¿Cómo llegaste a dibujar una portada de disco para Janis Joplin?
A ella le gustaba el cómic. Andaba por allí, se me acercó y me pidió que hiciera esa portada. A mí me gustaba Janis como persona, por eso la hice. Su banda no me volvía loco. Pero Janis era una cantante con mucho talento.
Eso debió de ser un gran paso adelante en términos de reconocimiento, ¿no?
Durante un tiempo fui conocido sobre todo por eso y por “Keep on truckin’”. Ese fue un dibujo que salió de las historietas del LSD, y las palabras venían de una canción de 1935 de Blind Boy Fuller. Lo dibujé en mi sketchbook y luego para Zap. Paerce que caló en el imaginario popular. Se convirtió en algo horriblemente popular.
La película sobre ti, Crumb, fue el pináculo en términos de ser observado.
Devastadora.
Pero era un relato muy comprensivo.
Terry Zwigoff ya llevaba veinte años siendo mi amigo. Terry es compasivo y comparte algunos de mis intereses. Él también colecciona discos de 78 rpm, es un amante de la música antigua y los cómics antiguos. Es inteligente y un buen editor, y comparte mi visión y comparte mi negatividad. Me comprendía y conocía mi mundo bastante bien.
¿Quedaste contento con cómo quedó?
Contento no es la palabra adecuada. Pensé que había hecho un buen trabajo, pero verla es una tortura. Es una película muy íntima, porque me abrí a él. Le abrí mi vida, porque es mi amigo. Nunca pensé que la película sería un gran éxito. Pensé que a lo mejor la vería una poca gente en cines de arte y ensayo. ¿Quién iba a imaginarse que se vería en tantos sitios? ¿Quién iba a imaginarse que la vería la madre de Aline? ¿O mis parientes de Minnesota? Todos me odiaron después de verla.
En la película mostraban algunos dibujos de sexo bastante gráficos.
Fantasías sexuales muy extrañas. Sentí la necesidad de dibujar mis fantasías sexuales y endilgárselas al público.
¿Eran solo algo que se te ocurrió?
Sí, supongo. Cuando empecé a hacerlas en el 68 o el 69, la gente a la que le había gustado mi trabajo anterior, algunos de ellos, quedaron impresionados pero enloquecidos -especialmente las mujeres, por supuesto. Perdí a todas las mujeres. No soy antifeminista. Me gustan las mujeres fuertes independientes, como las matriarcas de Génesis -ellas mandan a los hombres de alrededor. La parte de las fantasías sexuales era otra parte distinta de mí mismo, y cuando empezó a salir eso, ya no pude seguir siendo el autor de cómic hippie más querido de América. Y también estaba el material racista, las imágenes racistas que usaba. Eso también apartó a mucha gente de mi trabajo. Las feministas me despreciaron. Tuve un par de defensoras entre ellas que defendían mi trabajo por lo que era: solo se trataba de ser totalmente honesto sobre la mentalidad masculina. Revela los pensamientos que la mayoría de hombres que van por ahí tienen siempre sobre las mujeres que se encuentran. Tengo que admitirlo. Me revelé como era.
¿Qué te impulsó a ser tan abierto?
Bueno, tal vez fue el LSD el que inspiró a usar el cómic para revelar mi yo interno, pero junto a esta parte espiritual o positiva, había un lado oscuro que mantuvie oculto hasta cierto momento. Ver el trabajo de S Clay Wilson fue un gran descubrimiento para mí, porque dibujaba lo que fuera que le venía a la cabeza, cualquier cosas violenta, loca, sexual. Vi eso y dije, “vale, todo vale, voy a mostrarlo todo y revelar el lado oscuro, todo”. A veces intento psicoanalizar esos cómics antiguos, como el Bis Ass Comics que hice en 1969 o 1970, esas historias de fantasías sexuales, para saber de qué van realmente. Tienen esas mujeres pájaro monstruosas grandes, poderosas, con cabezas depredadoras con grandes picos afilados y cuerpos femeninos poderosos, y el héroe, el protagonista, es una pequeña caricatura divertida y tiene que vérselas con toda esa sociedad de grandes mujeres pájaro monstruosas. No hay hombres, son todas mujeres, hay atracción pero también miedo. Ellas son poderosas y depredadoras. Déjame que pase 20 años en el diván con Freud y lo descifraré. No sé. Incluso podrías ver que es una metáfora más grande, la historia de la lucha entre el hombrecito y esas criaturas depredadoras grandes, poderosas, atractivas, depredadoras. Toda una sociedad compuesta por ellas, que tienen el poder, están organizadas y comparten una misma mentalidad.
Es un desarrollo interesante, el autor de cómic convirtiéndose en personaje de cómic.
Justin Green y Aline fueron los primeros que hicieron cómics puramente autobiográficos. Aline fue la primera mujer del mundo en hacerlo.
