sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Crumb desnudado


Há mais de vinte anos Don Fine (autor de R. Crumb Checklist) concebeu um projeto ambicioso: uma resgate da obra do artista a partir de materiais nunca publicados, incluindo entrevistas, artigos, fotografias, correspondências, etc. Durante anos, fardos de material que Fiene havia recolhido foram passando de editor para editor na Fantagraphics (editora que publica os livros de Crumb), incapazes de reduzir o monstro a um tamanho publicável. Depois que o projeto já estava praticamente abandonado, a Fantagraphics decidiu resgatar a idéia central do imanejável tesouro: esta reunião de 50 cartas de Crumb escrita a seus amigos do mundo dos comics, Marty Pahls y Mike Britt, entre 1958 e 1977. As cartas abarcam os anos em que Crumb saiu do anonimato e emergiu para o estrelato como o mais importante e controvertido autor de quadrinhos no cenário da contra-cultura dos Estados Unidos.

Robert Crumb é um desenhista autobiográfico por excelência e que mais retratou a si mesmo. Talvez por isso surpreende até que ponto estas cartas iluminam sua vida, em especial seu precoce desenvolvimento artístico e intelectual. A maioria das cartas abarca um período de cinco anos entre 1958 até 1964, com apenas um punhado de cartas entre 64 e 77. A maioria, portanto, registra seus pensamentos e inquietudes desde os 16 até os 21 anos. Sem dúvida os mais instáveis, confusos e fundamentais na vida de um jovem, e ainda mais para um artista tão ambicioso como já era na época Crumb.

O livro inclui desenhos inéditos, anotações diversas e um texto de Pepo Pérez que completam a obra.

Um livro imprescindível para os fanáticos pela obras de Crumb, mas também para os amantes de blues, pela enorme quantidade de informação disponível sobre o gênero musical que é uma verdadeira obsessão para o autor, que ademais é um colecionador aficionado de discos de 78 rpm.

Confira um trecho de documentário sobre Robert Crumb lançado em 1994

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