¿Cómo te afectó eso?
Me afectó muchísimo. Me inspiró a ser aún más personal, a ser autobiográfico. Al principio me sentía incómodo y acomodaba mis experiencias personales en otros personajes: el Gato Fritz, Flakey Foont, Eggs Ackley. Nunca lo hice tan extensivamente como Justin Green o Aline.
¿Cuál es tu próximo proyecto?
Aline y yo vamos a hacer un libro en colaboración. Es muy fácil de hacer, comparado con Génesis. Simplemente te dibujas a ti mismo una y otra vez. Es fácil trabajar con Aline porque es como una comediante judía. Le sale de forma natural, como a Phil Silvers o Don Rickles. Se escribe solo, con ella alrededor.
¿Haces alguna vez ejercicio de pintura, como naturalezas muertas con fruta o paisajes?
No, nunca he hecho eso. Pero cuando Kurtzman se sentía culpable por mí después de que cerrase Help!, me ofreció, “si eres capaz de aprender a hacer acuarelas, puedes hacer fondos para Little Annie Fanny“. Así que me puse a ello como loco durante un par de semanas y realmente aprendí esa técnica tan precisa de acuarela que usaban en las historietas de Little Annie Fanny. Kurtzman lo miró y dijo, “sí, es bueno, pero lo he estado pensando y tú eres tan bueno por ti mismo que deberías continuar haciendo tu propio trabajo”. Yo me sentí un poco decepcionado, pero él tenía razón. Debes seguir tu propio camino.
¿Por qué te mudaste a Francia?
Aline lo organizó todo. Yo simplemente me desperté una mañana y estaba viviendo en Francia. Llegué a tener fobia a la vida en América y me gusta Francia. Me parece una sociedad mejor, por lo menos en este punto de la historia.
¿Te ves como un expatriado?
No me veo como parte de una tradición, pero aparentemente lo soy. Henry Miller solía venia a Francia durante su treintena. Vino por primera vez en 1929. Escribió una carta -cuando de nuevo dejaba América para ir a vivir a Francia- que denigra completamente la cultura americana. Dice que no hay cultura en América, que no hay nada más que edificios altos y campos de trigo. Cualquier cosa que produzca América no tiene valor. Y yo pienso, “Jesús, es tipo vivió en uno de los períodos más ricos culturalmente de América”. Él era joven en los años 20 e iba a las pistas de baile, disfrutaba de lo que había que ver y hacer en Nueva York. Pero no pensaba que aquello tuviera ningún valor, reverenciaba completamente la cultura europea, lo que, supongo, si yo hubiera andado por allí en aquel entonces, probablemente también hubiera hecho.
¿Te estás volviendo más francés viviendo aquí?
No, soy un inadaptado. Siempre seré un inadaptado.
De Quanta terra necessita um homem...
O escritor russo León Tolstoi é mundialmente reconhecido por seus romances “Guerra e Paz” e “Anna Karenina”, que o elevaram ao Panteão dos maiores nomes da literatura universal. O que a maioria das pessoas desconhece é que, além dos romances, Tolstoi também era um autor de contos geniais... Sua visão critica sobre o ser humano o levou a abordar em curtas histórias temas como a ambição, o conflito de classes, a guerra, o sentido da vida, entre outros assuntos de caráter filosófico.
Um dos contos mais celebrados de Tolstoi é “De Quanta Terra Necessita um Homem”. O texto chegou a ser saudado por ninguém menos que James Joyce, como “uma das melhores histórias jamais escritas”.
O artista espanhol Miguel Ángel Díez partiu deste conto de Tolstoi para criar uma excelente novela gráfica lançada no ano passado, na Espanha (o livro ainda não foi editado no Brasil). "Cuánta tierra necesita un hombre" é, nas palavras do próprio autor, uma adaptação livre do conto do escritor russo. Além dele, Miguel Angel insere em seu livro outras sete histórias do autor: “A menina virou um rato”, “Os fios invisíveis”, “Uma menina havia colhido uma cigarra”, “Um mujik que havia perdido seu dinheiro”, “Uns pescadores iam em seu barco”, “O Czar e a Camisa” e “O lobo”.
Foi exatamente a liberdade de criar a partir dos elementos indicados na obra de Tolstoi que permitiu a Miguel Angel produzir uma das melhores adaptações literárias que o Nona Arte já teve a oportunidade de avaliar.
“Se eu tivesse muita terra, não temeria nem mesmo o próprio diabo”. O pensamento do camponês Pakhóm, protagonista do conto, é o ponto de partida para Miguel Angel que vai tecendo, de mãos dadas com Tolstoi, uma narrativa repleta de significados. O artista espanhol tem um traço simples, que remete às ilustrações de livros infantis (Miguel Angel é, de fato, um ilustrador com vários livros publicados na Espanha), mas extremamente eficiente. Seu domínio sobre a técnica da narrativa gráfica e, principalmente, na construção do roteiro, é excelente.
Não deixe de conferir uma versão em português do conto de Tolstoi. Não é uma boa tradução, mas é uma oportunidade para conferir o texto do genial escritor russo.
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Os Sertões finalmente em quadrinhos
Um dos maiores clássicos da literatura em língua portuguesa finalmente chega ao universo dos quadrinhos: "Os Sertões" de Euclides da Cunha. Não deixe de conferir, em breve, um comentário aqui no Nona Arte. Isso é... se sobrar dinheiro no final do ano para compra o Livro... Quem sabe um Papai Noel não ajuda?
Marjane Satrapi leva nova história ao cinema
Depois da aclamada adaptação cinematográfica da banda desenhada "Persépolis" (2007), a realizadora Marjane Satrapi vai levar "Poulet aux Prunes" ao grande ecrã, contando desta vez com um elenco de carne e osso. A portuguesa Maria de Medeiros foi uma das atrizes escolhidas.
As rodagens começam em julho na capital alemã, Berlim. Maria de Medeiros irá contracenar com Mathieu Amalric, Chiara Mastroianni, Djamel Debbouze, Isabella Rossellini e Golshifteh Farahani, para dar vida à história de um músico que decide morrer depois de o instrumento que toca se partir.
"Poulet aux Prunes" (Frango com Ameixas, em português), já lançado no Brasil, valeu a Marjane Satrapi o prémio de melhor álbum de BD no Festival de Angoulême.
Recorde-se que Satrapi, uma exilada iraniana a residir em França, ganhou reconhecimento no mundo da realização após o lançamento do filme de animação "Persépolis", baseado na sua banda desenhada autobiográfica com o mesmo nome. O filme estreou no Festival de Cannes de 2007, onde recebeu o prémio do júri.
(do site português Boas Notícias)
sábado, 4 de dezembro de 2010
Uma guerra muito pessoal
Narrativas sobre conflitos armados são uma tradição literária desde que o grego Homero escreveu a história sobre o cerco de Troia. Desde então, a literatura mundial está repleta de grandes livros, como: Guerra e Paz (Tolstoi), Por quem os sinos dobram (Hemingway), Nada de novo no Front (Erich Remarque), Os Sertões (Euclides da Cunha) entre outros. A literatura em quadrinhos, na trilha desses sucessos editoriais também já elegeu os seus clássicos, entre eles: Maus (Spielgman), Guerra de Trincheiras (Tardi), Gorazde (Joe Sacco), Valsa para Bashir (Ari Folman) só para citar alguns.
Infelizmente, o mais recente lançamento da editora Zarabatana Books – A Guerra de Alan, do francês Emmanuel Guibert – não pode ser inserido nessa lista. O livro foi lançado no mercado europeu em uma sequencia de três volumes. O último só publicado em 2008, oito anos após o lançamento do primeiro número.
O livro remonta as memórias do soldado Alan Ingram Cope durante a II Guerra Mundial. Alan entrou no exército no final de 1944 e só chegou ao palco do conflito em 1945. Sem disparar um único tiro ao longo de toda sua passagem pela Europa, Alan esteve envolvido em tarefas burocráticas e efadonhas. Suas ações de guerra se limitaram a vigílias noturnas e administração de documentos.
É uma pena que o talento de Emmanuel Guibert, que já teve a série o Fotógrafo publicada no Brasil, tenha sido desperdiçado com uma história tão frágil. O verdadeiro problema de A Guerra de Alan não é a narrativa ou os desenhos de Guibert, mas o próprio Alan...Ninguém esperava corpos despedaçados, atos heroicos, lutas sangrentas entre aliados e nazistas... Outros artistas já mostraram que é possível fazer grandes histórias a partir dos pequenos acontecimentos do dia a dia. Só que o leitor, sinceramente, merecia mais desta história. Alan faz um relato extenso, mas superficial da guerra... Enfim... Passe longe.
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Música e traço
Os artistas gráficos Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho juntaram seus talentos e uma flagrante paixão pela música e desde setembro estão fazendo a alegria de uma legião de seguidores do seu site quadrinhos rasos. A cada semana eles vêm publicando versões em quadrinhos para clássicos da música popular brasileira e internacional.
A versatilidade das músicas escolhidas pelos dos ilustradores chama a atenção. No site, Caetano Veloso, Engenheiros do Hawaii, Mamonas Assassinas, Gonzaguinha, Alceu Valença, Geraldo Azevedo, entre outros artistas têm trabalhos seus ilustrados de forma competente pela dupla.
Não deixe de acompanhar o site e conferir as novas músicas, digo quadrinhos, semanalmente.
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